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Cebu, 08 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente filipino, Ferdinand Marcos Jr., admitiu que os líderes da ASEAN estão frustrados com a ausência de progressos no processo de normalização da situação em Myanmar, afirmando que o tema dominou parte das discussões à porta fechada no final da cimeira realizada em Cebu.
Na conferência de imprensa de encerramento, Marcos disse que “muitos dos membros manifestaram a sua frustração com a falta de progresso” e reconheceu que o atual processo se tornou “moribundo”, sublinhando que “não está a avançar”.
Questionado sobre a posição da ASEAN perante os resultados das eleições gerais em Myanmar e sobre o eventual reconhecimento de um novo governo, o chefe de Estado filipino respondeu que “não há necessidade de reconhecer novamente Myanmar”, lembrando que o país continua a ser um Estado-membro da organização.
Ainda assim, salientou que a situação interna permanece marcada por “um desastre humanitário”, combates em curso e “uma guerra civil de baixa intensidade”, justificando desse modo a centralidade do dossier birmanês na agenda regional.
Marcos Jr. voltou a referir os Cinco Pontos de Consenso propostos pela ASEAN como base política para tentar resolver a crise, lembrando que esse quadro foi aceite por Myanmar.
No entanto, frisou que, “apesar da adoção dos Cinco Pontos de Consenso, não vimos qualquer progresso em Myanmar”, uma constatação que ajuda a explicar o mal-estar crescente entre os Estados-membros.
Segundo o Presidente filipino, o debate entre os líderes foi particularmente intenso.
Marcos descreveu a reunião como “muito viva” e, em alguns momentos, “emocional”, deixando claro que existe a perceção de que a ASEAN precisa de fazer mais.
“Temos de fazer alguma coisa porque Myanmar não é apenas um parceiro comercial. Myanmar não é apenas um amigo da ASEAN. Myanmar faz parte da família ASEAN”, afirmou, acrescentando que “é uma tragédia quando um membro da família é deixado de fora da família”.
Sem anunciar medidas concretas, o Presidente filipino disse que houve um entendimento tácito entre os líderes de que será necessário procurar novos caminhos.
“Precisamos de encontrar outras formas de fazer avançar o processo”, afirmou, adiantando que os chefes de Estado e os ministros dos Negócios Estrangeiros deverão agora procurar ideias que permitam destravar o impasse. Marcos reconheceu, porém, que “ainda não existem respostas definitivas”.
No balanço final, o líder filipino resumiu o estado da questão de forma cautelosa: Myanmar continua a ser “um problema espinhoso” para a ASEAN, sem soluções óbvias no horizonte.
Ainda assim, sinalizou que poderá ter surgido “talvez uma mudança mínima na abordagem” dos Estados-membros, o que poderá abrir espaço para novas tentativas diplomáticas nos próximos meses.
FIM
Escrito por RafaFM
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