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Segurança digital exige legislação, educação e responsabilidade coletiva, defendem participantes da Cimeira

todayAgosto 25, 2026 42

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Díli, 25 de agosto de 2026 (RAFA) – A necessidade de reforçar a segurança digital através da legislação, da educação e da responsabilidade coletiva foi um dos principais pontos destacados no segundo dia da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento 2026, em Díli.

O debate foi marcado pela participação de especialistas, representantes institucionais, académicos, docentes, estudantes e convidados, que abordaram os desafios e as responsabilidades associados à crescente digitalização da sociedade timorense.

As discussões centraram-se nos benefícios e riscos associados à crescente utilização da tecnologia e da internet, incluindo a necessidade de proteger a população contra fraudes online, desinformação, violações de privacidade e outras ameaças decorrentes da expansão do mundo digital.

O académico Abel da Silva considerou a questão da segurança digital particularmente relevante para Timor-Leste, uma vez que a tecnologia oferece novas possibilidades para facilitar os serviços e a comunicação, mas também pode expor a população a diferentes tipos de riscos.

“Temos muitos benefícios do mundo digital, mas também existem riscos. Precisamos de ensinar os alunos e a população a utilizar a tecnologia corretamente para que não se tornem vítimas de burlas online”, referiu, notando que a resposta aos riscos digitais não deve ser da exclusiva responsabilidade do governo.

Abel da Silva considerou necessária uma ação conjunta entre as instituições públicas, as escolas, os meios de comunicação social, a sociedade civil, os jovens e organizações para criar um ambiente digital mais seguro.

O académico defendeu, no entanto, que o processo deve começar pela criação de um quadro legal adequado, capaz de acompanhar a evolução tecnológica e estabelecer mecanismos de proteção dos utilizadores.

“É preciso começar pelo enquadramento legal e depois educar a população para utilizar a tecnologia de forma correta e cuidada”.

Segundo disse, a educação é fundamental para reduzir a vulnerabilidade dos cidadãos, mas não é, por si só, uma resposta suficiente. A legislação, a sensibilização pública e as ações das diferentes instituições devem funcionar de forma complementar.

A importância da formação e da utilização responsável da tecnologia foi também destacada pelos participantes da cimeira.

Ivan Pereira, estudante da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), considerou que o debate sobre a segurança tecnológica permite uma melhor compreensão dos desafios que o país enfrenta com o aumento da utilização de ferramentas digitais.

Ivan destacou, em particular, a necessidade de compreender como avaliar a segurança das tecnologias e como podem ser utilizadas para apoiar a educação e outras atividades do quotidiano

Para o estudante, a participação na cimeira permitiu ainda conhecer experiências internacionais e diferentes perspetivas sobre o impacto da tecnologia no desenvolvimento de pequenos países como Timor-Leste.

Angélica da Costa Siqueira, aluna da EBC Akadiru Hun, salientou a importância do acesso à informação proporcionado pelas tecnologias digitais.

Segundo a mesma, as ferramentas tecnológicas permitem aos estudantes procurar conhecimento, aprender diferentes disciplinas e comunicar com pessoas de outros países.

As diferentes perspetivas apresentadas durante o debate reforçaram a ideia de que a transformação digital deve ser acompanhada de conhecimento, regulamentação e capacidade de utilização responsável.

A observação no terreno revelou também um aumento da participação no segundo dia da Cimeira, com a sala mais ocupada por estudantes, professores, convidados e representantes de diferentes instituições.

A presença de representantes institucionais e de diferentes áreas ministeriais foi também mais visível durante algumas das sessões, após debates sobre ciência, tecnologia, segurança digital e outros temas relacionados com o desenvolvimento nacional.

Fora da sala de painéis, a atividade fez-se sentir também nos arredores do Centro de Convenções de Díli (CCD), onde decorre a SciTech 2026, evento que se prolonga até à noite e que está aberta ao público.

A área de exposição reúne diferentes instituições que apresentaram projetos, iniciativas e informações relacionadas com a ciência, tecnologia, inovação e desenvolvimento.

A exposição permitiu aos participantes conhecer projetos e iniciativas para além dos debates realizados nos painéis, criando um espaço de contacto entre instituições, especialistas, académicos, estudantes e visitantes.

A participação registada no segundo dia acontece num evento que aborda vários dos principais desafios para o desenvolvimento de Timor-Leste, desde a ciência, saúde, educação e agricultura à tecnologia, economia, inteligência artificial e transformação digital.

O debate sobre a segurança digital veio, por isso, realçar que o avanço tecnológico não deve ser acompanhado apenas pela expansão do acesso à internet.

Para que a transformação digital traga benefícios para a sociedade, será necessário garantir leis adequadas, educação digital, instituições preparadas e cidadãos capazes de reconhecer e evitar os riscos do ambiente online.

Jornalista: Miguel Caldas

 

Escrito por RafaFM

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