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Belgrado, Sérvia, 28 de agosto (RAFA) – Ratko Mladic, o general sérvio-bósnio cujas forças cercaram a capital bósnia durante anos na década de 1990 e cometeram o maior massacre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, morreu esta quinta-feira quando cumpria pena de prisão perpétua, anunciaram responsáveis das Nações Unidas.
Mladic morreu num hospital em Haia, Países Baixos, segundo fonte do tribunal da ONU.
Um familiar, que falou à Associated Press sob condição de anonimato, confirmou a informação e adiantou que o filho de Mladic, Darko, seguia viagem para a cidade holandesa.
O tribunal da ONU para os crimes de guerra cometidos nos conflitos da antiga Jugoslávia condenou Mladic a prisão perpétua em 2017, num veredicto considerado essencial para fazer justiça às vítimas. Estava detido desde 2011, após vários anos em fuga.
O antigo oficial comunista transformado em chefe militar nacionalista foi uma das figuras mais notórias do conflito, que matou mais de 100 mil pessoas e deixou mais de um milhão de desalojados. Ordenou às suas tropas que “queimassem os cérebros” dos muçulmanos bósnios e gabava-se de ser um “deus sérvio”.
Quando a guerra étnica na Bósnia-Herzegovina começou em 1992, Mladic assumiu o comando das tropas sérvio-bósnias e tomou o controlo de grande parte do território para formar um mini-Estado sérvio. As forças sob o seu comando cercaram a capital, Sarajevo, e outras cidades e aldeias, criaram campos de concentração para civis não sérvios e soldados inimigos detidos, e mataram sistematicamente prisioneiros.
Em 1995, as suas tropas mataram mais de oito mil homens e rapazes muçulmanos em Srebrenica – o primeiro caso de genocídio na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Munira Subasic, do grupo Mães de Srebrenica, disse ter sentimentos mistos sobre a morte de Mladic e lamentou que os seus crimes continuem a ser negados por muitos sérvios da Bósnia. “Hoje morreu um grande criminoso de guerra, o criminoso dos Balcãs”, afirmou, sublinhando que, 31 anos depois, as mães das vítimas “continuam a ouvir negações” e a ouvir dizer “que Ratko Mladic era um herói para os sérvios”.
Em Pale, um antigo reduto sérvio-bósnio nos arredores de Sarajevo, houve quem lamentasse a morte de Mladic. “Foi assassinado ali, naquelas masmorras. Sinto pena do general Mladic. Era um homem honrado, um soldado e comandante honrado”, disse Janko Seslija, antigo soldado sérvio-bósnio.
Mladic nasceu a 12 de março de 1942, na pequena aldeia bósnia de Bozinovici, nos montes a 40 quilómetros a sul de Sarajevo. O pai foi morto por croatas durante a Segunda Guerra Mundial. Oficial da era comunista, alinhou-se com os sérvios com a desagregação da Jugoslávia, tendo primeiro liderado uma insurreição sérvia na Croácia antes de assumir o comando do exército sérvio-bósnio, apoiado pela Sérvia e pelo então presidente Slobodan Milosevic – que também morreu sob custódia do tribunal de Haia, em 2006, a ser julgado por genocídio.
Srebrenica, declarado “santuário” da ONU para muçulmanos, acabou tomado pelos sérvios, que separaram homens e rapazes, obrigaram-nos a despir-se, mataram-nos e enterraram os corpos com buldózeres numa operação brutal que durou mais de uma semana. Sobreviventes recordam Mladic a distribuir doces a crianças muçulmanas reunidas na praça da cidade, garantindo-lhes que tudo correria bem.
Face à acusação de genocídio do tribunal da ONU, Mladic entrou em fuga em 1996, refugiando-se primeiro num complexo militar em Han Pijesak, no leste da Bósnia, construído para resistir a um ataque nuclear. Mais tarde mudou-se com a família para uma vivenda perto de Belgrado, onde foi visto em casamentos, jogos de futebol e restaurantes, sempre recusando entrevistas. Desapareceu de vez da vida pública em 2008 e foi finalmente detido em maio de 2011 numa aldeia perto de Belgrado, onde se escondia em casa de um familiar.
No tribunal de Haia, já um homem frágil, mantinha o desafio: “Tudo o que disseram são mentiras. Tenham vergonha!”, gritou aos juízes da ONU ao ouvir a condenação. Já com problemas de saúde à data da detenção, em 2011, Mladic terá sofrido vários AVC durante os anos em fuga e foi hospitalizado por diversas vezes enquanto esteve detido.
(Fonte: Associated Press)
Escrito por RafaFM
antigo chefe militar sérvio-bósnio morre na prisão aos 84 anos Ratko Mladic
todaySetembro 19, 2026 26 6
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