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O homem que não se move: “Lumumba Vea” chega finalmente ao Mundial para ver a RDC Congo na última jornada

todayJunho 25, 2026 18

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Díli 26 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Michel Kuka Mboladinga, o adepto da República Democrática do Congo que se tornou viral ao permanecer completamente imóvel durante os 90 minutos dos jogos da sua seleção, deverá finalmente estar presente no domingo em Atlanta no jogo decisivo da RDC Congo frente ao Uzbequistão.

O “Homem Estátua” falhou a estreia da RDC no Mundial por impedimentos relacionados com o surto de Ébola que afeta o seu país e obrigou a um período de quarentena.

Mboladinga, de 49 anos, é conhecido em todo o mundo como “Lumumba Vea” – expressão que significa “Lumumba Vive”, numa homenagem direta ao primeiro-ministro e herói da independência congolesa Patrice Lumumba, assassinado em 1961 e símbolo maior do pan-africanismo e da luta pela soberania do Congo.

O ritual é simultaneamente pessoal e político: ao permanecer de pé, estático, enquanto as bancadas cantam, agitam bandeiras e reagem a cada lance, Mboladinga transforma-se numa espécie de monumento vivo, uma estátua em memória de Lumumba no meio da multidão.

Com o corpo afirma que a identidade nacional congolesa não se esgota no ruído mas também na resistência silenciosa.

O fenómeno ganhou dimensão internacional durante a Taça das Nações Africanas deste ano, quando os vídeos do homem imóvel no meio de bancadas em erupção se espalharam pelas redes sociais com as etiquetas #LumumbaVea e #WorldCup, chegando a audiências muito além do mundo do futebol.

Além da sua atividade como adepto, Mboladinga trabalha como animador do clube AS Vita, um dos mais históricos do futebol congolês, e a fama viral valeu-lhe atenção comercial e estatuto de símbolo nacional.

A ausência no jogo de estreia contra Portugal, em Houston, gerou tal consternação no seio da própria equipa que os jogadores intercederam pessoalmente junto do Presidente da República, Félix Tshisekedi, para que Mboladinga fosse integrado na delegação oficial congolesa ao torneio.

O motivo do impedimento foi o mesmo que tinha ensombrado a preparação de toda a equipa: os Estados Unidos impuseram um protocolo rigoroso de isolamento preventivo à delegação congolesa em resultado do surto de Ébola da estirpe Bundibugyo que levou a OMS a declarar emergência de saúde pública de âmbito internacional.

A intervenção presidencial acabou por desbloquear a situação e Mboladinga deverá estar em Atlanta no domingo.

A ironia é que a RDC Congo não precisou dele para conseguir um dos resultados mais emotivos da primeira semana do torneio.

Sem o seu “estátua” nas bancadas do NRG Stadium de Houston, os “Leopardos” arrancaram um empate histórico a 1-1 com Portugal – o primeiro ponto e o primeiro golo da RDC Congo numa fase final de um Mundial em 52 anos, desde que o país participou em 1974 como Zaire numa edição que ficou tristemente recordada pela derrota por 9-0 frente à Jugoslávia.

Yoane Wissa marcou de cabeça antes do intervalo para responder ao golo inicial de João Neves, num resultado que alterou imediatamente o equilíbrio do Grupo K e fez a história ser reescrita nas bancadas com lágrimas e cantos da resistência.

A chegada de Mboladinga a Atlanta carrega por isso uma simbologia de camadas múltiplas.

A equipa já provou que sabe competir sem ele no estádio.

Mas a presença do homem que acredita que a sua imobilidade ritual transmite “resistência emocional” aos jogadores, num jogo em que a RDC Congo precisa de vencer o Uzbequistão e torcer por outros resultados para manter vivas as esperanças de apuramento como um dos melhores terceiros classificados, será impossível de ignorar.

Para os adeptos congoleses que enchem os estádios norte-americanos ao som dos cânticos da independência, “Lumumba Vea” não é apenas um homem que não se move.

É uma declaração de que o Congo chegou, e que não vai sair sem que seja visto.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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