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Reabertura do Estreito de Ormuz não trará alívio imediato nos preços do petróleo, alertam especialistas

todayJunho 15, 2026 9

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Díli, 15 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O anúncio do acordo entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra e reabrir o Estreito de Ormuz não se traduzirá em alívio imediato nos preços do petróleo e da gasolina nem na resolução dos problemas de abastecimento energético mundial, advertem especialistas ouvidos pela AP.

Segundo analistas do sector, poderão ser necessários meses até que as empresas energéticas consigam retomar as operações em níveis suficientes para satisfazer a procura global, condicionadas pela lentidão dos processos de transporte e refinação de crude e pelas dúvidas persistentes sobre a segurança da navegação no estreito.

Navios encalhados, seguros em falta e produções paradas podem atrasar normalização do mercado energético por vários meses.

Navios carregados de crude estão retidos no Golfo Pérsico há mais de três meses, impedidos de atravessar com segurança o estreito por onde, antes do conflito, transitava cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e gasolina.

“Vai demorar tempo até as pessoas se sentirem confortáveis e até os seguros estarem em vigor… sobretudo para colocar pessoal no terreno a retomar alguns destes ativos”, afirmou Daniel Evans, responsável global de investigação de combustíveis e refinação na S&P Global Energy.

Evans explicou que os navios atualmente retidos terão primeiro de sair do estreito, e só depois novos petroleiros poderão entrar para serem carregados.

“Para trazer um navio, é preciso ter confiança de que existe uma janela de segurança suficientemente ampla para o fazer entrar, carregar e sair”, sublinhou.

Acresce que os petroleiros navegam lentamente: o percurso desde o estreito até países distantes, a entrega do crude a uma refinaria e o transporte até ao destino final demora vários meses.

Alguns produtores do Médio Oriente suspenderam a extração de petróleo quando ficaram sem espaço de armazenamento. Reiniciar essas operações é um processo moroso.

Países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que dispõem de oleodutos e rotas alternativas ao Estreito de Ormuz, poderão estar entre os mais rápidos a retomar a produção, disse Alan Gelder, vice-presidente sénior de refinação, produtos químicos e mercados petrolíferos na Wood Mackenzie.

“Mas países como o Iraque poderão enfrentar muito mais dificuldades, porque tiveram uma paragem muito maior e os seus campos são mais complexos… poderá demorar cerca de um ano até recuperarem”, afirmou.

Gelder acrescentou que o investimento no sector energético – cujos resultados levam anos a materializar-se – paralisou após o encerramento do estreito, pelo que a retoma do capital de investimento também levará tempo.

Daniel Sternoff, investigador sénior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, salientou que os países que suspenderam a produção não quererão reiniciá-la sem garantias de que o estreito permanece aberto de forma estável e duradoura, e de que o cessar-fogo se manterá além dos 30 ou 60 dias previstos no acordo.

“Não sabemos o que significa ‘aberto’ nem qual será a velocidade de retirada do material retido”, afirmou.

A normalização do mercado energético global permanece, assim, um processo de médio prazo, independentemente dos desenvolvimentos diplomáticos das próximas horas.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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