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Brasília, 5 de outubro de 2026 (RAFA) – O Partido Liberal (PL), do antigo Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, elegeu 19 dos 54 senadores em disputa no domingo e passa a ter 28 dos 81, a maior bancada do Senado do Brasil, segundo os resultados oficiais.
O resultado reforça o espaço da direita no Congresso do maior país de língua portuguesa e surge no dia em que Flávio Bolsonaro, filho de Jair e candidato presidencial do PL, foi o mais votado na primeira volta, com 47,12%.
Vai disputar a segunda volta, a 25 de outubro, com o Presidente Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), que teve 45,05%.
Além do voto presidencial, os eleitores brasileiros votaram também para o Senado, a Câmara dos Deputados e os governos dos 26 estados e do Distrito Federal.
O Senado tem 81 membros, três por estado, com mandatos de oito anos. Renovaram-se 54 lugares, vencendo os candidatos mais votados em cada estado.
É a primeira vez desde a Constituição de 1988 que um partido elege tantos senadores num só pleito.
O PL tem a maior bancada em início de legislatura desde então, e o recorde anterior era dos 27 do MDB (então PMDB), em 1999. O PT mantém nove senadores e o MDB terá oito.
Entre outras funções, o Senado julga o Presidente por crime de responsabilidade, pode aprovar ou travar pedidos de destituição e avalia os nomes indicados para a presidência do Banco Central.
Um especialista citado pelo jornal O Tempo atribui a viragem à direita ao descontentamento com a forma como Lula geriu a relação com o Congresso e o Supremo.
No Distrito Federal, onde fica Brasília, Michelle Bolsonaro, mulher de Jair e antiga primeira-dama, teve 938.496 votos (29,1%) na sua primeira eleição.
Bia Kicis, deputada federal do PL, teve 886.616 (27,4%).
São as candidatas ao Senado mais votadas no Distrito Federal desde a redemocratização e superam os 833 mil de Cristovam Buarque em 2010.
Com Damares Alves, dos Republicanos, partido aliado, formam a primeira bancada exclusivamente feminina do Senado.
Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro, filho de Jair, teve 2.041.840 votos (25,4%), atrás de Carol de Toni, também do PL (33,5%). Esperidião Amin, do PP, deixa o Senado, e o PL fica com as três cadeiras do estado. Carlos esteve 25 anos na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e mudou o domicílio eleitoral para Santa Catarina.
Quatro familiares de Bolsonaro vão para o Congresso: Michelle e Carlos, para o Senado, e Jair Renan, de 28 anos, e o irmão Renato, para a Câmara. Jair Renan teve 131.461 votos por Santa Catarina e usou “Jair Bolsonaro” como nome na urna. Renato teve 378.711 votos por São Paulo.
A Câmara tem 513 lugares, todos renovados e sem segunda volta.
Os dois deputados mais votados da história são do PL. Nikolas Ferreira, de 30 anos, teve 3.094.237 votos por Minas Gerais, e Lucas Pavanato, de 28, teve 3.035.501 por São Paulo, na primeira candidatura à Câmara.
O recorde anterior era de Eduardo Bolsonaro, outro filho de Jair, com 1.843.735 votos em 2018. Eduardo vive agora nos Estados Unidos.
O PL elegeu 19 dos 70 deputados de São Paulo, contra 11 do PT.
Nos estados, 20 unidades definiram o governador à primeira volta, contra 15 em 2022. O PL ganhou cinco governos: Paraná (Sergio Moro, com 50,10%), Rio Grande do Sul (Luciano Zucco, com 58,05%), Rondónia (Marcos Rogério), Roraima (Arthur Henrique) e Santa Catarina, onde Jorginho Mello foi reeleito com cerca de 69%. Antes só tinha um governador, em Santa Catarina.
Moro foi o juiz da Lava Jato e ministro da Justiça de Bolsonaro e deixou o União Brasil para entrar no PL. O Supremo anulou em 2021 as condenações de Lula por considerar o juiz parcial.
Em São Paulo, o estado mais populoso, Tarcísio de Freitas, dos Republicanos, foi reeleito com 62,65% (14.491.874 votos), contra 36,42% de Fernando Haddad, do PT. Tarcísio, de 51 anos, foi ministro da Infraestrutura de Bolsonaro.
Chegou a ser apontado como possível sucessor.
Sete unidades terão segunda volta a 25 de outubro, o mesmo dia da presidencial: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas, do PL, teve 49,27% e Eduardo Paes, do PSD, 42,76%. Se o TSE anular os votos de Anthony Garotinho, cuja candidatura foi indeferida, Ruas pode passar os 50% e ser eleito sem segunda volta.
FIM
Escrito por RafaFM
PL de Bolsonaro passa a ter o maior grupo do Senado no Brasil e bate recordes de votos no Congresso
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