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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – A participação de investigadores timorenses na missão OceanX 2025 contribuiu para o reforço dos conhecimentos e competências em investigação sobre biodiversidade e recursos marinhos em Timor-Leste, criando oportunidades para o desenvolvimento da ciência marinha nacional.
As experiências foram partilhadas esta sexta-feira por Alzira dos Santos, especialista em Recursos Costeiros e Marinhos, e Deonisio Matos, estudante de Ciências da Pesca e do Mar, ambos da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTL), durante o Timor-Leste OceanX Symposium: Science for a Blue Future, no Centro de Convenções de Díli.
Para Deonisio Matos, a participação na missão representou uma importante oportunidade de aprendizagem de novas técnicas de investigação, particularmente na recolha, observação e tratamento de dados científicos.
“Com a OceanX, pude conhecer melhor o nosso mar, aprender a recolher dados e a fazer observações corretamente, trabalhando diretamente com colegas e cientistas internacionais”, afirmou.
Durante a missão, Deonisio participou na recolha de diferentes tipos de dados e amostras, incluindo amostras para investigação microbiológica. Explicou que estes dados poderiam servir de base para futuros trabalhos científicos.
A experiência permitiu ainda aos investigadores timorenses desenvolver competências em planeamento de expedições, trabalho de campo, levantamento marinho e técnicas de amostragem, para além de proporcionar o contacto com novas ferramentas e métodos de investigação.
Alzira dos Santos destacou a experiência de trabalhar com cientistas internacionais no estudo da biodiversidade e da megafauna marinha, incluindo a utilização de tecnologias modernas para recolher dados em zonas de águas profundas.
Segundo a especialista, os dados e amostras recolhidos durante a missão podem continuar a gerar conhecimento muito depois do término da expedição, desde que Timor-Leste tenha capacidade para os preservar, analisar e utilizar em novas pesquisas.
“Na investigação marinha, precisamos de pessoas, tecnologia e dados. A tecnologia, por si só, não chega; precisamos de pessoas com capacidade para a gerir e produzir dados que sirvam de base para a continuidade da investigação”, afirmou.
Para Alzira, este deve ser um dos principais legados da OceanX: permitir a Timor-Leste desenvolver a sua própria capacidade de continuar a estudar os seus recursos marinhos.
A investigadora destacou ainda o potencial da biodiversidade marinha timorense, sublinhando que mesmo em zonas relativamente pouco profundas é possível encontrar uma grande diversidade de recursos.
Segundo Alzira, num mergulho a cerca de 18 metros de profundidade, a equipa já encontrou uma quantidade significativa de recursos marinhos, o que aumenta a possibilidade de existirem riquezas biológicas ainda maiores em zonas mais profundas, que permanecem pouco estudadas.
“Temos uma riqueza marinha muito bonita. Com um mergulho de apenas 18 metros, encontramos muitos recursos”, afirmou.
Enquanto especialista ligada à UNTL, Alzira defendeu que o conhecimento produzido pela missão deve também ser incorporado na educação, permitindo aos estudantes timorenses aceder a novas informações sobre a biodiversidade e os recursos marinhos nacionais.
Segundo os dois investigadores, a experiência do projeto OceanX demonstrou que o desenvolvimento das ciências marinhas em Timor-Leste dependerá da colaboração contínua entre as universidades, o governo, as instituições nacionais, as comunidades e os parceiros internacionais.
O objetivo, defendem, deve ser passar progressivamente da participação em missões internacionais para o fortalecimento da capacidade nacional de produzir, gerir e utilizar dados científicos sobre o próprio oceano.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
OceanX reforça formação de investigadores timorenses e abre caminho a novas pesquisas marinhas
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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