Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 10 de Junho de 2026 (RAFA.TL) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, afirmou hoje que a língua portuguesa constitui “uma das grandes vantagens estratégicas de Timor-Leste”, saudando o impacto da ampla cooperação de Portugal em setores como a educação e a justiça.
“A língua portuguesa, presente em vários continentes e com especial relevância no hemisfério sul, é uma das línguas oficiais do nosso Estado, um pilar estruturante da nossa soberania cultural e uma das grandes vantagens estratégicas de Timor-Leste, permitindo-nos aproximar de dois vastos espaços de cooperação e diálogo: a CPLP e a ASEAN”, declarou Ramos-Horta nas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, realizadas na Escola Portuguesa de Díli.
O Chefe de Estado sublinhou que o espaço lusófono agrega já mais de 260 milhões de falantes e que, segundo projeções demográficas das Nações Unidas, o idioma vive “uma expansão acelerada”, estimando-se que atinja perto de 380 a 400 milhões de falantes até 2050.
E sublinhou a força da relação bilateral entre os dois países, que vai além da diplomacia formal, abrangendo “relações profundamente humanas, marcadas pela memória, pelos afetos e pela convivência histórica”.
Ramos-Horta saudou “com profunda gratidão” a decisão do Governo português, comunicada em maio último, de avançar com a construção das novas instalações da Escola Portuguesa de Díli. “Edificada num terreno cedido por Timor-Leste por um período de 99 anos, esta moderna infraestrutura educativa, que representa um investimento estratégico previsível de 21 milhões de euros – cerca de 24 milhões de dólares -, permitirá expandir a capacidade da escola para 70 turmas e acolher até 2 mil alunos”, afirmou.
A atual Escola Portuguesa de Díli, Centro de Língua e Ensino Português Ruy Cinatti, acolhe já cerca de 1.400 alunos.
O Presidente destacou também o programa das escolas CAFE – Centros de Aprendizagem e Formação Educativa -, presentes em todos os municípios do país e na Região Administrativa Especial de Oe-Cusse Ambeno.
A iniciativa, disse, mobiliza 132 professores portugueses e 462 docentes timorenses, beneficiando mais de 12.168 alunos em todo o território nacional.
“A educação continua a ser o eixo central do nosso desenvolvimento nacional. A presença de Portugal no sector educativo tem sido determinante, particularmente através do trabalho dos professores cooperantes e das instituições de ensino que acolhem milhares de jovens timorenses”, disse.
No seu discurso, Ramos-Horta referiu-se ainda a outros setores de intervenção da cooperação portuguesa, entre os quais o “desenvolvimento humano, da juventude e da capacitação”, referindo-se em particular ao Centro Nacional de Formação Profissional de Tíbar.
“Representa um exemplo concreto de cooperação orientada para resultados, permitindo formar técnicos qualificados em áreas essenciais como eletricidade, construção civil, mecânica e administração”, disse.
Recordou ainda “com profunda gratidão o papel desempenhado por forças portuguesas, militares, polícias e cooperantes, em momentos decisivos” da história do país, “simbolizando solidariedade e compromisso com a paz” e o apoio dado na formação das forças armadas e policiais, contribuindo “para a profissionalização das F-FDTL, da PNTL e da PSC.
“Projetos de cooperação, incluindo iniciativas como a Quinta Portugal em Aileu, têm contribuído para a introdução de melhores práticas agrícolas, diversificação de culturas e capacitação de agricultores. A valorização do café timorense, com apoio técnico e científico, tem igualmente reforçado o potencial deste produto como marca nacional de qualidade nos mercados internacionais”, disse.
O Presidente referiu-se ainda à ampla comunidade portuguesa residente em Timor-Leste, que considerou desempenhar “um papel relevante no desenvolvimento económico, social e cultural do país”.
“São parceiros de desenvolvimento, amigos de longa data e parte integrante da vida quotidiana em Díli e nos demais municípios. Nesta ocasião, saudamos igualmente a diáspora portuguesa, espalhada pelo mundo, que mantém viva a ligação à sua língua e cultura, contribuindo para a projeção global da lusofonia”, vincou.
Ramos-Horta encerrou o seu discurso com uma nota de humor, ecoando a sua declaração recente de que, apesar da forte ligação a Portugal, decidiu apoiar o estreante Cabo Verde na edição deste ano do Mundial de Futebol.
“Espero que dentro de semanas, possamos todos celebrar a vitória de Cabo Verde e celebrar Portugal como vice-campeão”, afirmou, o chefe de Estado que desde hoje anda a circular por Díli com uma bandeira de Cabo Verde.
Na sua intervenção, a Secretária de Estado Ana Isabel Xavier também enalteceu o papel da comunidade portuguesa em Timor-Leste – professores, missionários, militares, forças de segurança, empresários e assessores governamentais – e destacou a dimensão estratégica da língua portuguesa.
“A língua é um elemento fundamental para nos aproximar. E hoje a língua é também um ativo económico importante para abrir mais horizontes de interação entre o nosso país, a nossa comunidade, as nossas empresas e a nossa rede espalhada pelo mundo”, afirmou.
Xavier recordou que o português é “a quarta língua mais falada como língua materna, atrás apenas do mandarim, do inglês e do espanhol”, e “o quinto idioma mais utilizado na internet”.
Prestou particular homenagem ao percurso da língua em Timor-Leste: “Na adversidade, na opressão e na clandestinidade, Timor-Leste hasteou a língua portuguesa como bandeira da sua distinção cultural. Mesmo em momentos em que a língua era proibida, foi mantida pela resistência.”
O Embaixador de Portugal, no seu discurso de abertura, referiu-se ao “ano charneira em que Timor-Leste lidera a CPLP” e ao anúncio da nova Escola Portuguesa de Díli, considerando que “dificilmente se poderiam reunir condições mais felizes” para o exercício das suas funções em Díli, cargo que ocupa há nove meses.
As celebrações decorreram no pátio da Escola Portuguesa de Díli, com a presença, entre outros, da Presidente do Parlamento Nacional, Fernanda Lay, de membros do Governo, do Corpo Diplomático acreditado em Díli e da comunidade portuguesa residente em Timor-Leste.
FIM
Escrito por RafaFM
PR considera língua portuguesa uma "vantagem estratégica" de Timor-Leste
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt