Destaque

PNUD, Banco Mundial e BAD pedem mais financiamento climático para Países Menos Desenvolvidos

todaySetembro 1, 2026 40

Fundo
share close

Díli, 1 de setembro de 2026 (RAFA) – Parceiros internacionais defenderam hoje, em Díli, que é necessária uma maior mobilização de financiamento, capacidade técnica e parcerias para ajudar os Países Menos Desenvolvidos (PMD) a transformar planos climáticos em ações concretas.

A posição foi defendida por representantes do Banco Mundial, do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na reunião de preparação dos PMD, acolhida em Díli, para preparar prioridades comuns para a 31ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31).

Intervindo no primeiro dia do encontro, o diretor do BAD em Timor-Leste, Artur Andrysiak, considerou que a reunião é uma oportunidade para os PMD reforçarem uma posição comum antes da COP31.

Alertou que os impactos climáticos se tornam mais frequentes e severos, com muitos países a enfrentarem dificuldades no acesso a financiamento, tecnologia e capacidade institucional para responder à crise.

“É necessário ajudar os países a passar dos planos e estratégias para projetos financiáveis, reforçar a capacidade institucional, mobilizar financiamento climático e construir parcerias capazes de produzir resultados de desenvolvimento em grande escala”, afirmou.

O BAD garantiu que continuará a apoiar Timor-Leste e outros países da região no reforço da resiliência climática, na melhoria dos meios de subsistência, na promoção de infraestruturas sustentáveis e no planeamento da adaptação.

Já a representante do PNUD em Timor-Leste, Katyna Argueta, defendeu que a justiça climática deve ser acompanhada por um desenvolvimento mais equitativo, sublinhando que os impactos das alterações climáticas não se distribuem de forma igual entre os países.

“Quando as alterações climáticas são globais, as suas consequências não são iguais”, afirmou, acrescentando que, para os PMD, a crise climática não é apenas um desafio ambiental, mas também uma ameaça à erradicação da pobreza, à segurança alimentar, à saúde, à educação e ao direito das populações a um futuro melhor.

Argueta destacou os esforços de comunidades, mulheres, jovens, agricultores e governos dos PMD na construção de resiliência climática, mas alertou que esses esforços exigem recursos, nomeadamente financiamento climático acessível, previsível e adequado, garantindo que o PNUD continuará a apoiar os PMD nessa mobilização.

A economista do Grupo Banco Mundial para Timor-Leste, Amina Coulibaly, sublinhou a forte ligação entre clima e desenvolvimento, afirmando que as alterações climáticas já afetam a segurança alimentar e hídrica, as infraestruturas, a saúde, o emprego, as finanças públicas e os meios de subsistência das comunidades.

Reconhecendo os progressos dos PMD na preparação dos Planos Nacionais de Adaptação e das Contribuições Determinadas a Nível Nacional, defendeu maior atenção à implementação e à transformação das prioridades nacionais em programas com benefícios concretos, além de financiamento previsível e adequado à capacidade institucional e fiscal de cada país, com destaque para o papel de donativos e recursos altamente concessionais nos países mais vulneráveis.

Sobre Timor-Leste em particular, Coulibaly disse que o Banco Mundial está a trabalhar com o Governo e instituições nacionais na preparação do primeiro Relatório sobre Clima e Desenvolvimento do país, que vai analisar a relação entre riscos climáticos e objetivos de desenvolvimento, identificando oportunidades para reforçar a resiliência, a diversificação económica, o capital humano e a gestão sustentável dos recursos naturais.

Recorde-se que Díli acolhe esta semana uma reunião do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos (PMD), em que 80 representantes de 44 Estados-membros vão preparar uma posição comum a levar às negociações climáticas da COP31, marcada para novembro em Antália, na Turquia.

Um dos pontos altos da reunião é um encontro ministerial na quinta-feira, dia 3 de setembro, para os ministros aprovarem os resultados técnicos das discussões e adotarem uma declaração ministerial com as mensagens-chave e áreas prioritárias dos PMD a levar para o processo negocial na Turquia.

Os resultados do encontro de Díli serão depois apresentados formalmente na COP31.

FIM

Escrito por RafaFM

Avaliação

Quem Somos

Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

Contactos
error: Content is protected !!