Destaque

TIMOR GAP regista prejuízo de 36,7 milhões de dólares e auditor alerta para incerteza sobre continuidade

todayJulho 22, 2026 1181

Fundo
share close

Díli, 22 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A empresa petrolífera pública TIMOR GAP, E.P. fechou o exercício de 2025 com um prejuízo líquido consolidado de 36,7 milhões de dólares norte-americanos, mais 9,6% do que em 2024, segundo o Relatório Anual & Contas da empresa relativo a 2025.

O resultado negativo é justificado quase inteiramente por custos financeiros líquidos de 37,8 milhões de dólares, decorrentes de juros acumulados sobre empréstimos de longo prazo que ascendem a quase 874,1 milhões de dólares.

Em casa está, fundamentalmente, a linha de crédito de 650 milhões de euros contraída para garantir a participação maioritária do Estado no projeto Greater Sunrise.

Segundo o relatório, “o reembolso está alinhado com a realização de valor futuro, em vez da geração de caixa a curto prazo”.

As receitas totais cresceram 31,1%, de 28,2 milhões de dólares em 2024 para 36,9 milhões de dólares em 2025.

A empresa continua, no entanto, fortemente dependente do Estado: 83% da receita total teve origem em subvenções governamentais, que aumentaram 8,3%, para 29,2 milhões de dólares.

As receitas de serviços cresceram 640,7%, de 797 109 para 5,9 milhões de dólares.

O EBITDA do grupo caiu 63,1%, de 8,6 milhões para 3,2 milhões de dólares – uma quebra que a empresa atribui à “aceleração deliberada das despesas relacionadas com a exploração e com os projetos durante o ano”, e não a uma deterioração da capacidade operacional principal.

O parecer de auditoria, assinado pela Grant Thornton Bharat LLP, chama a atenção para uma “incerteza material relacionada com a continuidade das operações”.

Segundo a nota 32 das demonstrações financeiras, citada no parecer, os passivos correntes do grupo excederam os ativos correntes em 8,5 milhões dólares e o património líquido do grupo “encontra-se deteriorado” – condições que, segundo os auditores, “indicam a existência de incerteza material que pode suscitar dúvidas significativas quanto à capacidade do grupo de continuar a operar”.

Apesar deste alerta, os auditores mantiveram uma opinião não modificada sobre as contas, considerando que “o princípio da continuidade das operações é adequado para a elaboração destas demonstrações financeiras consolidadas”.

O capital próprio total do grupo é negativo em 870,2 milhões, um agravamento face aos negativos 833,5 milhões que se registava em 2024.

A caixa e equivalentes de caixa caíram 12,7%, para 78,7 milhões de dólares.

A empresa enquadra esta posição financeira no contexto do seu mandato enquanto petrolífera nacional em fase de desenvolvimento, apoiada pelo Estado, “em que a valorização é esperada num horizonte alargado, em vez de através da geração de caixa a curto prazo”.

As contas mostram que a dívida de longo prazo do grupo TIMOR GAP aumentou 4,5% em 2025, para 874,1 milhões de dólares.

A dívida líquida – que desconta a caixa e ativos de curto prazo – subiu de 746,3 milhões para 795,4 milhões de dólares.

O endividamento está associado à linha de crédito de 650 milhões de euros contraída para garantir a participação maioritária do Estado timorense no projeto Greater Sunrise, no qual a TIMOR GAP detém 56,56% através da Sunrise Joint Venture (SJV).

A caixa e equivalentes de caixa do grupo caíram 12,7%, de 90,1 milhões para 78,7 milhões de dólares.

O fluxo de caixa operacional agravou-se, passando de um valor negativo de 2,8 milhões de dólares em 2024 para um valor negativo de 9,8 milhões de dólares em 2025.

Já o fluxo de investimento foi menos negativo, caindo de -12,3 milhões para -972 mil dólares.

Segundo o relatório, a liquidez do grupo “é sustentada por subvenções governamentais contínuas (83% da receita total), pela geração contínua de caixa operacional proveniente das atividades Downstream e por um perfil de serviço da dívida alinhado”.

A empresa refere manter “uma gestão de tesouraria ativa para garantir que as obrigações sejam cumpridas de acordo com a fase de desenvolvimento da sua carteira de ativos”.

O relatório reconhece que a estrutura de financiamento é “altamente alavancada”, mas sustenta que “o Grupo manteve uma forte reserva de liquidez”.

O reembolso dos empréstimos está estruturado para se alinhar com a realização de valor futuro dos projetos, e não com a geração de caixa a curto prazo.

De referir que o parecer de auditoria às contas de 2025 da TIMOR GAP chama a atenção para uma incerteza sobre a aplicação da lei australiana de retenção na fonte aos juros acumulados nos empréstimos contraídos para o projeto Greater Sunrise.

Segundo a nota 39 das demonstrações financeiras consolidadas, citada no parecer da Grant Thornton Bharat LLP, duas subsidiárias da TIMOR GAP – a TIMOR GAP Greater Sunrise RL, Unipessoal, Lda., e a TIMOR GAP Greater Sunrise RL2, Unipessoal, Lda. – detêm participação no projeto, situado em águas territoriais partilhadas por Timor-Leste e a Austrália ao abrigo do Tratado de Fronteiras Marítimas entre os dois países.

O tratado estipula que o regime fiscal aplicável será determinado em conjunto, no âmbito do Contrato de Partilha e Produção (PSC) a celebrar para a Área de Regime Especial de Greater Sunrise (GSSRA).

Segundo o relatório, esse PSC “ainda não se encontra assinado” – pelo que não foram feitos ajustamentos nas contas relativos a uma eventual obrigação de retenção na fonte, “o que se afigura incerto até à data”.

A incerteza fiscal surge no contexto das negociações em curso sobre o quadro jurídico e fiscal da GSSRA, que prosseguiram ao longo de 2025 entre a TIMOR GAP, os parceiros da Sunrise Joint Venture e os governos de Timor-Leste e da Austrália.

Jornalista: António Sampaio

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!