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PAICV e MpD disputam poder em Cabo Verde após eleições legislativas de domingo

todayMaio 18, 2026 14

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Díli, 18 de maio de 2026 (RAFA.TL) – O PAICV lidera a contagem nas eleições legislativas de domingo em Cabo Verde, conquistando já 33 dos 72 mandatos, à frente do MPD, no Governo, que tem atualmente 30 mandatos, quando ainda faltam apurar sete cadeiras parlamentares.

Dados do portal oficial de escrutínio indicam que falta apurar dois dos seis mandatos na ilha de Santo Antão, onde o MDP lidera com 47,6% dos votos, mas os dois maiores partidos já conseguiram dois mandatos cada.

Falta ainda apurar cinco dos sete mandatos da diáspora, com o PAICV a liderar com 57,4% dos votos e um mandato já conquistado, à frente do MPD com 36,9%.

Observadores antecipam que o PAICV será o vencedor das eleições, não sendo ainda conhecida a margem da vitória ou se o partido, atualmente na oposição, chegará aos 37 lugares, a maioria absoluta.

Recorde-se que o MPD tem governado com uma maioria de 38 lugares.

A terceira força política é o UCID, com 5,2% dos votos e dois mandatos conquistados.

Os resultados preliminares indiciam o fim do Governo do Governo do Movimento para a Democracia (MpD), do atual chefe de governo Ulisses Correia e Silva, que aspirava renovar no cargo para um terceiro mandato consecutivo.

O futuro primeiro-ministro deverá ser Francisco Carvalho, atual presidente da Câmara Municipal da Praia, e líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), maior partido da oposição, liderado por.

Recorde-se que o MPD foi criado a 14 de março de 1990 e venceu as primeiras eleições parlamentares livres da história de Cabo Verde, governando o país de 1991 a 2001.

Em 2016, voltou ao poder após 15 anos na oposição. Posicionado no centro-direita do espectro político, o partido considera-se “centrista, cívico e humanista”, centrado na defesa de uma democracia liberal moderna e membro da Internacional Democrata Centrista.

Os seus militantes são apelidados de “ventoinhas”, em referência ao emblema do partido.

Sob a liderança de Ulisses Correia e Silva, o MpD afirmou ter sido decisivo na consolidação de Cabo Verde como uma democracia de prestígio reconhecida internacionalmente.

Apesar da derrota nas autárquicas de 2024, a direção nacional renovou por unanimidade o apoio à candidatura de Correia e Silva para um terceiro mandato.

O PAICV tem uma história mais longa e profundamente ligada à identidade nacional de Cabo Verde.

O seu antecessor, o PAIGC, foi fundado em 1956 por Amílcar Cabral com o objetivo de alcançar a independência das então colónias portuguesas da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

Após um golpe militar na Guiné-Bissau em novembro de 1980, a ala cabo-verdiana autonomizou-se e fundou o PAICV em janeiro de 1981, assumindo a herança da luta de libertação e o legado de Amílcar Cabral.

O PAICV foi o único partido legal em Cabo Verde de 1981 a 1990. Num congresso extraordinário em fevereiro de 1990, o partido aprovou a introdução da democracia multipartidária.

Os seus membros são apelidados de “tambarinas” e identificam-se com a cor amarela.

Membro ativo da Internacional Socialista, o PAICV define-se como um partido da esquerda democrática, comprometido com a criação de emprego, o combate à pobreza e à desigualdade.

Para as legislativas de 2026, Francisco Carvalho, presidente da Câmara da Praia, foi eleito presidente do PAICV em maio de 2025, tornando-se o candidato do partido a primeiro-ministro. A sua candidatura assentou no mote “Cabo Verde Para Todos” e num discurso de mudança após dez anos de governação do MpD.

O escrutínio realizou-se num momento de vantagem para o PAICV.

Em dezembro de 2024, as autárquicas deram ao partido 14 municípios, incluindo a capital, Praia – a primeira vez que vencia eleições municipais desde fevereiro de 2000. Nas legislativas de 2021, o MpD venceu com maioria absoluta, ao eleger 38 deputados, contra 30 do PAICV e quatro da UCID.

Desde a consolidação do multipartidarismo, Cabo Verde é considerado um dos sistemas democráticos mais estáveis de África, com MpD e PAICV a alternarem no poder com maiorias absolutas.

FIM

Escrito por RafaFM

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