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Princesa do Butão: a ciência deve avançar com responsabilidade humana

todayAgosto 24, 2026 41

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Díli, 24 de agosto de 2026 (RAFA)- A Princesa Sonam Dechan Wangchuck do Butão defendeu hoje, em Díli, que a ciência e a inovação devem servir a vida, o bem-estar humano e a proteção do planeta.

Alertando ainda que o progresso não deve ser medido apenas pelo que a humanidade consegue criar, mas também pela qualidade de vida que esse progresso proporciona.

Na abertura da Cimeira Ciência para o Desenvolvimento 2026 : Ciência ao Serviço da Vida, a Princesa destacou a importância da participação de Timor-Leste como novo membro da ASEAN.

E afirmou que, apesar das diferenças históricas e geográficas, Butão e Timor-Leste partilham a necessidade de construir o futuro com coragem, imaginação e espírito de parceria.

Perante desafios como as alterações climáticas, as desigualdades, a segurança alimentar e energética, a saúde pública, a transformação tecnológica e a inteligência artificial, Sonam Dechan Wangchuck considerou que a ciência será fundamental.

No entanto, realçou que o conhecimento científico deve estar ligado aos valores e às necessidades da sociedade.

“A questão já não é apenas o que a ciência pode fazer, mas o que escolhemos fazer com o que a ciência torna possível”.

A Princesa apresentou a experiência do Butão, onde o conceito de Felicidade Interna Bruta procura colocar o bem-estar humano, as comunidades, a cultura, a boa governação e o ambiente no centro do desenvolvimento.

Lembrou ainda que a Constituição butanesa exige que pelo menos 60% do território permaneça permanentemente coberto por florestas, uma política que contribui para a manutenção das florestas do país como um importante sumidouro de carbono.

Ao abordar o avanço da inteligência artificial, da biotecnologia, da ciência climática e das novas formas de energia, ela defendeu que questões como quem beneficiará com as novas tecnologias, quem poderá ficar para trás e quais serão os impactos no planeta devem ser consideradas desde o início da investigação científica.

Para a Princesa, indicadores como a produtividade, as patentes e o lucro são importantes, mas não são suficientes para definir o progresso.

Vidas mais saudáveis, redução das desigualdades, proteção da dignidade humana, recuperação dos ecossistemas e partilha de conhecimento devem também fazer parte da avaliação do desenvolvimento.

“O conhecimento dá-nos possibilidades. Os nossos valores determinam o que fazemos com ele.”

Sonam Dechan Wangchuck concluiu fazendo um apelo à ambição científica e à responsabilidade humana para avançarmos juntos, deixando aos participantes da cimeira uma reflexão sobre o futuro que as gerações atuais estão a construir: “Que tipo de futuro é digno dos nossos filhos?”

Jornalista: Miguel Caldas

Escrito por RafaFM

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