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Díli, 7 de setembro de 2026 (RAFA) – Timor-Leste está entre os países de “risco muito elevado” de condições mais secas do que a média nos próximos três meses devido ao fenómeno El Niño, o que ameaça a época de plantio da principal cultura de milho e arroz, segundo dados fornecidos à RAFA pelo escritório do Programa Alimentar Mundial (PAM) em Díli.
O PAM confirmou à RAFA que está “a monitorizar de perto os padrões meteorológicos a nível regional”, além de manter a habitual monitorização de mercados a nível local, e que “está a preparar-se para uma resposta”.
Segundo o escritório, o caráter de país importador de Timor-Leste obriga a olhar também para outros fatores de risco, como a crise petrolífera no médio oriente e a desvalorização da rupia indonésia (IDR) – moeda de referência para grande parte dos bens importados -, ainda que esta tenha recentemente valorizado.
Segundo o relatório “Snapshot of El Niño, Indian Ocean Dipole & Middle East Crisis”, elaborado pela FAO, o PAM, a ONU Mulheres, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Gabinete de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), com dados de 28 de agosto, Timor-Leste integra o grupo de “risco muito elevado” de condições mais secas entre setembro e novembro, juntamente com a Indonésia, Filipinas, Papua Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu e Fiji.
O documento nota que Timor-Leste tem uma relação histórica de risco “muito alto” entre o El Niño e chuva abaixo da média, uma das mais fortes da região.
Segundo o relatório, embora agosto e setembro sejam normalmente meses secos em Timor-Leste, “o maior risco é que a chuva suprimida prolongue a época seca ou atrase o início da época das chuvas de 2026/27”, que normalmente começa em outubro.
Isto poderia atrasar o plantio e o estabelecimento das culturas de arroz e milho e intensificar a pressão sobre o abastecimento de água para consumo doméstico e para o gado.
O milho, principal cultura do país, é semeado entre outubro e dezembro, logo após o início das chuvas – uma altura particularmente sensível a qualquer atraso na estação chuvosa.
O relatório sublinha ainda que Timor-Leste enfrenta um “risco de convergência elevado” entre este cenário climático e o impacto da crise no médio oriente sobre os preços dos combustíveis e alimentos, dado o elevado grau de dependência de importações do país.
Segundo os dados citados, os preços do gasóleo e da gasolina em Timor-Leste subiram cerca de 27% e 39%, respetivamente, desde o início da crise, encarecendo os custos de transporte e produção agrícola.
Timor-Leste está também incluído, juntamente com o Afeganistão, o Paquistão e as Filipinas, na lista de países prioritários da Ásia e Pacífico do apelo conjunto de ação antecipatória lançado pela FAO e pelo PAM para o período de junho de 2026 a março de 2027.
Esse apelo procura angariar 202 milhões de dólares para proteger 8,8 milhões de pessoas em risco face ao El Niño a nível global, dos quais cerca de um milhão de pessoas e 25,7 milhões de dólares estão afetados à região da Ásia e Pacífico.
Segundo o documento, Timor-Leste é um dos países onde a FAO ou o PAM já dispõem de um quadro de ação antecipatória que pode ser rapidamente reforçado, tendo o país já sido alvo de uma intervenção anterior da FAO descrita como preparação “perante uma das mais duras secas agrícolas das últimas décadas”.
Entre as ações antecipatórias prioritárias identificadas para a região da Ásia e Pacífico contam-se a divulgação de alertas precoces e avisos agrícolas, transferências monetárias antecipadas, distribuição de sementes de variedades resistentes à seca e apoio à gestão da água, proteção de equipamentos de pesca e aquicultura, e apoio veterinário e alimentar ao gado.
Segundo o PAM, a coordenação sobre este dossiê está a ser feita a nível das Nações Unidas em Timor-Leste, com a agência a preparar já uma resposta operacional ao risco identificado.
Jornalista: Antonio Sampaio
Escrito por RafaFM
ONU classifica Timor-Leste como país de "risco muito elevado" perante El Niño que se aproxima
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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