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Papa diz não ter “medo” de Trump e presidente EUA apresenta-se como Jesus Cristo

todayAbril 14, 2026 26

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VATICANO/WASHINGTON, 14 Abril 2026 (RAFA.tl) – O Papa Leão XIV declarou esta segunda-feira não ter “nenhum medo da administração Trump”, depois deste ter publicado nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial que o retratava com a aparência de Jesus Cristo.

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“Colocar a minha mensagem no mesmo plano do que o Presidente tentou fazer aqui, creio que é não compreender qual é a mensagem do Evangelho. Lamento ouvi-lo, mas continuarei no que acredito ser a missão da Igreja no mundo de hoje”, disse o Papa aos jornalistas a bordo do avião papal em direcção à Argélia, onde iniciou uma visita apostólica de 11 dias a África.

“Não tenho medo da administração Trump, nem de falar em voz alta sobre a mensagem do Evangelho. ‘Bem-aventurados os que trabalham pela paz.’ Não vou desviar-me de anunciar essa mensagem”, afirmou.

A polémica publicação de Trump, entretanto apagada, surgiu 46 minutos depois do Presidente dos Estados Unidos ter lançado um violento ataque ao Papa nas redes sociais.

A imagem, gerada com inteligência artificial ao estilo de uma pintura, mostrava Trump em túnica branca, segurando numa mão um orbe luminoso e colocando a outra na testa de um homem numa cama de hospital, com luz a irradiar da cabeça do doente.

Em redor, símbolos patrióticos e religiosos enchiam a composição: a Estátua da Liberdade, uma águia, fogo de artifício, a bandeira norte-americana. A cena evocava diretamente a narrativa bíblica da cura milagrosa por Jesus Cristo.

Confrontado com as críticas na Casa Branca, Trump rejeitou a interpretação: “Pensei que era eu como médico, e que tinha a ver com a Cruz Vermelha, como trabalhador da Cruz Vermelha. Só as ‘fake news’ podiam chegar a essa conclusão.” Acrescentou: “Supostamente sou eu como médico, a curar pessoas. E eu faço as pessoas melhorarem. Faço-as melhorarem muito.”

A polémica em torno da imagem surgiu no contexto de um ataque frontal de Trump ao chefe da Igreja Católica, motivado pela posição do Pontífice contra a guerra no Irão.

Num extenso texto publicado no Truth Social, Trump escreveu: “Leo deve pôr a sua vida em ordem enquanto Papa, usar o bom senso, parar de servir a esquerda radical, e concentrar-se em ser um Grande Papa, não um Político.” O Presidente classificou ainda Leão de “fraco no crime” e “terrível para a política externa”.

Trump afirmou também que o Papa só foi eleito “porque era norte-americano, e [a Igreja] pensou que seria a melhor forma de lidar com o Presidente Donald J. Trump”, acrescentando: “Se eu não estivesse na Casa Branca, Leo não estaria no Vaticano.”

A imagem de Cristo gerou reações críticas mesmo dentro do campo conservador e republicano. Marjorie Taylor Greene, antiga congressista MAGA, condenou a publicação como blasfémia: “No domingo de Páscoa Ortodoxa, o Presidente Trump atacou o Papa porque o Papa se opõe, com razão, à guerra de Trump no Irão, e depois publicou esta fotografia de si próprio como se estivesse a substituir Jesus. É mais do que blasfémia. É um espírito do Anticristo.”

A comentadora conservadora Riley Gaines escreveu no X: “Por quê? A sério, não consigo perceber porque é que ele publicou isto. Um pouco de humildade ser-lhe-ia útil. Não se goza com Deus.” O Bispo Robert Barron, que integra uma comissão de liberdade religiosa criada pelo próprio Trump, disse que o Presidente lhe devia uma desculpa pelas declarações “inapropriadas”.

A Primeira-Ministra italiana Giorgia Meloni, aliada histórica de Trump, classificou os ataques de “inaceitáveis”: “Considero as palavras do Presidente Trump em relação ao Santo Padre inaceitáveis. O Papa é o chefe da Igreja Católica, e é correto e normal que apele à paz e condene qualquer forma de guerra.”

O especialista em papado Massimo Faggioli foi mais longe nas suas declarações à Reuters. “Nem Hitler nem Mussolini atacaram o Papa tão direta e publicamente”, afirmou.

Não é a primeira vez que Trump gera polémica de natureza religiosa: em maio de 2025, pouco antes do conclave que elegeu Leão XIV, o Presidente publicou uma imagem de si próprio vestido de Papa, gerando protestos entre líderes católicos. Ao contrário da imagem de Cristo, essa publicação nunca foi apagada.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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