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Regresso de líder de gangue nascido em Timor-Leste expõe rede de poder informal de Prabowo – media

todaySetembro 4, 2026 51

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Jacarta, 4 de setembro de 2026 (RAFA) – O alegado envolvimento de um grupo paramilitar ligado ao homem-forte de rua Hercules, nascido em Timor-Leste, na dispersão de protestos em Jacarta na semana passada, está a suscitar debates sobre possíveis ligações entre o Presidente, Prabowo Subianto, e redes coercivas informais.

O assunto é destacado na edição online do portal informativo malaio The Star, que cita várias fontes relativas ao aparecimento em recentes protestos na indonésia, de Rosário de Marçal, um natural de Timor-Leste que é acusado de ter colaborado com as forças especiais indonésias durante a ocupação timorense.

O jornal refere que elementos do Movimento do Povo Indonésio Unido (GRIB) Jaya, entre eles Hercules, como é conhecido, surgiu nas ruas quando os confrontos entre manifestantes e a polícia se alastraram do edifício da Câmara dos Deputados, em Senayan, até Slipi e Pejompongan Raya, a cerca de dois quilómetros do complexo legislativo, na noite de quinta-feira, 27 de agosto.

Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram grupos de homens, muitos com bandanas brancas e alguns armados com varas de bambu e tábuas de madeira, a chegar em camiões e a perseguir e agredir pessoas junto ao viaduto de Slipi.

Num dos vídeos, ouve-se um transeunte a dizer “o Hercules desceu à rua”, enquanto um homem sai de um carro a gritar “vão para casa!”, seguido de um grupo que persegue pessoas junto à berma da estrada, empunhando vigas de madeira.

O secretário-geral do GRIB Jaya, Zulfikar, admitiu que Hercules e membros do grupo estiveram nas ruas de Jacarta na noite de quinta-feira, por iniciativa própria, no âmbito do que designou como “Pam Swakarsa” – termo da era da Nova Ordem indonésia para grupos civis armados mobilizados junto com as forças de segurança para dispersar manifestantes.

A admissão gerou preocupação entre defensores dos direitos humanos quanto ao envolvimento de grupos civis em funções que deveriam caber às autoridades do Estado.

“A aparente incapacidade da polícia para agir perante o envolvimento de organizações civis na gestão das multidões transmite a mensagem de que o Estado não confia na capacidade da polícia para gerir manifestações”, afirmou o diretor executivo da Amnistia Internacional Indonésia, Usman Hamid, citado pelo The Star.

Segundo Hamid, em vez de reforçar a ordem pública, o envolvimento de grupos como o GRIB Jaya arrisca enfraquecer a autoridade da polícia e normalizar o recurso a agentes civis durante manifestações – uma preocupação particularmente aguda face à violência registada durante a agitação.

Bambang Setiawan, vendedor de 60 anos e residente em Pejompongan Raya, morreu depois de alegadamente ter sido agredido de madrugada, na sexta-feira, por homens não identificados, vestidos à civil e armados com tábuas de madeira.

Outro residente, Faturohman, de 18 anos, contou ter sido arrastado de um beco perto de sua casa, no mesmo bairro, e agredido por homens não identificados, apesar de não ter participado nos protestos.

Segundo o jovem, os agressores forçaram-no a confessar que era um provocador antes de o levarem para a sede da Polícia de Jacarta, onde foi depois libertado.

Zulfikar negou o envolvimento de membros do GRIB Jaya na violência registada em Pejompongan Raya.

O episódio tem gerado escrutínio adicional devido às antigas ligações de Hercules a Prabowo.

Do que é conhecido da sua biografia, Rosário de Marçal, nasceu por volta de 1968 em Timor-Leste.

Segundo o seu relato e diversas fontes sobre o seu percurso, terá ficado órfão em 1978, depois de os pais terem morrido num bombardeamento na vila de Ainaro, sendo depois integrado como jovem estafeta de apoio logístico ao Kopassus, as forças especiais indonésias.

A ‘integração’ foi feita através do programa Tenaga Bantuan Operasi (TBO) – um esquema que, durante a ocupação indonésia, recrutava jovens timorenses para tarefas de apoio às tropas. “Hercules” terá sido o nome de código que lhe foi atribuído pela equipa de comunicações rádio do Kopassus.

Ainda enquanto TBO, terá participado num confronto com a resistência independentista da FALINTIL, no qual o helicóptero em que seguia caiu, ficando com ferimentos graves.

Foi ainda em Timor que Hercules terá estabelecido a relação de proximidade com Prabowo, então capitão do Kopassus na província, que o levou depois consigo para Jacarta, no final da década de 1980, através de um programa facilitado pela cunhada de Prabowo, Siti Hardiyanti Rukmana.

Já na capital indonésia, Hercules ganhou destaque no mercado têxtil de Tanah Abang, na década de 1990, depois de construir uma poderosa rede de “preman” (bandidos), tendo desde então enfrentado múltiplas detenções e penas de prisão por casos de extorsão, agressão, dano patrimonial e disputas de terras.

Entre as penas conta-se a condenação a três anos de prisão, em 2014, por extorsão e branqueamento de capitais.

Hercules fundou o GRIB Jaya em 2011 e nomeou Prabowo para o conselho consultivo da organização, que tem apoiado repetidamente a sua candidatura em eleições presidenciais e continua a ser um defensor vocal do seu Governo – laços que se mantiveram desde que Prabowo assumiu a presidência em 2024.

Uma reportagem da Tempo, publicada em maio, citou pessoas próximas do Presidente segundo as quais Prabowo começou a distanciar-se de Hercules em 2019, por acreditar que este poderia ser facilmente instrumentalizado por diferentes partes.

Em março, contudo, o secretário do Gabinete, Teddy Indra Wijaya, assessor próximo de Prabowo, reuniu-se com Hercules no escritório deste em Jacarta e referiu-se-lhe como “um velho amigo”.

Virdika Rizky Utama, investigador de políticas públicas na Universidade Tecnológica de Nanyang, disse que o incidente de quinta-feira não deve ser visto como um ato isolado de Hercules ou do GRIB Jaya, dadas as longas ligações políticas do grupo a Prabowo.

Embora não haja qualquer evidência de que Prabowo tenha ordenado a participação de Hercules na agitação, Virdika defende, citado pelo The Star, que a questão da responsabilização deve ir além de saber se o Presidente deu ordens explícitas.

Segundo o investigador, o poder político também se exerce através de acesso, sinais, proteção e expectativas, o que torna o Governo responsável pelo ecossistema mais amplo de atores que escolhe acomodar.

“Um Presidente não é responsável apenas pelo que ordena explicitamente. É também responsável pelo ecossistema de poder que mantém, pelas pessoas a quem dá acesso, pelo comportamento dos leais que tolera e pelas fronteiras que escolhe impor ou não impor”, afirmou Virdika.

“Se Prabowo procura transmitir a mensagem de que o seu Governo não depende de bandidos, leais informais ou grupos coercivos, é ele quem tem de traçar essa linha com muita clareza”, acrescentou.

O secretário de Estado indonésio, Prasetyo Hadi, não respondeu de imediato a um pedido de comentário do jornal.

FIM

Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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