Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Banguecoque, 5 de agosto de 2026 (RAFA.TL) – A antiga líder birmanesa Aung San Suu Kyi, detida desde o golpe militar de 2021, reuniu-se na segunda-feira com o representante do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na capital de Myanmar, anunciou o governo apoiado pelos militares.
O momento raro de contacto da Nobel da Paz com o exterior, o primeiro em mais de cinco anos, foi confirmado com duas fotografias divulgadas pelo Gabinete de Imprensa e Informação da Presidência.
As imagens mostram Suu Kyi a apertar a mão a Arnaud de Baecque, representante do CICV em Myanmar, e a reunir-se com ele.
O comunicado não revelou o local do encontro nem detalhes sobre o que foi discutido.
O CICV confirmou, em comunicado, que um dos seus delegados visitou Suu Kyi ao abrigo dos procedimentos padrão da organização para visitas a pessoas privadas de liberdade, tendo falado com ela em privado, sem divulgar o conteúdo da conversa.
A organização afirmou continuar a envolver-se com todos os intervenientes relevantes para manter e alargar o seu acesso a locais de detenção em Myanmar.
Outras duas fotografias mostram Suu Kyi a cortar um bolo de aniversário cor-de-rosa com a inscrição “Feliz Aniversário Tia Suu”, sugerindo terem sido tiradas durante uma celebração pelo seu 81.º aniversário, em junho.
Nas imagens, Suu Kyi surge relaxada e sorridente, sem sinais óbvios de doença, embora o seu estado físico não possa ser avaliado de forma independente apenas a partir das fotografias.
A divulgação surge num momento em que crescem os apelos de outros países, incluindo parceiros de Myanmar na Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), para obter acesso a Suu Kyi ou reforçar o envolvimento com ela, no âmbito dos esforços para resolver a crise política do país.
Kim Aris, filho mais novo de Suu Kyi, residente em Londres, e ativistas birmaneses pró-democracia têm promovido uma campanha online a exigir provas de que a mãe está viva e de boa saúde.
Em comunicado enviado à AP, Aris saudou a visita do CICV, considerando que pode marcar o primeiro desenvolvimento positivo relativamente à mãe em mais de cinco anos.
“Pode ser um primeiro passo, mas não pode ser o último”, afirmou, agradecendo a governos, à comunidade internacional e a apoiantes o apoio à sua família e à campanha por provas do bem-estar da mãe, ao mesmo tempo que sublinhou não ter ainda recebido confirmação independente do seu estado.
Suu Kyi foi detida a 1 de fevereiro de 2021, quando o exército tomou o poder ao governo eleito que liderava.
Não é vista publicamente desde então, e a última fotografia oficial divulgada foi em abril, quando foi transferida da prisão para prisão domiciliária, com a pena reduzida no âmbito de uma amnistia concedida por ocasião de um feriado budista.
Os líderes militares do país, alvo de sanções e isolamento internacional generalizado desde o golpe de 2021, têm procurado projetar um regresso à normalidade, tendo realizado eleições em 2025 e reforçado o envolvimento com vizinhos regionais.
Críticos afirmam, no entanto, que a transição para um governo nominalmente eleito, composto sobretudo por antigos generais e quadros do anterior regime militar, pouco mudou quanto ao controlo do poder pelos militares.
O porta-voz do Governo de Unidade Nacional, organização da oposição, Nay Phone Latt, considerou que o encontro entre o CICV e Suu Kyi não deve ser interpretado como um verdadeiro passo para resolver questões de direitos humanos ou democracia.
“Uma vez que, desde o início, a líder do país foi indevidamente detida e presa com base em acusações infundadas, deve ser libertada sem quaisquer condições”, afirmou.
As Nações Unidas saudaram a visita do CICV e reiteraram o apelo “à libertação rápida e incondicional de todos os detidos arbitrariamente, como passo fundamental para criar condições propícias a um processo político credível e transparente”.
O porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq, afirmou que o secretário-geral, António Guterres, sublinha a importância do diálogo entre todas as partes em Myanmar, com a sua enviada especial, Julie Bishop, sobre a forma como a ONU, a ASEAN e outros intervenientes-chave podem ajudar a resolver pacificamente o conflito atual.
FIM
Escrito por RafaFM
no primeiro contacto público em mais de cinco anos Suu Kyi encontra-se com a Cruz Vermelha
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt