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Díli, 15 de setembro de 2026 (RAFA) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, discursou pela última vez no Parlamento Nacional durante a atual legislatura, num balanço de mandato em que questionou que país ficará para as próximas gerações.
“Convido a todos a refletirmos sobre o caminho que percorremos, o momento em que nos encontramos e, sobretudo, o futuro que temos a responsabilidade de construir”, começou por dizer na Sessão Solene de Abertura da 4ª sessão legislativa da VI legislatura do Parlamento Nacional.
O Presidente da República abriu o discurso com uma reflexão sobre o projeto constitucional do país, recordando que “consolidar a República significa, mais do que realizar eleições ou construir instituições”, assegurar “que o Estado chega ao cidadão”.
“Que uma criança pode crescer saudável. Que uma família pode viver com dignidade. Que uma mulher pode participar plenamente na sociedade. Que um jovem pode estudar, trabalhar e construir o seu futuro”, enumerou, sublinhando que “a independência política foi conquistada através do sacrifício de várias gerações”.
Traçando um balanço dos últimos anos, o chefe de Estado destacou a resiliência democrática do país num contexto internacional adverso.
“As democracias enfrentam polarização e crises de confiança, Timor-Leste demonstra que é possível mudar através de processos democráticos e pacíficos”, afirmou, recordando que “democracia não é apenas votar”, mas também “aceitar os resultados, respeitar a Constituição e a separação de poderes, aceitar a crítica e o escrutínio, proteger a liberdade de expressão e de imprensa, combater a corrupção”.
Ramos-Horta sublinhou ainda o papel internacional crescente de Timor-Leste, recordando a Presidência pro tempore da CPLP e a organização, em Díli, da XXXI Reunião do Conselho de Ministros da organização, bem como da reunião de alto nível de 19 de agosto sobre “A Consolidação do Estado de Direito Democrático”.
Destacou também, “no mês passado”, o Encontro Ministerial dos Países da CPLP, a Conferência Regional da Organização Mundial da Saúde e a Cimeira Internacional de Tecnologia e Desenvolvimento, com a presença de laureados com o Prémio Nobel.
“Louvo ainda o facto de, sob a liderança de Vossa Excelência, a Cidade de Díli e Timor-Leste terem sido um ‘Palco de Encontros e Entendimentos Internacionais’. Este facto muito nos orgulha e engrandece”, disse, dirigindo-se ao primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
“Construímos instituições democráticas, consolidámos a paz, desenvolvemos infraestruturas e formámos uma nova geração de jovens mais qualificados e ligados ao mundo”, afirmou.
Ramos-Horta deixou ainda felicitações à Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, “a primeira mulher a ocupar este alto cargo”, elogiando “a coragem e competência que tem demonstrado no exercício das suas funções”.
“Considero este um dos cargos mais difíceis e exigentes de liderar. A Senhora Presidente merece, na minha opinião, o Prémio Nobel da Paciência!”, afirmou.
O chefe de Estado felicitou ainda o primeiro-ministro “pela sua liderança inteligente do IX Governo Constitucional”, destacando “o sucesso das suas batalhas de adesão à OMC e à ASEAN”, os progressos nas negociações do Greater Sunrise e “as complexas e difíceis negociações relativas às fronteiras terrestre e marítima com a Indonésia”.
Ramos-Horta recordou que, em 2022, tinha perguntado se Timor-Leste estava “a construir o Estado que a Constituição prometeu”.
“Hoje, quatro anos depois, a pergunta que devemos deixar perante a Nação é mais simples e mais exigente: Que país estamos a preparar para aqueles que virão depois de nós?”, declarou.
A resposta, disse, “não será dada por um discurso, nem por um Governo, nem por uma legislatura”, mas “construída todos os dias – pelas instituições e pelos cidadãos, pelas escolas e universidades, pelas empresas e pela sociedade civil, pelos trabalhadores, pelos agricultores, pelos professores, pelos profissionais de saúde, pelas mulheres, pelos jovens”.
O Presidente da República terminou o discurso a pensar em 2030, elencando o que considera o caminho certo para o país, incluindo “democracia e Estado de Direito, paz e soberania, educação e conhecimento, diversificação económica para além do petróleo, integração regional e abertura ao mundo e inclusão, justiça social e dignidade humana”.
“Espero que possamos olhar para trás e dizer que, quando tivemos de escolher, tivemos a coragem de escolher o caminho que acreditávamos ser melhor para Timor-Leste”, concluiu, antes de terminar com “Viva Timor-Leste!”.
Jornalista: António Sampaio
Escrito por RafaFM
no seu último discurso no parlamento na atual legislatura PR questiona que país ficará para as próximas gerações
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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