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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – A produção de gás do projeto Greater Sunrise só deverá arrancar em 2034, dois anos mais tarde do que previsto anteriormente, anunciou o ministro do Petróleo e Recursos Minerais de Timor-Leste, Francisco da Costa Monteiro.
O governante afirmou, na conferência Gastech, em Banguecoque, que a produção no campo de gás – avaliado em milhares de milhões de dólares e paralisado há décadas devido a divergências com a Austrália – deverá arrancar em 2034 ou 2035.
No ano passado, Timor-Leste e a parceira australiana Woodside tinham previsto, pela primeira vez em conjunto, um início de produção entre 2032 e 2035.
A extração e subsequente exportação de gás natural liquefeito (GNL) a partir do Greater Sunrise são consideradas cruciais para que Timor-Leste demonstre a viabilidade de apostar no GNL no Mar de Timor e atraia investidores para o desenvolvimento de outras reservas de gás.
“Timor-Leste é um dos países que pode desempenhar um papel importante nesta região e além dela”, declarou Monteiro na conferência, citado pela imprensa regional.
O ministro referiu ainda que o país tem várias descobertas de gás por explorar e que o desafio atual é colocá-las no mercado internacional, acrescentando que a Sunda Gas espera comercializar em breve a descoberta de Chuditch.
A última ronda de negociações sobre o Greater Sunrise foi concluída na semana passada, e Timor-Leste espera alcançar uma decisão final de investimento até 2029, segundo Monteiro.
As declarações do ministro surgem dias depois de o presidente da Autoridade Nacional do Petróleo (ANP), Gualdino do Carmo da Silva, ter afirmado, em entrevista à revista especializada Upstream, que a assinatura de um contrato de partilha de produção (PSC) dedicado ao Greater Sunrise é iminente, estando as negociações sobre o regime fiscal e o código mineiro perto de ficarem concluídas.
“Nos próximos dois, três meses, podemos ver a conclusão destes três documentos [PSC único, regime fiscal e código mineiro]” – a aprovação do regime fiscal pelo parlamento, a aprovação dos restantes documentos pelo conselho de governação do projeto e a assinatura do PSC “o mais rapidamente possível” -, disse da Silva.
O responsável adiantou esperar que a assinatura do contrato aconteça “antes do final do ano, possivelmente em semanas, senão meses”, devendo seguir-se depois a fase de seleção do conceito de desenvolvimento do projeto.
O Greater Sunrise é composto pelos campos de gás e condensado Sunrise e Troubadour, situados a 150 quilómetros a sudeste de Timor-Leste.
A operação está a cargo da australiana Woodside Energy, com 33,44%, e da timorense Timor GAP, com 66,56%, depois de um acordo recente para a compra da participação da Osaka Gas.
Apesar de o conceito final de desenvolvimento ainda não estar decidido, Timor-Leste mantém que o gás deve ser processado em terra, no âmbito do projeto Timor-Leste Liquefied Natural Gas (TLNG).
“Para Timor-Leste, não há outra forma”, afirmou da Silva, acrescentando que o país pretende desenvolver em conjunto as infraestruturas a montante, a jusante e intermédias do Greater Sunrise, integradas num “polo petrolífero e de gás na costa sul”.
O presidente da ANP reconheceu que um dos principais desafios das negociações é garantir que o regime é atrativo para investidores e que o projeto é “bancável”, sublinhando ainda que o mercado energético timorense “ainda é relativamente pequeno”, pelo que o país pretende visar o mercado da ASEAN, com cerca de 670 milhões de habitantes, e o mercado da Ásia-Pacífico.
Timor-Leste prepara-se ainda para lançar, em 2027, uma nova ronda de licenciamento de petróleo e gás, com termos fiscais melhorados.
FIM
Escrito por RafaFM
Produção de gás do Greater Sunrise só deverá arrancar em 2034 segundo ministro
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