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Lisboa, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, declarou no parlamento que Portugal está disponível para ajudar a Guiné-Bissau a regressar à normalidade democrática, sublinhando que a soberania do povo guineense “está acima de tudo”.
Rangel falava durante uma audição na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, em resposta a questões do deputado socialista Luís Testa sobre a posição de Portugal face à suspensão da Guiné-Bissau da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O ministro assegurou que o Governo português mantém contacto permanente com a CPLP e os seus Estados-membros, bem como com a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), organizações que igualmente suspenderam Bissau na sequência do golpe militar de 26 de novembro de 2025.
A ênfase de Rangel na soberania guineense surge num contexto de crescente tensão diplomática entre Lisboa e Bissau.
Em março, o Conselho Nacional de Transição (CNT) guineense acusou o Governo português de hostilizar as autoridades no poder e de praticar uma diplomacia de “conluios de corredor”, advertindo Rangel de que “esta seria a última vez” que toleravam a sua “interferência nos assuntos internos” do país, e declarando que não aceitariam que “Portugal se arvore em juiz de uma casa que já não é sua”.
Em 10 de junho, o CNT lançou nova “advertência diplomática” a Portugal, ameaçando com “severas consequências nas relações bilaterais” após declarações de Rangel em que reiterou a exigência da libertação do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira.
Na nota, os militares afirmaram que “a Guiné-Bissau não se vergará a exames de bom comportamento ditados por metrópoles estrangeiras” e que o país nunca reconhecerá a presidência de Timor-Leste da CPLP.
Numa entrevista à Antena 1 que esteve na origem da última crise, Rangel admitiu que, caso sejam dados sinais pelas autoridades de Bissau, Portugal poderá “progressivamente restaurar um diálogo frutuoso” que leve à retoma da participação guineense na CPLP, e disse esperar que a reunião da organização agendada para julho em Díli, para assinalar os 30 anos da CPLP, traga “algum progresso” sobre o tema.
O ministro reconheceu sinais positivos em Bissau, nomeadamente a marcação de eleições gerais para 6 de dezembro de 2026, mas sublinhou que Portugal aguarda “ver quais são as condições para que elas se possam desenrolar”.
A Guiné-Bissau é governada desde o golpe por um regime de transição que criou o Conselho Nacional de Transição, alterou a Constituição por decreto e colocou em prisão domiciliária Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC e presidente eleito do parlamento, acusado de alegada participação numa tentativa de golpe de Estado.
A suspensão da Guiné-Bissau da CPLP teve impacto direto em Timor-Leste, que assumiu a presidência rotativa da organização lusófona em substituição de Bissau e deverá acolher em julho, em Díli, a reunião ministerial que poderá definir os próximos passos quanto à situação guineense.
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Escrito por RafaFM
Portugal diz querer ajudar Guiné-Bissau a regressar à normalidade democrática
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