Destaque

Procuradoria de Paris abre inquérito por insultos racistas de senadora paraguaia contra Mbappé

todayJulho 8, 2026 30

Fundo
share close

Díli, 8 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A Procuradoria de Paris abriu um inquérito por injúria pública agravada e incitamento ao ódio, após a Federação Francesa de Futebol (FFF) apresentar queixa contra a senadora paraguaia Celeste Amarilla, por comentários racistas dirigidos ao capitão francês Kylian Mbappé.

A polémica começou horas depois de o Paraguai ser eliminado do Mundial 2026 pela França, por 1-0, em jogo dos oitavos-de-final disputado em Filadélfia.

No confronto, Mbappé protagonizou momentos de tensão em campo, incluindo o facto de ter ignorado o cumprimento de um jogador paraguaio no final da partida, o que motivou o guarda-redes paraguaio Orlando Gill a atirar uma bola contra as costas do capitão francês.

Irritada com o desfecho do jogo e com a atitude do avançado do Real Madrid, a senadora do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), de 61 anos, publicou uma série de mensagens na rede social X em que classificou Mbappé como “camaronês colonizado”, “ressentido” e “prepotente”, tendo ainda feito referência depreciativa às suas origens, à sua educação e à sua aparência física. Numa das mensagens, a legisladora lamentou não ter tido oportunidade de agredir fisicamente o jogador francês após o final do encontro.

Mbappé respondeu publicamente, na segunda-feira, na mesma rede social, classificando a senadora como “desprezível” e “indigna do seu cargo”, acusando-a de racismo “descomplexado” e afirmando que as suas declarações teriam feito esquecer o esforço histórico da seleção paraguaia ao longo do torneio.

O presidente da FFF, Philippe Diallo, anunciou de imediato a intenção de apresentar queixa junto do Ministério Público francês, enquanto o Presidente François Emmanuel Macron – então em deslocação à Síria – manifestou apoio ao capitão da seleção, tal como o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, e a ministra do Desporto, Marina Ferrari.

O Governo paraguaio, de sinal político distinto do da senadora, também se demarcou publicamente das declarações, considerando-as contrárias aos valores e princípios de convivência pacífica e respeito pela dignidade humana defendidos pelo país.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos classificou os comentários da senadora como “ignóbeis”, alertando para um fenómeno mais amplo de incidentes racistas no desporto, segundo o seu porta-voz, Thameen Al-Kheetan.

Face à repercussão internacional, Celeste Amarilla publicou uma carta aberta, em francês e em espanhol, na qual afirmou arrepender-se dos insultos de teor racista, mas manteve as críticas ao comportamento de Mbappé em campo, tendo mesmo acusado o jogador de “violência de género” pelos qualificativos que este lhe dirigiu.

A senadora chegou a equacionar avançar com uma queixa-crime contra o futebolista francês, alegando ter sido vítima de discriminação por parte deste, embora tenha reiterado não ter ainda tomado uma decisão nesse sentido.

Amarilla defendeu ainda que as suas expressões correspondiam à linguagem popular do futebol, negando ser racista, e criticou como uma atitude “genuflexa” a posição assumida pelo próprio Governo paraguaio.

Segundo a Procuradoria de Paris, citada pela agência AP, os factos em investigação terão sido praticados em razão da origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião, reais ou presumidas, da vítima, crimes puníveis com pena até um ano de prisão e multa de 45 mil euros.

A Federação Francesa de Futebol qualificou os comentários da senadora como “totalmente abomináveis” e “inaceitáveis”.

FIM

 

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!