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Nobel da Paz Kailash Satyarthi defende “globalizar a compaixão” para responder à pobreza nos países menos desenvolvidos

todayAgosto 24, 2026 53

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Díli, 24 de  agosto de 2026 (RAFA) – O ativista indiano Kailash Satyarthi, Prémio Nobel da Paz 2014, defendeu na Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento em Díli que o mundo tem “responsabilidade moral coletiva” para com os países menos desenvolvidos (LDCs) e apelou a que se “globalize a compaixão”.

No encontro que reúne dezenas de especialistas de todo o mundo, Satyarthi defendeu que a tecnologia deve servir “o desenvolvimento humano” e não apenas o lucro, e insistiu que investir nos LDCs “não é caridade”.

“Crianças nestes países que são saudáveis e educadas” traduzem-se em maior “retorno económico global” e em maior potencial humano.

Motivo pelo qual, disse, é necessário adotar políticas construídas com base na compaixão, entendida como “sentir os problemas dos outros como nossos e tomar ações urgentes para os resolver”.

“Globalizámos tudo – tecnologia, comércio, inteligência artificial. Por isso, globalizemos a compaixão”, concluiu.

Satyarthi começou por elogiar o percurso de Timor-Leste.

“Toda a gente sabe como Timor-Leste atravessou ocupação, violência, conflito, pobreza e sofrimento. Mas toda a gente pode sentir-se orgulhosa por terem escolhido resiliência em vez de vingança, paz em vez de violência, esperança em vez de medo”, afirmou, acrescentando que a própria cimeira representa “a escolha de ciência para o desenvolvimento, não para a ambição de poder e lucro”.

O laureado questionou a ideia de que o crescimento económico é o único motor de progresso.

“Há países a redefinir isso, a usar o potencial humano como motor de desenvolvimento”, disse, notando que os 44 países classificados como LDCs concentram 14% da população mundial, mas contribuem com “pouco mais de 1,4%” para o PIB global.

“Não podem ser culpados por isso”, sublinhou.

Para ilustrar o que classificou como injustiças globais, Satyarthi deu dois exemplos.

Na Costa do Marfim, “um dos maiores produtores de cacau” do mundo, “as crianças de lá nunca tinham provado chocolate”.

Na República Democrática do Congo, maior produtor mundial de cobalto – matéria-prima essencial para baterias de veículos elétricos -, “estas crianças entram nas minas em perigo, a enfrentar riscos de saúde”, apesar de não serem “responsáveis pela sua pobreza”.

Satyarthi argumentou que a comunidade internacional tem recursos de sobra para resolver o problema.

“O mundo gasta 30 vezes mais dinheiro em armas e exércitos, em defesa, do que é necessário para acabar com a fome”, disse, acrescentando que bastariam “53 mil milhões de dólares” – valor que estimou já poder ter subido para “70 mil milhões” – para garantir “educação, saúde e proteção” a todas as crianças de países de rendimento baixo e LDCs. “Não é assim tão caro”, afirmou.

O ativista defendeu que a responsabilidade é partilhada entre a liderança dos países mais pobres e as nações ricas, que “repetem promessas” de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável sem as cumprir.

Recordou que muitos LDCs gastam já uma percentagem do PIB em saúde e educação superior à das nações desenvolvidas, “só que esses gastos não são suficientes”.

Criticou ainda o incumprimento generalizado do compromisso histórico de canalizar 0,7% do rendimento nacional para ajuda ao desenvolvimento, quando “a média tem sido entre quase 0 e 0,2%”, e lamentou que a meta global de acabar com o tráfico e o trabalho infantil até 2025 não tenha sido cumprida.

Kailash Satyarthi é fundador do movimento indiano Bachpan Bachao Andolan (Movimento Salvar a Infância), dedicado ao combate ao trabalho infantil e ao tráfico de crianças, e foi galardoado com o Nobel da Paz em 2014, partilhado com a ativista paquistanesa Malala Yousafzai.

A Cimeira de Ciência para o Desenvolvimento 2026 decorre até terça-feira no Centro de Convenções de Díli (CCD) e é aberta ao público.

A RAFA é parceira de media da cimeira e vai transmitir em direto, com tradução em tétum, todas as sessões do evento, além de garantir um acompanhamento noticioso detalhado.

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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