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Ramos-Horta: Ponte Monsenhor Martinho simboliza a união do povo timorense

todaySetembro 3, 2026 28

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Manatuto, 03 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, declarou esta quinta-feira que a atribuição do nome de Monsenhor Dom Martinho da Costa Lopes a uma ponte em Manatuto representa muito mais do que uma simples homenagem.

Segundo o Chefe de Estado, a iniciativa simboliza a ligação entre pessoas, comunidades e regiões, além de perpetuar o legado de um homem que dedicou a sua vida à união de Timor-Leste e à aproximação do país à comunidade internacional.

Na cerimónia realizada em Manatuto, Ramos-Horta salientou que a escolha de uma ponte para perpetuar a memória de Monsenhor Martinho tem um significado particularmente forte, dado que o antigo Administrador Apostólico de Díli nasceu em Laleia e é filho de Manatuto.

“Uma ponte liga margens que antes estavam separadas. Liga pessoas, comunidades, regiões e caminhos”, afirmou o Presidente.

Ramos-Horta recordou que, durante a ocupação, Timor-Leste era marcado por vastas distâncias, montanhas, estradas difíceis, postos militares, medo e silêncio, enquanto diferentes sectores da sociedade e da Resistência procuravam manter a ligação entre as pessoas no território e aquelas que trabalhavam no estrangeiro.

Neste âmbito, considerou que D. Martinho desempenhou também o papel de ponte entre “o povo e a Igreja, entre a fé e a defesa da dignidade humana, e entre a realidade de Timor e a comunidade internacional”.

“A ponte que hoje tem o nome de D. Martinho liga fisicamente territórios. Mas, simbolicamente, liga todos os timorenses”, declarou.

O Presidente considerou que o legado de D. Martinho deve continuar a inspirar o país, não só como memória da luta pela independência, mas também como exemplo para enfrentar novos desafios nacionais.

Ramos-Horta defendeu que a homenagem deve inspirar a construção de “novas pontes” capazes de aproximar os timorenses e contribuir para o desenvolvimento nacional.

“Não poderíamos encontrar um símbolo mais apropriado para perpetuar a sua memória, inspirando-nos a construir novas pontes capazes de nos incentivar perante os novos desafios do desenvolvimento nacional”, afirmou.

Na sua intervenção, o Presidente recordou ainda a sua relação pessoal com D. Martinho, incluindo o período em que ambos trabalharam no estrangeiro. Evocou ainda a estadia do religioso no seu pequeno estúdio em Manhattan, Nova Iorque, onde lhe ofereceu uma cama e partilhou refeições durante o seu período de exílio.

Para Ramos-Horta, a memória de D. Martinho continua ligada à história de Manatuto, da Igreja Católica, da Resistência e da própria nação timorense.

“Viva Dom Martinho da Costa Lopes! Viva o povo de Manatuto! Viva Timor-Leste!”, concluiu.

Jornalista: Miguel Caldas

 

 

Escrito por RafaFM

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