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ONU pede 300 milhões de dólares para ajudar 1,3 milhões de pessoas na Venezuela após terramotos que fizeram quase quatro mil mortos

todayJulho 10, 2026 17

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Catia La Mar, Venezuela, 10 de julho de 2026 (RAFA.TL) – Vítimas dos violentos terramotos gémeos que atingiram a Venezuela no mês passado, bem como pessoas poupadas pela destruição, continuam a acorrer em massa aos serviços de assistência prestados por organizações não-governamentais nas zonas mais atingidas do país.

A procura por ajuda surge depois de as Nações Unidas terem lançado um apelo de cerca de 300 milhões de dólares para apoiar 1,3 milhões de pessoas com necessidades urgentes no país sul-americano, onde as organizações não-governamentais eram, até há pouco tempo, alvo de repressão governamental.

Cozinhas móveis, clínicas e hospitais de campanha ocupam agora espaços públicos no estado de La Guaira, no norte do país, onde se concentrou a maior parte da devastação.

O responsável da ONU para a ajuda de emergência, Tom Fletcher, disse à Associated Press, durante uma visita à Venezuela, que é evidente, sobretudo passadas duas semanas, que as pessoas chegam aos locais de deslocamento porque não conseguiram aceder a outros tratamentos.

A situação requer não apenas serviço de emergência, mas necessidades de saúde de mais longo prazo, o que torna essencial a presença das equipas no terreno.

Médicos que assistem a população na comunidade de Catia La Mar, no mesmo estado, reportaram esta quinta-feira um aumento de doenças de pele e de diarreia, bem como de pedidos de medicamentos para tratamento de doenças crónicas, incluindo diabetes e hipertensão arterial.

As doenças emergentes estão associadas a espaços habitacionais superlotados e a más condições de água e saneamento, situação que em muitas comunidades já existia antes dos terramotos.

Irma Echarri, de 67 anos, dirigiu-se a uma unidade móvel montada num passeio em frente a uma igreja, levando as caixas de colírio e analgésicos que habitualmente toma, na esperança de que os médicos lhe dessem novas embalagens.

Procurava ainda ser observada devido às dores que desenvolveu no nariz depois dos terramotos de 24 de junho.

A casa de Echarri não sofreu danos, mas muitos dos seus vizinhos vivem agora em abrigos temporários ou ao ar livre, depois de 190 edifícios terem colapsado e outros 856 terem ficado danificados, segundo dados das autoridades venezuelanas, nos dois terramotos consecutivos que fizeram 3.889 mortos.

O Governo da presidente em exercício, Delcy Rodríguez, estima que os terramotos deixaram cerca de 18 mil pessoas sem casa.

Os deslocados vivem atualmente em escolas, passeios, parques, praças e outros espaços públicos.

Fletcher, que dirige o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, disse à Associated Press que os Estados Unidos têm sido, até ao momento, o principal fornecedor de ajuda na resposta aos terramotos, embora grande parte da assistência no terreno esteja a ser prestada por organizações locais em parceria com organizações humanitárias internacionais.

Entre os deslocados está Zulbey Reyes, que recorreu à clínica gerida pela organização venezuelana Paluz, em parceria com a agência internacional de ajuda International Rescue Committee. Reyes, que também perdeu com os terramotos o seu emprego como ama, procurou tratamento para dores no peito que começou a sentir. A doente, de 41 anos, disse ter pensado inicialmente que se tratava de um problema cardíaco, tendo sido depois diagnosticada com uma inflamação nervosa provocada pelos gritos que deu no dia do sismo.

O representante da Organização Pan-Americana da Saúde na Venezuela, Armando Denegri, disse esta quinta-feira aos jornalistas que metade dos profissionais de saúde em La Guaira foram diretamente afetados pelos terramotos, acrescentando que alguns desapareceram, outros morreram e outros ainda foram gravemente afetados pela crise, com impacto nas respetivas famílias, sem dar mais pormenores.

O Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes estima em cerca de 37 mil milhões de dólares os danos físicos diretos causados a habitações e infraestruturas.

A presença alargada de organizações não-governamentais no país, e a liberdade com que o Governo lhes permite atualmente operar, contrasta com a repressão e perseguição a que estiveram sujeitas nos últimos anos, período em que Delcy Rodríguez exercia funções de vice-presidente do antigo Presidente Nicolás Maduro, e durante o qual essas organizações foram repetidamente acusadas de atividades antigovernamentais, tendo o gabinete local de direitos humanos da ONU sido expulso do país.

Fletcher notou que, perante uma crise desta magnitude, a política tende a ficar em segundo plano, com as pessoas a concentrarem-se em salvar o maior número possível de vidas, sublinhando ser isso que tem observado, até ao momento, na resposta à catástrofe.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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