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Simpósio em Díli analisa hoje resultados da missão da OceanX que recolheu mais de quatro mil amostras em Timor-Leste

todayAgosto 27, 2026 61 5

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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – Especialistas reúnem-se hoje em Díli para analisar os resultados da missão científica da OceanX em Timor-Leste, que mapeou cerca de cinco mil quilómetros quadrados do fundo do mar e recolheu mais de quatro mil amostras biológicas.

O “Timor-Leste OceanX Symposium: Science for a Blue Future”, que decorre no Centro de Convenções de Díli, reúne Governo, cientistas e parceiros para discutir como aplicar na prática as descobertas da expedição realizada em novembro de 2025.

A missão, a bordo do navio OceanXplorer, decorreu entre 6 e 24 de novembro de 2025 ao longo da costa norte do país e na região da ilha de Ataúro, em parceria com o Governo timorense e cientistas da KAUST (Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah), da Universidade da Flórida, da Universidade da Austrália Ocidental e de instituições timorenses.

Ao longo de 14 dias operacionais, a equipa recolheu mais de quatro mil amostras biológicas – corais, invertebrados e espécies crípticas – em ambientes de recife, mesofóticos e batiais.

As avaliações preliminares apontam para a representação de cerca de duas mil espécies diferentes, resultados que serão hoje apresentados em detalhe na sessão dedicada à biodiversidade e descoberta de ecossistemas, a cargo do investigador Arthur Anker, da KAUST.

O mapeamento de alta resolução do fundo do mar, que abrangeu cerca de cinco mil quilómetros quadrados, contribui para a iniciativa global Seabed 2030 e visa colmatar lacunas de dados batimétricos que ainda existiam sobre a região – tema também na agenda da manhã, numa sessão conduzida por Erin Heffron e Kailani Acosta, da OceanX.

A missão dedicou ainda atenção especial ao estudo da baleia-azul-pigmeia (Balaenoptera musculus brevicauda), espécie que migra anualmente através das águas timorenses.

Através de imagens captadas por drone, marcação por satélite e amostragem ambiental, os investigadores registaram mais de cem horas de observação sobre a migração, saúde e comportamento destes animais, recorrendo à plataforma de inteligência artificial SeaSwipe, desenvolvida pela OceanX, para anotação de espécies e análise de imagem em tempo real.

Estes resultados serão apresentados durante a tarde, na sessão sobre turismo azul e megafauna marinha, com o investigador Mark Meekan, da Universidade da Austrália Ocidental.

Em comunicado divulgado em dezembro, o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, que abre hoje o simpósio, classificou a expedição como histórica e disse que a investigação “revelou a extraordinária riqueza” da biodiversidade marinha do país, fornecendo “alguns dos dados científicos mais valiosos e abrangentes que o país já teve”.

Segundo o chefe do Governo, os resultados dão “uma base sólida” para futuras medidas de conservação, incluindo a criação de um parque nacional em torno da ilha de Ataúro.

Também citado no mesmo comunicado, o co-CEO e cientista-chefe da OceanX, Vincent Pieribone, que intervém igualmente na sessão de abertura, afirmou que a missão marcou um passo importante na compreensão da chamada Passagem de Timor, descrevendo a região como detentora de “uma gama excecional de espécies e habitats”, documentada com uma profundidade raramente alcançada nestas águas.

Além da apresentação dos dados científicos, o simpósio inclui intervenções de cientistas timorenses envolvidos na expedição – entre eles Agostinho Rodrigues, da Autoridade Nacional do Petróleo, Joctan Lopes, e Alzira dos Santos e Deonisio Matos, da Universidade Nacional Timor Lorosa’e – e termina com uma sessão à porta fechada entre a OceanX e o Governo dedicada ao planeamento de uma eventual missão de seguimento.

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Escrito por RafaFM

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