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Ramos-Horta anuncia Conselho Consultivo para a Ciência no encerramento da Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento

todayAgosto 25, 2026 47

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Díli, 25 de agosto de 2026 (RAFA) – O Presidente José Ramos-Horta anunciou hoje a criação do Conselho Consultivo de Timor-Leste para a Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento, no discurso de encerramento da Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento, que reuniu largas centenas de estudantes.

“Ficaríamos encantados em criar um Conselho Consultivo de Timor-Leste para a Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento – não como uma instituição formal ou onerosa, mas simplesmente como uma rede através da qual quem queira continuar envolvido possa manter-se ligado ao nosso Governo, universidades, investigadores e jovens”, afirmou o Chefe de Estado, sublinhando que não deve haver “estruturas pesadas nem obrigações”.

“O que importa é mantermos a porta aberta: para uma conversa com um estudante, uma palestra virtual, um conselho sobre um desafio específico, uma apresentação entre instituições, uma colaboração de investigação, ou simplesmente a troca ocasional de ideias”, disse, acrescentando que “mesmo pequenos contributos de pessoas com um conhecimento e experiência tão extraordinários podem ter um impacto enorme num país jovem como o nosso”.

O Presidente sublinhou que o propósito de eventos como este “não deve ser apenas trazer conhecimento a Timor-Leste”, mas sim “criar conhecimento com Timor-Leste”.

Ramos-Horta resumiu algumas das ideias que, disse, devem ficar da cimeira.

Defendeu que a ciência deve começar pelos problemas reais da população timorense, recordando que “nenhuma criança deveria ver o seu futuro diminuído pela malnutrição quando já existe conhecimento para melhorar a nutrição, as sementes, a produção alimentar e a gestão da água”. Considerou ainda que o “maior recurso nacional” do país é a sua população, defendendo a necessidade de identificar e desenvolver o talento que já existe em Timor-Leste.

Sobre a inteligência artificial e as tecnologias digitais, disse que, apesar de oferecerem “oportunidades extraordinárias”, devem ser abraçadas “com sabedoria – usando a tecnologia para expandir a capacidade humana, nunca para substituir a nossa capacidade de pensar, questionar e decidir”.

O Chefe de Estado recordou ainda duas intervenções de outros oradores da cimeira.

“Como a Princesa Sonam nos recordou, o progresso científico tem de andar de mãos dadas com a responsabilidade humana. E, como o nosso Primeiro-Ministro nos recordou, Timor-Leste não se pode permitir ficar para trás à medida que o mundo entra numa nova era tecnológica”, afirmou.

Ramos-Horta defendeu que, para um país jovem como Timor-Leste, isso significa estar aberto à inovação ao mesmo tempo que constrói conhecimento, instituições e capacidade humana próprios – “para que nos tornemos não apenas consumidores de tecnologias desenvolvidas noutros lugares, mas cada vez mais participantes na criação das soluções de que precisamos”.

Ao longo do discurso, Ramos-Horta agradeceu aos cientistas e convidados internacionais – entre laureados com o Nobel e o Turing – pela partilha de tempo e conhecimento, sublinhando que a sua presença tinha deixado na sala jovens “mais curiosos sobre ciência, mais ambiciosos quanto ao que podem alcançar, e talvez inspirados a seguir uma carreira científica própria”.

O Presidente da República dirigiu-se diretamente aos jovens presentes, num apelo a que não vejam a ciência como algo distante ou exclusivo de outros países.

“Não imaginem que a ciência pertence a outra pessoa. Não imaginem que a descoberta acontece apenas em Boston, Oxford, Singapura, Tóquio ou Pequim. A capacidade de observar, questionar, experimentar e imaginar pertence a todos os seres humanos”, afirmou.

Até porque, disse, Timor-Leste é “um magnífico laboratório de possibilidades”, com “oceanos e biodiversidade marinha extraordinários”, ecossistemas únicos, tradições agrícolas, línguas e conhecimento indígena.

Ramos-Horta recordou que Timor-Leste sabe o que significa “começar com muito pouco”, desde a restauração da independência.

Desafios como a pobreza, a malnutrição, a insegurança alimentar e o acesso desigual a oportunidades “não podem ser resolvidos apenas pelo crescimento económico”, exigindo conhecimento, educação e investigação, além da “coragem de aplicar o conhecimento aos problemas reais das pessoas comuns” num mundo em mudança.

O Presidente terminou com uma projeção para o futuro dos jovens timorenses presentes na sala. “Um dia, vocês poderão estar sentados num palco como este. Aqui em Díli ou nalgum lugar distante, a contar aos outros o que aprenderam e descobriram, a inspirá-los a seguir os vossos passos, e a mostrar como o vosso conhecimento beneficiou o vosso país”, disse, comprometendo-se a que o trabalho iniciado na cimeira não terminasse com o seu encerramento.

“Que as conversas continuem, que as parcerias cresçam, e que as ideias discutidas aqui se tornem ação prática nas nossas escolas, comunidades, universidades e instituições”, afirmou.

A Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento 2026 encerrou hoje no Centro de Convenções de Díli, depois de dois dias de painéis, workshops e sessões dedicadas a temas que vão da inteligência artificial à segurança alimentar, passando pela saúde e pela educação científica.

O público timorense pode ainda visitar a Sci-Tech Expo, que decorre em paralelo no CCD, até ao final da noite de hoje.

A RAFA foi parceira de media da cimeira e transmitiu em direto, com tradução em tétum, todas as sessões do evento, além de garantir um acompanhamento noticioso detalhado.

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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