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Díli, 3 de junho de 2026 (RAFA.TL) – A organização La’o Hamutuk alerta que Timor-Leste continua altamente vulnerável a crises energéticas e alimentares globais devido à sua forte dependência de combustíveis fósseis importados, fontes externas de alimentos e receitas petrolíferas.
Num contexto de instabilidade internacional e de aumento dos preços do petróleo, a instituição defende reformas estruturais urgentes para reduzir os riscos e construir a soberania económica.
“As crises globais não são meramente temporárias, mas expõem uma vulnerabilidade estrutural que não tem recebido a devida atenção durante muitos anos, especialmente a forte dependência do gasóleo, dos alimentos importados e das receitas petrolíferas”, refere o artigo.
A organização alerta que a atual instabilidade internacional, marcada por tensões e conflitos no Médio Oriente, tem um impacto direto nos mercados globais de energia e alimentação, afetando países altamente dependentes de importações, incluindo Timor-Leste.
Segundo a instituição, o aumento dos preços do petróleo, a instabilidade no transporte marítimo e as interrupções nas cadeias de abastecimento agravam o custo de vida e afetam diretamente a eletricidade, os transportes e os bens essenciais.
“Timor-Leste ainda não possui uma soberania energética e alimentar robusta e utiliza as receitas do petróleo para sustentar as importações e o consumo, enquanto a base produtiva nacional permanece frágil”, destaca a análise de La’o Hamutuk.
La’o Hamutuk sublinha que o sistema eléctrico nacional depende quase inteiramente de combustíveis fósseis importados.
Os dados citados no artigo indicam que a EDTL gastou aproximadamente 107 milhões de dólares em combustíveis em 2023 e cerca de 112 milhões de dólares em 2024, sendo que os números de 2025 ainda não estão disponíveis.
“A vulnerabilidade energética e alimentar não é um risco teórico, mas uma realidade estrutural que exige uma resposta estratégica e sustentável”, sublinha o documento.
Para a organização, esta dependência resulta de um modelo económico centrado no consumo e nas importações, em vez do reforço da produção nacional.
A situação é agravada pelas alterações climáticas, com as secas, as inundações e a escassez de água a afetarem a agricultura e a segurança alimentar.
A La’o Hamutuk defende que o país deve investir na expansão da irrigação, no armazenamento de alimentos, na agroindústria e no reforço das cadeias de valor locais, bem como na criação de mecanismos para que as escolas, hospitais e outras instituições públicas possam comprar mais produtos nacionais.
“A energia solar, as mini-redes rurais e a eficiência energética são essenciais para reduzir a dependência de combustíveis importados e os custos a longo prazo”, destaca o artigo.
No setor energético, a La’o Hamutuk defendeu uma transição urgente para as energias renováveis. Segundo o artigo, esta transição deverá ser gradual, mas iniciada agora através de investimentos anuais consistentes.
Na vertente económica, a organização alerta que o modelo atual depende excessivamente das receitas petrolíferas, das importações e do consumo, em vez dos investimentos produtivos.
“Os recursos petrolíferos devem ser utilizados com prudência para construir a capacidade produtiva nacional e não apenas para sustentar o consumo e as importações”, conclui a La’o Hamutuk.
A La’o Hamutuk conclui que a atual crise mundial expõe profundas fragilidades na economia timorense, mas representa também uma oportunidade para o país avançar para um modelo mais soberano, sustentável e resiliente, assente na produção interna e na redução da dependência externa.
FIM
Escrito por RafaFM
ONG considera que dependência crítica de energia e alimentos mostra vulnerabilidades de Timor-Leste
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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