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Nova Iorque, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente José Ramos-Horta desafiou hoje Donald Trump a convocar em Portugal uma cimeira com todas as potências nucleares, defendendo um compromisso de desativação total dos arsenais atómicos numa década.
Discursando na 81ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o chefe de Estado timorense dirigiu-se diretamente ao Presidente norte-americano.
“Presidente Trump: seja audacioso, imprevisível, visionário, convide todas as potências nucleares e todas as principais potências militares convencionais e indústrias, sem exceção, para uma cimeira nalguma cidade de Portugal, para falar sobre o não-primeiro-ataque, sobre comunicação regular reforçada entre líderes das potências nucleares, e sobre o compromisso de redução de armas nucleares rumo à desativação e destruição totais dos arsenais nucleares ao longo de uma década”, afirmou.
Ramos-Horta insistiu diretamente no apelo. “Seja você, Presidente Trump, o audacioso, o imprevisível. Faça o impensável, e vai ganhar gratidão e respeito em todo o mundo”, declarou.
O Nobel da Paz timorense recordou que as armas nucleares atuais são “cem vezes mais destrutivas” do que as lançadas sobre Hiroxima e Nagasáqui em 1945, e alertou que “em qualquer dia, por acidente, erro de cálculo, falha informática, loucura ou um desígnio estratégico tolo, poderíamos tornar-nos na última geração humana”.
“Desmantelem as vossas capacidades nucleares e percam a única dissuasão que têm contra uma potência nuclear que decida bombardeá-los até à submissão. Por isso, habituemo-nos a esta realidade: um regime como nenhum outro no mundo, com armas nucleares”, afirmou, referindo-se à Coreia do Norte.
O chefe de Estado citou ainda o encontro entre Trump e o líder norte-coreano na zona desmilitarizada da península coreana, em junho de 2019, como exemplo do tipo de liderança que considera necessária.
“Isto é o que os líderes fazem para promover a paz. Mostraram coragem, audácia. O Presidente Trump fez a coisa certa”, afirmou.
Ramos-Horta criticou ainda a prioridade dada ao investimento militar face às necessidades humanitárias globais.
“Investem-se biliões de dólares em aperfeiçoar formas de morte, em vez de investir uma fração desses biliões em água potável, alimentação, escolas e clínicas para os nossos semelhantes”, declarou, recordando ainda o impacto acumulado da pandemia de covid-19, da guerra na Ucrânia e da guerra no Irão sobre as populações mais vulneráveis do mundo.
Jornalista: António Sampaio
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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