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Prabowo demite ministro das Finanças indonésio ao fim de um ano em funções

todaySetembro 16, 2026 27 20 5

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Jacarta, 16 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, demitiu de forma abrupta o ministro das Finanças, Purbaya Yudhi Sadewa, substituindo-o pelo até então vice-ministro, Suahasil Nazara, numa decisão que surpreendeu os mercados financeiros.

Purbaya afirmou esta terça-feira que ficou “chateado” com o afastamento, mas que já o esperava “em parte”, segundo declarações aos jornalistas depois de uma cerimónia de transição de pastas no Ministério das Finanças.

O ex-ministro disse ter sabido da sua demissão através de uma chamada telefónica do porta-voz presidencial, Prasetyo Hadi, na segunda-feira – tendo sido visto a receber essa chamada e a abandonar, a meio, uma reunião parlamentar, poucas horas antes da tomada de posse de Suahasil.

“Ontem à noite foi difícil adormecer. Fiquei chateado, mas agora já não é assim tão mau”, declarou Purbaya.

“Esta noite já vou conseguir dormir tranquilo”, acrescentou, admitindo que já esperava, em parte, ser demitido na sequência de uma decisão recente que tomou – sem, no entanto, especificar de que decisão se tratava.

O ex-governante garantiu não ter tido qualquer divergência de políticas com o Presidente, atribuindo o seu afastamento, em parte, a diferenças com outros responsáveis governamentais.

A saída de Purbaya surge poucos dias depois de o antigo economista ter completado um ano como ministro das Finanças, numa altura em que a maior economia do Sueste Asiático enfrenta uma crise de confiança entre investidores e analistas.

O défice orçamental da Indonésia atingiu, em 2025, 695,1 biliões de rupias (41,4 mil milhões de dólares), o equivalente a 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB) – o valor mais elevado desde 2005, excluindo os anos de pandemia, e acima tanto da meta original de 2,53% como da meta revista de 2,78%.

Desde que Prabowo assumiu a presidência, em outubro de 2024, a rupia indonésia desvalorizou-se mais de 14% e o principal índice bolsista de Jacarta, o Jakarta Composite Index, caiu mais de 26%.

A balança de pagamentos do país, que em anos anteriores registava excedentes, passou a apresentar défices sucessivos – 7,8 mil milhões de dólares em 2025 e mais de 9 mil milhões de dólares já em 2026.

A moeda chegou a atingir mínimos históricos face ao dólar norte-americano, num contexto de preocupações renovadas sobre a independência do banco central, a Bank Indonesia, depois de Prabowo ter indicado o seu próprio sobrinho, Thomas Djiwandono, para um lugar no conselho de governadores da instituição.

As agências de notação financeira Fitch e Moody’s reviram em baixa as perspetivas de risco de crédito da Indonésia ao longo do último ano, num quadro agravado pela guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, que fez disparar os preços da energia e os subsídios associados.

Apontam ainda receios sobre o descontrolo fiscal do executivo de Prabowo – cujas dispendiosas promessas eleitorais, incluindo um programa nacional de refeições escolares gratuitas dirigido a 83 milhões de beneficiários e avaliado em 268 biliões de rupias (cerca de 7% do orçamento total do Estado), têm estado sob crescente escrutínio.

A saída de Purbaya não é a primeira mudança brusca à frente das Finanças desde que Prabowo chegou ao poder: em setembro de 2025, o Presidente já tinha destituído a então influente e internacionalmente respeitada ministra Sri Mulyani Indrawati, decisão que na altura também tinha abalado os mercados e gerado receios sobre a erosão da credibilidade fiscal do país.

Purbaya assumira a pasta na sequência dessa saída, tendo o seu mandato ficado marcado pelo crescimento económico mais rápido em três anos – mas também pelo maior défice orçamental em mais de duas décadas fora do período da pandemia.

Purbaya classificou o seu mandato como “decente”, citando o crescimento económico ascendente, e afirmou que vai passar a reforma a pescar num lago nas traseiras de casa.

Na cerimónia de transição, Suahasil pediu a todas as partes interessadas que “abram as portas à colaboração”, comprometendo-se a salvaguardar a credibilidade fiscal da Indonésia e a respeitar o limite legal de défice orçamental de 3% do PIB.

Tecnocrata experiente, de 55 anos, Suahasil é bem conhecido de investidores e analistas, alguns dos quais consideram que a sua nomeação deverá tranquilizar os mercados.

Shinta Kamdani, presidente da associação patronal indonésia (Apindo), defendeu que Suahasil deve assegurar continuidade política e conhecimento institucional.

“Esperamos que esta continuidade ajude a garantir que a transição de liderança não resulte numa mudança súbita de direção política”, afirmou.

Kamdani sublinhou que o setor empresarial compreende a importância de um orçamento equilibrado e do limitado espaço fiscal disponível, mas que o apoio do Governo continua a ser essencial para sustentar o crescimento, o poder de compra, o investimento e a produtividade do país.

FIM

Escrito por RafaFM

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