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Suíça decide domingo em referendo se limita população a 10 milhões de habitantes

todayJunho 10, 2026

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Berna, 10 de Junho de 2026 (RAFA.TL) – Os suíços votam domingo num referendo sem precedentes sobre uma proposta para limitar a população do país a 10 milhões de habitantes nas próximas décadas, decisão que limitará necessariamente a imigração.

A iniciativa é apoiada pelo Partido do Povo Suíço, a força mais votada no parlamento, que há anos alimenta uma corrente isolacionista no rico país alpino.

As sondagens mais recentes do instituto gfs.bern apontam para um resultado incerto e potencialmente disputado.

Uma vitória do “sim” obrigaria o Governo suíço a adotar medidas para limitar a população a 10 milhões até 2050.

Se a população atingir os 9,5 milhões antes dessa data, o executivo seria forçado a introduzir restrições ao asilo, à reunificação familiar e às autorizações de residência, podendo mesmo ter de abandonar o acordo com a União Europeia sobre a livre circulação de pessoas.

Desde que a Suíça e a UE liberalizaram a circulação de cidadãos em 2002, a população suíça cresceu 23%, atingindo os 9,1 milhões no final do ano passado.

No mesmo período, a produção económica aumentou 24%, segundo dados do Governo.

Os apoiantes da iniciativa, liderados pelo Partido do Povo Suíço, argumentam que o afluxo de imigrantes europeus tem sobrecarregado as infraestruturas, a habitação, os programas sociais, os recursos naturais e o modo de vida helvético.

O deputado Bernard Bapst, antigo funcionário aduaneiro, rejeitou os riscos para a segurança apontados pelos críticos e afirmou que “várias formas de criminalidade” aumentaram desde a adopção da política de fronteiras abertas.

Os opositores, que incluem o Governo federal, o Parlamento e os principais grupos empresariais, consideram a proposta uma ameaça à prosperidade do país.

A EconomieSuisse, principal associação empresarial suíça, classificou-a como uma “proposta absurda” que coloca em risco a segurança e a competitividade do país, argumentando que a Suíça depende de trabalhadores, especialistas e competências provenientes do estrangeiro em sectores como a saúde, as finanças, a indústria farmacêutica e a tecnologia.

O professor de economia internacional da Universidade de St. Gallen, Reto Föllmi, resumiu o paradoxo central do debate: “Somos vítimas do nosso próprio sucesso.”

Nenhum país votou até hoje para limitar a sua população, segundo Philippe Wanner, especialista em demografia da Universidade de Genebra, embora países como a China tenham adoptado políticas para travar o crescimento demográfico.

A OCDE reportou que 32% da população suíça era nascida no estrangeiro em 2024 – uma proporção apenas superada pelo Luxemburgo e pela Austrália.

René Schwok, professor de ciências políticas na Universidade de Genebra, alertou que uma vitória do “sim” prejudicaria as relações da Suíça com Bruxelas e comprometeria o investimento estrangeiro no país, dado que a UE é de longe o seu maior parceiro comercial.

Os suíços já votaram repetidamente sobre imigração ao longo das últimas cinco décadas.

Apenas um referendo neste domínio – “Contra a imigração em massa”, em 2014 – foi aprovado por margem estreita, depois de uma campanha que explorou medos sobre a sobrepopulação e o aumento da presença muçulmana no país.

A grande maioria dos estrangeiros residentes na Suíça são, porém, europeus.

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Escrito por RafaFM

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