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ONU aprova resolução para corrigir distorção de mapas que reduzem tamanho de África

todaySetembro 7, 2026 36

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Nova Iorque, 7 de setembro de 2026 (RAFA) – A Assembleia-Geral da ONU aprovou, por 164 votos a favor e apenas um contra, uma resolução que incentiva governos, escolas e empresas tecnológicas a abandonar mapas que fazem África parecer mais pequena do que é na realidade.

A resolução “Correct the Map” (“Corrigir o Mapa”), apresentada pelo Togo em nome do Grupo Africano e apoiada pela União Africana e pelas Baamas, foi votada na sexta-feira, com 164 países a favor, seis abstenções – Estónia, Geórgia, Lituânia, Moldova, Sérvia e Ucrânia – e o voto contra dos Estados Unidos, único país a rejeitar o texto.

O documento culmina uma campanha liderada por países africanos contra a projeção de Mercator, criada em 1569 pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator para fins de navegação marítima e que é ainda hoje o mapa-múndi mais utilizado no mundo.

Por preservar os ângulos e permitir traçar rotas em linha reta, a projeção distorce as áreas próximas dos polos, ampliando visualmente regiões como a América do Norte e a Europa, ao mesmo tempo que reduz o tamanho aparente de África e da América do Sul.

Na projeção de Mercator, o Gronelândia surge com uma dimensão semelhante à de África, quando na realidade o continente africano é cerca de 14 vezes maior.

A resolução não é vinculativa nem proíbe o uso do mapa de Mercator, limitando-se a incentivar Estados-membros, organizações internacionais, escolas e empresas de tecnologia a adotarem a projeção Equal Earth – criada em 2018 e já adotada pela União Africana em março – ou outros mapas de área equivalente, sempre que o tamanho relativo dos territórios seja relevante.

Antes da votação, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey, afirmou perante a Assembleia-Geral que “a persistência destas distorções nos mapas causou, ao longo do tempo, consequências significativas”, sublinhando que “os mapas moldam a nossa compreensão do mundo.

Guiam a educação, alimentam a imaginação e influenciam as perceções coletivas”. Horas antes do voto, a França anunciou que vai abandonar a projeção de Mercator nos seus próprios mapas.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, discursou na Sorbonne, em Paris, afirmando que “os Estados Unidos, a Rússia e a China assumem uma proeminência visual desproporcionada em comparação com África, a América Latina ou o sudeste asiático” e que “as distorções acabam por se enraizar nas perceções”.

Os Estados Unidos criticaram a iniciativa. Segundo a imprensa internacional, o representante norte-americano classificou a discussão sobre “projetos de mapas do século XVI e o seu papel na promoção de reparações e da justiça cognitiva” como um desvio dos verdadeiros desafios à paz internacional, considerando que resoluções deste tipo “são cracas no trabalho desta instituição e a razão pela qual está a perder credibilidade”.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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