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Copenhaga, 23 de setembro de 2026 (RAFA) – A ONU comprou bens e serviços a 227 países e territórios em 2025, mas medicamentos, contracetivos e vacinas continuam a ser a maior categoria de compras do sistema, com quatro mil milhões de dólares.
Segundo o Relatório Estatístico Anual sobre Compras da ONU, divulgado pela UNOPS, a distribuição geográfica das compras da ONU continuou a refletir a escala global das suas operações em 2025, ainda que os volumes tenham diminuído na maioria das regiões, seguindo a tendência geral de quebra.
Uma mudança notável ocorreu no topo da tabela: a Europa tornou-se a maior região fornecedora, com 31,8% do total de compras, ultrapassando a Ásia, que caiu para segundo lugar, com 29,7% – uma alteração explicada por uma quebra mais acentuada nas compras à Ásia, e não por um crescimento das compras à Europa.
A Europa foi a maior região de origem das compras da ONU em 2025, com um volume total de 7,2 mil milhões de dólares, uma quebra de 10,5% face a 2024.
A Ásia seguiu-se, com 6,7 mil milhões de dólares, uma descida de 18,2%; a Índia manteve-se como o maior país fornecedor da região, com 727 milhões de dólares.
África foi a terceira maior região fornecedora, com 4,7 mil milhões de dólares, uma quebra de 7,8%, com o Sudão a tornar-se o maior país fornecedor da região após o maior aumento de volume registado em 2025, que subiu 124 milhões, para 461 milhões de dólares.
A Oceânia foi a única região a registar crescimento em 2025, com as compras a aumentarem 6,3%, para 179 milhões de dólares, impulsionadas sobretudo pelas Fiji, onde o volume mais do que duplicou, para 61 milhões de dólares.
Os dez maiores países fornecedores representaram 8,4 mil milhões de dólares, ou 36,8% do volume total de compras.
Os Estados Unidos mantiveram-se como o maior país fornecedor, com dois mil milhões de dólares, uma quebra de 4,5% face a 2024.
O Reino Unido subiu do quinto para o segundo lugar, com 967,7 milhões de dólares, um aumento de 13,6%, impulsionado sobretudo pelo maior volume de sempre em compras de medicamentos, contracetivos e vacinas ao país, que totalizou 539 milhões de dólares.
A Dinamarca ficou em terceiro lugar, com 934,9 milhões de dólares, e foi o país com a maior percentagem de compras colaborativas – 51,4% do seu volume total -, refletindo o seu papel como polo logístico do sistema da ONU.
O relatório esclarece que, ao longo do documento, os termos “país” ou “países” se referem tanto a Estados-membros como a territórios, o que explica o número de 227 – superior aos 193 Estados-membros da ONU.
Segundo o relatório, a ONU introduziu em 1971 a categoria de países menos desenvolvidos (PMD) para reconhecer nações que necessitam de apoio internacional adicional devido aos seus desafios de desenvolvimento específicos.
Até ao final de 2025, 44 países integravam esta categoria, dos quais oito já saíram dela, incluindo o Botsuana (1994), Cabo Verde (2007), as Maldivas (2011), Samoa (2014), a Guiné Equatorial (2017), Vanuatu (2020), o Butão (2023) e São Tomé e Príncipe (2024).
O volume total de compras a fornecedores de países menos desenvolvidos atingiu 4,3 mil milhões de dólares em 2025, uma quebra de 713 milhões (14,3%) face aos cinco mil milhões registados em 2024, mas o seu peso no total de compras da ONU manteve-se substancial, em 18,8%.
Sudão, Afeganistão, Iémen, Sudão do Sul e Etiópia representaram, em conjunto, 43,3% do total de compras a fornecedores destes países.
As compras a países em desenvolvimento sem litoral totalizaram 2,5 mil milhões de dólares (10,9% do total global), uma quebra de 480 milhões (16,2%) face a 2024.
O Afeganistão foi o maior fornecedor deste grupo, com 421 milhões de dólares, seguido do Sudão do Sul e da Etiópia, com 321 e 320 milhões, respetivamente.
Já as compras a pequenos Estados insulares em desenvolvimento – categoria da ONU que agrupa 53 países e territórios por critérios de reduzida dimensão e vulnerabilidade geográfica, e não por nível de rendimento, incluindo economias desenvolvidas como Singapura – atingiram 684 milhões de dólares em 2025.
Esse valor representa 3,1% do total, uma quebra de 115 milhões (14,4%) face ao máximo histórico registado em 2024.
Singapura manteve-se como o maior fornecedor deste grupo, com 288 milhões de dólares, seguida do Haiti, com 101 milhões, e das Fiji, que registaram o maior aumento, com um crescimento de 35 milhões, para 61 milhões de dólares.
Quanto às categorias de bens e serviços, medicamentos, contracetivos e vacinas mantiveram-se como o maior segmento de compras da ONU em 2025, atingindo quatro mil milhões de dólares – um valor praticamente inalterado face a 2024, mas que, numa ONU a comprar menos no total, viu o seu peso relativo subir de 15,5% para 17,6%.
A UNICEF manteve-se como a maior organização compradora neste segmento, com 2,6 mil milhões de dólares, seguida da Organização Pan-Americana da Saúde, com 870 milhões, e do Fundo de População das Nações Unidas, com 214 milhões.
Os dez maiores segmentos de compras representaram, no total, 74,8% do total de compras da ONU em 2025, face a 74,2% no ano anterior, com serviços de gestão e administração (2,8 mil milhões de dólares) e serviços de transporte, armazenamento e correio (2,7 mil milhões de dólares) a completarem o pódio das categorias mais compradas pelo sistema da ONU.
FIM
Escrito por RafaFM
contracetivos e vacinas dominaram as compras medicamentos ONU recorreu a 227 mercados de fornecimento em 2025
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