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EUA anunciam 1,8 MMUSD adicionais para ONU condicionados a reformas

todayMaio 16, 2026 10

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Nova Iorque, 16 de maio de 2026 (RAFA.TL) – Os Estados Unidos anunciaram esta semana uma nova contribuição de 1,8 mil milhões de dólares para programas humanitários das Nações Unidas, elevando o apoio total à ONU para 3,8 mil milhões de dólares desde dezembro de 2025.

O anúncio foi feito em Nova Iorque pelo embaixador norte-americano junto às Nações Unidas, Mike Waltz, numa conferência de imprensa conjunta com o Subsecretário-Geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, e o subsecretário do Departamento de Estado Jeremy Lewin, antigo colaborador do Departamento de Eficiência Governamental de Elon Musk.

“Graças ao compromisso claro com a reforma e às conquistas alcançadas até agora, estamos muito satisfeitos em anunciar 1,8 mil milhões de dólares em novo financiamento humanitário”, declarou Waltz.

Os fundos adicionais, disse, “salvarão mais vidas em todo o mundo, mas também impulsionarão as reformas que implementámos para eficiência, responsabilização e impacto duradouro”.

O anúncio de apoio não é incondicional. O responsável pela ajuda externa do Departamento de Estado, Jeremy Lewin, afirmou que os 1,8 mil milhões de dólares seriam utilizados “em linha com os interesses de política externa da administração Trump”.

Lewin sublinhou que 92 por cento do financiamento norte-americano através do novo mecanismo tinha sido “hiperpriorizado” para ajuda de emergência que salva vidas, e que este critério se manteria na segunda tranche.

Waltz insistiu que a narrativa de que “os Estados Unidos se afastaram” da ONU é “absolutamente falsa” e “fake news”, afirmando que os fundos garantem que “mais cêntimos de cada dólar chegam efectivamente às pessoas em necessidade”.

O novo financiamento alarga também a cobertura geográfica: entre as duas tranches, os EUA apoiam agora fundos conjuntos em 21 países, incluindo Bangladesh, Myanmar, República Centro-Africana, Chade, Colômbia, República Democrática do Congo, El Salvador, Etiópia, Guatemala, Haiti, Honduras, Quénia, Líbano, Moçambique, Nigéria, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Uganda, Ucrânia e Venezuela, bem como o Fundo Central de Resposta a Emergências da ONU.

O anúncio insere-se num quadro de tensão profunda entre a administração Trump e o sistema multilateral de ajuda.

Em 2025, Washington encerrou a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), provocando uma rutura abrupta nos fluxos de financiamento humanitário global.

Em resposta à crise gerada, EUA e ONU assinaram em 29 de dezembro de 2025, em Genebra, um memorando de entendimento que estabeleceu um novo modelo de financiamento agrupado, com os EUA a comprometer 2 mil milhões de dólares iniciais em troca de compromissos de reforma e maior eficiência por parte da OCHA.

O chefe da OCHA, Tom Fletcher, revelou que a primeira tranche de 2 mil milhões de dólares, anunciada em dezembro, “já permitiu às agências de ajuda prestar apoio vital que salva vidas a 14,4 milhões de pessoas durante os primeiros quatro meses de 2026”, tendo 1,71 mil milhões de dólares dessa alocação entrado já em fase de implementação.

Fletcher acrescentou que a OCHA estabeleceu um novo recorde de tempo médio de desembolso de sete dias, “várias vezes mais rápido do que a média histórica da USAID”.

De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, 92 por cento do financiamento americano foi dirigido às populações que enfrentam necessidades mais graves – Níveis 4 e 5 -, descrita como “a taxa mais elevada alcançada por qualquer doador humanitário em qualquer ano de financiamento na história”.

Apesar do anúncio, o fosso entre necessidades e recursos disponíveis mantém-se abissal.

O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, advertiu que as agências se encontram “sobrecarregadas, com recursos insuficientes e cada vez mais sob ataque”, num contexto em que a ONU necessita de 33 mil milhões de dólares em 2026 para apoiar 135 milhões de pessoas afetadas por guerras, epidemias, alterações climáticas e desastres naturais.

Antes do anúncio norte-americano desta quinta-feira, a OCHA tinha arrecadado apenas 7,38 mil milhões de dólares junto de 65 Estados-membros para o seu plano de resposta humanitária de 23 mil milhões de dólares.

Esse plano era por si só reduzido face ao objetivo original de 33 mil milhões, destinado a alcançar os 87 milhões de pessoas mais vulneráveis. Mais de 200 milhões de pessoas em necessidade ficam assim sem cobertura prevista para 2026.

A dívida dos EUA à ONU também permanece por resolver.

Washington deve 2,2 mil milhões de dólares ao orçamento regular da organização e 1,8 mil milhões ao orçamento separado para operações de manutenção da paz.

Waltz afirmou que “uma tranche substancial adicional para o orçamento regular” estaria a caminho “em breve”.

Os EUA não efetuaram qualquer pagamento ao orçamento geral da ONU em 2025.

O anúncio insere-se na estratégia mais ampla da administração Trump de condicionar o financiamento à ONU a reformas estruturais do sistema humanitário.

Em dezembro de 2025, o Departamento de Estado desafiou as agências da ONU a “adaptarem-se, encolherem ou desaparecerem”. Waltz afirmou que o acordo reflete “as prioridades do Presidente Trump para a ONU”, que passam por ajudar a instituição a “reformar-se e a atingir o seu grande potencial”, concentrando-se em “ajuda humanitária em locais remotos e difíceis, em grande escala, com uma cadeia de abastecimento fiável e acessível”.

Fletcher, por seu lado, afirmou que a ONU mantém os seus princípios de neutralidade e imparcialidade enquanto reforma o sistema humanitário “para um tempo em que o financiamento está a diminuir e 300 milhões de pessoas em todo o mundo precisam de apoio”.

FIM

Escrito por RafaFM

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