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Quatro candidatos apresentam visões para liderar Nações Unidas

todayAbril 23, 2026 34

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Díli, 23 de abril de 2026 (RAFA.tl) – Os quatro candidatos a suceder a António Guterres na liderança das Nações Unidas apresentaram esta semana as suas visões em audições públicas na sede da ONU em Nova Iorque, numa corrida marcada por tensões geopolíticas e pela pressão crescente sobre a organização para se reformar.

O processo de eleição terá ainda vários passos antes da escolha do novo Secretário-Geral, que assume funções a 01 de janeiro de 2027.

O Conselho de Segurança deverá apresentar a sua recomendação à Assembleia Geral até ao final de julho de 2026, num processo onde qualquer um dos cinco membros permanentes pode exercer o direito de veto.

Uma regra não escrita da organização determina que o secretário-geral não pode provir de nenhum desses cinco países.

Vários líderes mundiais, incluindo o próprio Guterres, têm defendido que uma mulher deve ser escolhida, mas analistas receiam que a administração Trump utilize o veto para bloquear as candidatas femininas.

Nas primeiras audições, a ex-vice-presidente da Costa Rica e atual secretária-geral da UNCTAD, Rebeca Grynspan, prometeu colocar a mediação de conflitos no centro do seu mandato, afirmando que seria uma “construtora de paz”, disposta a “ir onde as guerras estão” e a ser “a primeira a pegar no telefone” antes dos conflitos eclodirem.

Grynspan, de 70 anos, suspendeu as funções na UNCTAD após a formalização da sua candidatura, para evitar conflitos de interesses, declarando que a credibilidade se constrói através de acções e não de declarações. Se fosse eleita seria a primeira mulher a liderar a ONU nos seus 80 anos de história.

Já Michelle Bachelet, ex-presidente chilena e ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos sublinhou na sua audição o seu compromisso com os direitos das mulheres, apesar das pressões de congressistas republicanos norte-americanos que pediram ao secretário de Estado Marco Rubio que vetasse a sua candidatura, classificando-a como uma “fanática pró-aborto”. Bachelet enfrenta ainda críticas por ter suavizado as denúncias sobre o tratamento da China à minoria uigur. O Chile retirou o apoio à sua candidatura em março de 2026, sob o governo de José António Kast, embora mantenha o respaldo do Brasil e do México.

Rafael Grossi, o argentino que é o atual diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) defendeu na sua audição que a reforma da ONU está a avançar na direcção certa, mas que é apenas um começo. Grossi mantém-se no cargo na AIEA durante a campanha, ao contrário de Grynspan, argumentando que a resolução da Assembleia Geral apenas pedia que os candidatos “considerassem” suspender as suas funções. A sua posição de destaque na gestão da crise nuclear iraniana tem mantido o seu nome em evidência mediática global.

Macky Sall, o ex-presidente senegalês, de 64 anos, encerrou as audições na quarta-feira à tarde com um discurso centrado na reforma estrutural da ONU e na renovação do multilateralismo. Sall alertou que as crises actuais “não são cíclicas, são sistémicas na sua amplitude e severidade”, defendendo que o multilateralismo continua a ser o único quadro adequado para preservar a paz, proteger os direitos humanos e promover o desenvolvimento.

Sall invocou os seus quase 40 anos de experiência pública – de funcionário a chefe de Estado – como principal argumento de credibilidade.

A sua candidatura enfrenta, porém, sérias dificuldades políticas: o seu próprio país, o Senegal, informou a União Africana de que não endossou a sua candidatura, e a organização continental de 55 nações dividiu-se, impedindo qualquer consenso africano em torno do nome de Sall.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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