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SE da Cultura de Portugal evoca Saramago e celebra o português como “língua da alma” em Díli

todayMaio 4, 2026 59 16 5

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Díli, 4 de maio de 2026 (RAFA.tl) – O Secretário de Estado da Cultura de Portugal saudou hoje “a escolha histórica e consciente” da língua portuguesa como uma das duas línguas oficiais de Timor-Leste, evocando a natureza “emancipadora” da sua aprendizagem.

“Em Timor-Leste, o português não é apenas uma língua herdada. É, sobretudo, uma língua que foi escolhida, defendida e politicamente assumida como parte da identidade nacional. E essa escolha merece a nossa admiração e o nosso respeito”, disse Alberto Santos na abertura da Semana da Língua Portuguesa em Díli.

Mais do que língua oficial, disse, citando o linguista timorense Benjamim Corte-Real, é uma “língua da alma” que “não nos fala de nostalgia, nem de sentimentalismo”, mas antes de “uma escolha histórica e consciente de Timor-Leste”.

“Fala de uma língua que se guardou na alma de um povo, se preservou nas montanhas e vales deste país, acompanhou a resistência, ajudou a afirmar o que é diferente em solo timorense e continua a inscrever este país, de modo próprio e autónomo, no mundo”, afirmou.

Alberto Santos falava no Centro Cultural Jorge Sampaio, na Embaixada de Portugal na inauguração de uma exposição dedicada ao escritor José Saramago, intitulada “Que Lembrança Ficou no Mundo que Tiveste?” e que marca o arranque da Semana da Língua Portuguesa.

A cerimónia contou com a presença, entre outros, do Presidente da República, José Ramos-Horta, e da Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, além dos embaixadores dos Estados-Membros da comunidade lusófona acreditados em Timor-Leste: Portugal, Brasil e Angola.

As iniciativas da Semana da Língua Portuguesa, que se prolongam até domingo, estão a ser promovidas em conjunto pelas três embaixadas e vários parceiros locais, e coincidem com a Reunião de Ministros da Cultura da CPLP e a Reunião de Ministros da Educação da comunidade lusófona.

O governante português evocou uma frase que o próprio Saramago escreveu em 1999, num dos momentos mais dramáticos da história de Timor-Leste – “Se não se salvar Timor, nós nos salvaremos” – classificando-a como “mais do que uma tomada de posição política”.

Representou, disse, “uma interpelação moral” que “dizia respeito a Timor-Leste, mas dizia também respeito a Portugal, à comunidade internacional e à ideia de humanidade que estávamos dispostos a defender”.

O discurso estabeleceu mesmo um paralelo entre Saramago e Ramos-Horta, ambos prémios Nobel da Lusofonia.

“Um pela literatura, outro pela paz; um pela palavra escrita, outro pela ação política e diplomática. Ambos mostram que a língua portuguesa pode ser também língua de consciência, de liberdade e de responsabilidade perante o mundo”, afirmou.

“Dominar a língua portuguesa é também ganhar liberdade: liberdade para aceder à riqueza do que já se escreveu e continua a escrever-se em português; liberdade para ler melhor, pensar melhor, comparar ideias, formular argumentos e participar de forma mais autónoma na vida pública. Uma língua bem dominada alarga o pensamento crítico. Dá-nos mais liberdade individual.”

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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