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PCIC deteve quase 100 estrangeiros em operação contra burla informática e jogo online ilegal em Díli

todayJulho 9, 2026 208

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Díli, 09 de julho de 2026 (RAFA.TL) – A Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC), em colaboração com o Serviço Nacional de Inteligência do Estado (SNIE), deteve 99 cidadãos estrangeiros numa operação em Díli, suspeitos dos crimes de burla informática e jogo ilegal online.

Uma equipa de elementos da PCIC efetuou a rusga na noite de quarta-feira num armazém na Aldeia 20 de Setembro, na zona de Bebonuk, depois de uma investigação de mais de um mês que permitiu identificar alguns dos suspeitos.

A operação teve início pelas 20h30 e resultou na detenção de 99 estrangeiros, maioritariamente de nacionalidade chinesa e cambojana, atualmente sob custódia da PCIC.

Segundo a polícia, a dimensão do grupo era superior à inicialmente estimada, o que permitiu a fuga de 19 pessoas durante a ação, ainda hoje procuradas pelas autoridades.

Durante a operação foram apreendidos 88 computadores desktop, 13 computadores portáteis, 27 telemóveis, três equipamentos Starlink e uma quantia em dinheiro cujo valor está ainda a ser contabilizado.

Otávio da Costa Araújo, investigador-chefe da PCIC, disse que a investigação antes da operação, permitiu identificar alguns dos suspeitos envolvidos bem como o local onde os alegados crimes estavam a ser cometidos, o que permitiu as detenções em flagrante delito.

Tratava-se de uma casa com sistema de videovigilância (CCTV) para monitorizar entradas e saídas, e que mantinha um controlo de acesso restrito, apenas a portadores de cartões de identificação.

As diligências no local revelaram que a maioria dos estrangeiros detidos não tinha na sua posse os respetivos passaportes, os quais estavam à guarda de terceiros já identificados e que serão alvo de detenção, segundo informou a PCIC.

Segundo a investigação, a rede é suspeita de ter praticado burla informática contra vítimas em vários países, incluindo Timor-Leste.

A PCIC informou que a equipa de investigação prossegue o trabalho de identificação dos suspeitos e dos fugitivos ainda procurados, bem como a inventariação completa do dinheiro e equipamento apreendidos, com vista a identificar outros eventuais envolvidos na rede criminosa.

A instituição garantiu que todas as pessoas detidas e os bens apreendidos se encontram em local seguro, comprometendo-se a divulgar oportunamente o balanço final e completo da operação, incluindo o montante de dinheiro apreendido.

A ação de Bebonuk é a mais recente de várias operações policiais contra centros de burla e jogo ilegal online em Timor-Leste.

No início deste mês, a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) desmantelou um centro semelhante em Tíbar, nos arredores de Díli, tendo detido 61 cidadãos indonésios envolvidos em esquemas de burla online.

Segundo o porta-voz da PNTL na altura, cerca de 90 por cento dos detidos nessa operação eram alegadamente antigos membros de um centro de burla já desmantelado no Camboja, que teriam fugido para reiniciar as atividades em território timorense.

Dias depois, as autoridades identificaram ainda 29 estrangeiros suspeitos de atividades ilegais de jogo online, que residiam numa casa alugada em Díli, tendo sido apreendido material informático no local antes de os suspeitos serem entregues ao Departamento do Serviço de Investigação Criminal.

O fenómeno tem motivado alertas de organismos internacionais.

O Gabinete das Nações Unidas sobre Droga e Crime (UNODC) já tinha alertado para a proliferação de redes criminosas ligadas a este tipo de atividade em Oecússi, enclave timorense, notando que, uma vez infiltrada por criminosos digitais, uma região tende a transformar-se em centro de fraude cibernética e de tráfico de pessoas.

Na sequência de alertas anteriores, o Governo timorense determinou o cancelamento das licenças concedidas para exploração de jogos e apostas online e proibiu a atribuição de novas licenças, invocando riscos para a segurança e a estabilidade social.

A PCIC tem vindo a apresentar o combate ao cibercrime como uma das suas prioridades.

Por ocasião do 12.º aniversário da instituição, em maio, o diretor nacional, Vicente Fernandes e Brito, apresentou um balanço de operações contra o cibercrime, a fraude informática e o branqueamento de capitais, destacando a recuperação de 42 milhões de dólares norte-americanos associados a fraudes informáticas e o desmantelamento de um centro de burlas em Oe-Cusse.

Na ocasião, o responsável afirmou que Timor-Leste “não é, nem nunca será, um porto de abrigo para a impunidade transnacional”.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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