Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Nova Iorque, 29 de setembro de 2026 (RAFA)- Timor-Leste apelou a medidas concretas para combater a discriminação, defendendo um maior acesso aos mecanismos de reclamação e à assistência jurídica, a prevenção do preconceito através da educação e formação, e respostas aos riscos associados às tecnologias digitais.
A posição foi apresentada por Dionísio Babo durante a reunião de alto nível que assinalou o 25.º aniversário da adopção da Declaração e Programa de Ação de Durban.
No seu discurso, Dionísio Babo relacionou a experiência de reconciliação de Timor-Leste com a necessidade de construir uma paz baseada na justiça, na inclusão e no respeito.
“A reconciliação ensinou-nos que a paz duradoura exige justiça, inclusão e respeito.”
O embaixador de Timor-Leste nas Nações Unidas afirmou que a Constituição de Timor-Leste garante a igualdade perante a lei, proíbe a discriminação e proíbe organizações racistas e xenófobas.
Segundo Dionísio Babo, estes compromissos, juntamente com as obrigações internacionais em matéria de direitos humanos, constituem uma base para a ação.
No entanto, alertou que o racismo e a discriminação continuam a manifestar-se quando o preconceito influencia as decisões, quando as instituições não reconhecem as situações de exclusão e quando as vítimas não conseguem obter reparação.
“As tecnologias digitais podem agravar estes danos, amplificando o ódio e reproduzindo preconceitos discriminatórios”, afirmou.
Perante estes desafios, Timor-Leste apresentou três prioridades para tornar a igualdade efetiva na prática.
A primeira consiste em facilitar o acesso das pessoas aos mecanismos de reclamação e à assistência jurídica. Dionísio Babo defendeu ainda uma maior cooperação entre as instituições públicas, as organizações de direitos humanos e a sociedade civil para ajudar as pessoas a exercer os seus direitos.
A segunda prioridade centra-se na prevenção da discriminação. De acordo com o representante timorense, as escolas devem ajudar os jovens a reconhecer o preconceito e a respeitar a diversidade. A formação dos funcionários públicos e o diálogo com as comunidades, incluindo as que são diretamente afetadas pela discriminação, foram também destacados como instrumentos para reforçar a igualdade de tratamento.
A terceira prioridade refere-se aos riscos emergentes das tecnologias digitais. Dionísio Babo alertou que estas tecnologias podem amplificar o discurso de ódio e reproduzir preconceitos discriminatórios.
Ao mesmo tempo, defendeu que a resposta a estes riscos deve preservar a liberdade de expressão e o acesso a mecanismos de reparação.
Dionísio Babo defendeu ainda que a implementação de medidas deve ser realista e ter em conta as circunstâncias nacionais.
Para Timor-Leste, os que são diretamente afetados pela discriminação devem participar na definição de prioridades e na avaliação dos progressos.
O país destacou ainda a importância da cooperação internacional, através da assistência técnica e da formação.
Para Dionísio Babo, o sucesso das políticas antidiscriminatórias não deve ser medido apenas pela existência de compromissos, mas pelos resultados concretos alcançados na vida das pessoas.
“A nossa medida de sucesso deve ser tangível: uma queixa resolvida, uma barreira discriminatória removida, uma criança a aprender sem humilhação.”
Ao concluir o seu discurso, Dionísio Babo fez um apelo à participação das comunidades, dos educadores, dos jovens e da sociedade civil para transformar a igualdade num princípio vivido no dia a dia.
O discurso decorreu numa reunião de alto nível realizada em Nova Iorque para assinalar o 25º aniversário da adoção da Declaração e Programa de Ação de Durban, com foco no combate ao racismo, à discriminação racial, à xenofobia e à intolerância.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
do acesso à justiça aos riscos digitais Timor-Leste apela a medidas concretas contra a discriminação
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt