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Díli, 16 de abril de 2026 (RAFA.tl) – O diretor da empresa Noble Timor Unipessoal agradeceu hoje ao Governo timorense a decisão de resolver as dívidas relacionadas com o Tour de Timor e Suai Extreme de 2018, um dossiê que se arrastava há quase oito anos.
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A declaração surge no seguimento da aprovação pelo Governo timorense de uma doação de 631.478,11 dólares à Noble Timor para a liquidação de dívidas pendentes associadas à organização de edições anteriores do Tour de Timor (2012), da Maratona de Díli (2018) e do Suai Extreme (2018)
“Quero dizer de forma clara e pessoal que assumo responsabilidade pelos encargos e dificuldades que surgiram dos problemas do passado, e assumo igualmente responsabilidade por ajudar a levar este assunto à finalização com o apoio do IX Governo Constitucional”, escreveu Sean Borrell no Facebook.
O organizador dirigiu palavras de agradecimento ao Primeiro-Ministro, ao Vice-Primeiro-Ministro I e ao Presidente da República pela liderança demonstrada, afirmando que o seu apoio “tornou possível fechar este capítulo de uma forma que honra as pessoas, prestadores de serviços, trabalhadores e apoiantes que carregaram estes eventos com boa vontade e crença em Timor-Leste”.
Borrell dirigiu-se ainda a “todos os que mostraram paciência, fé e compreensão ao longo dos anos”, oferecendo “um agradecimento sincero”.
Na declaração, publicada na página do Tour de Timor no Facebook, Borrell traçou a história do evento, descrevendo-o como criação do Presidente José Ramos-Horta no seu primeiro mandato (2007-2012), lançado em 2009 no âmbito da visão de transformar Díli numa “Cidade da Paz”.
“É a honra da minha vida ter trabalhado ao lado do Major Mick Stone, do staff do Presidente Ramos-Horta, e em particular do Presidente da Federação de Ciclismo, o saudoso Angelo Henrique”, escreveu.
Borrell recordou que, nos primeiros anos, os eventos contaram com apoio financeiro e logístico do Governo timorense, das Nações Unidas, da Cooperação de Defesa australiana, da ConocoPhillips, da AirNorth, e de personalidades internacionais como a Princesa Haya da Jordânia.
Em março de 2019, dezenas de empresas timorenses, atletas nacionais e internacionais que participaram no Tour de Timor e no Suai Extreme de 2018 denunciaram publicamente não ter recebido os valores que lhes eram devidos. Os credores chegaram a assinar uma petição enviada ao Presidente da República, ao presidente do Parlamento Nacional e ao Primeiro-Ministro.
Na sua declaração, Borrell reconheceu o impacto humano e institucional do diferendo: “Embora o passado não possa ser alterado, acredito que é importante que nos concentremos agora em avançar juntos.”
A resolução governamental aprovada na quarta-feira refere que o Tour de Timor de 2012 foi organizado sob direção de José Ramos-Horta enquanto Presidente da República, e que os eventos de 2018 foram organizados pela Noble Timor através do Gabinete do ex-Presidente.
Porém, Ramos-Horta rejeitou qualquer ligação aos eventos posteriores ao seu mandato.
“O meu gabinete de ex-titular não teve qualquer envolvimento, nem indireto, nos eventos desportivos ou outros a partir de maio de 2012 e muito menos os eventos de 2018 e o Suai Extreme”, declarou à RAFA.TL, questionando: “O Tour de Timor de 2012 foi em setembro de 2012. Eu deixei a presidência no dia 19 de maio de 2012. Como podia eu organizar um evento em setembro de 2012?”
O Governo justificou a intervenção com o interesse público dos eventos e com a necessidade de preservar a imagem de Timor-Leste no cenário regional e internacional, num momento em que o país é membro da ASEAN.
Para Borrell, o impacto dos eventos vai além do desporto: “O Tour de Timor sempre representou muito mais do que uma competição desportiva. Representou paz, resiliência, visibilidade e as aspirações da nossa nação.”
A regularização dos pagamentos em atraso abre agora caminho a uma eventual retoma dos eventos, coincidindo com a preparação da Maratona Internacional de Díli 2026, agendada para 8 de agosto sob o tema “Amemos as nossas florestas e a nossa vida selvagem”, e com uma nova parceria mediática com a ADEX – Asia Dive Expo – e a Asian Geographic.
FIM
Escrito por RafaFM
Organizador do Tour de Timor assume responsabilidade e agradece Governo por fecho de dívidas
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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