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Ramos-Horta considera que ASEAN deve rever abordagem para lidar com Myanmar

todayJunho 16, 2026 22

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Kuala Lumpur, 16 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, defendeu na terça-feira que a ASEAN deve repensar a sua abordagem face ao conflito em Myanmar, argumentando que a cessação das hostilidades deve preceder qualquer agenda de transição política, por mais urgente que esta seja.

“Passo número um: parar o conflito. Passo número dois: parar o conflito, tentar normalizar a situação humanitária, trazer ONG, agências internacionais, países vizinhos para ajudar com a situação humanitária. Deixar a agenda política para mais tarde”, afirmou Ramos-Horta, após proferir uma conferência pública intitulada “Navegar em Tempos Turbulentos, Procurar a Paz”, em Kuala Lumpur.

O Prémio Nobel da Paz reconheceu que a posição pode ser controversa, mas sustentou que os processos de paz em todo o mundo exigem frequentemente uma sequenciação de prioridades em vez de tentar resolver todos os problemas em simultâneo.

“A democracia pode esperar em Myanmar, se apenas o exército e outros concordarem que temos de parar com isto”, afirmou, precisando que a complexidade do conflito birmanês é ímpar.

“É o único conflito no mundo que conheço em que existem cerca de 18 grupos armados”, com interesses e objetivos distintos, disse.

Ramos-Horta sugeriu ainda que a ASEAN poderá ter de considerar a nomeação de uma figura neutra e de elevada autoridade para facilitar o diálogo entre os atores em confronto.

Evocando o papel da ASEAN na resolução do conflito cambojano no final da década de 1980 e início dos anos 1990, sublinhou que a mediação bem-sucedida depende frequentemente de indivíduos capazes de proporcionar cobertura política e uma saída honrosa para as partes rivais.

“É possível. Mas tem de envolver alguém com grande autoridade, talvez um general de quatro estrelas, reformado, da região”, propôs.

O Presidente timorense abordou igualmente a situação dos Rohingya, afirmando que qualquer acordo de paz que exclua esta comunidade estará condenado ao fracasso.

“Não se pode resolver o problema de Myanmar ignorando o problema dos Rohingya”, disse, respondendo a uma questão sobre o crescente sentimento antirrefugiados na Malásia.

Dirigindo-se implicitamente aos detentores do poder em Naypyidaw, advertiu que a instabilidade em Myanmar se tornou um fardo regional.

“O que estão a fazer, o que não querem fazer, é um fardo para os vossos vizinhos. Desestabiliza os vossos vizinhos.”

As declarações foram proferidas no âmbito de uma visita à Malásia, que inclui uma série de encontros de alto nível com responsáveis governamentais, académicos e praticantes de política externa.

A posição de Ramos-Horta sobre Myanmar inscreve-se numa linha consistente que o Presidente timorense tem defendido desde a adesão plena de Timor-Leste à ASEAN, em outubro de 2025.

O Consenso dos Cinco Pontos da ASEAN, adotado em 2021 e que apela, entre outros aspetos, à cessação imediata das hostilidades, tem sido amplamente ignorado pela junta militar de Myanmar, cujos líderes políticos continuam excluídos das cimeiras do bloco, embora funcionários de menor nível marquem presença nas reuniões técnicas.

Para Ramos-Horta, o plano de paz da ASEAN é “um papel muito bom”, mas excessivamente aspiracional e por isso de difícil concretização.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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