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Shandur, 18 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Enquanto o planeta tem os olhos virados para o Mundial de Futebol 2026, milhares de pessoas, a 3.700 metros de altitude no Paquistão, celebraram uma tradição milenar: o Festival de Polo de Shandur, no campo de polo mais alto do mundo.
O contraste não podia ser mais gritante.
De um lado, o maior espetáculo desportivo do planeta, com estádios de última geração, árbitros de vídeo, contratos milionários, o peso comercial de décadas de globalização desportiva e uma audiência de mais de mil milhões.
Do outro, um planalto remoto a 3.700 metros de altitude no Passo de Shandur, na fronteira entre as regiões paquistanesas de Gilgit-Baltistão e Khyber Pakhtunkhwa, onde cavalos e maços de madeira dão vida a uma tradição que antecede em séculos qualquer Copa do Mundo.
O ponto alto da edução deste ano foi a vitória da equipa de Gilgit-Baltistão sobre os históricos rivais de Chitral, por 6-5, numa final disputada ao longo de quase uma hora que manteve os espectadores em suspense até ao apito final.
Foi o primeiro troféu da equipa em mais de uma década, e a celebração que se seguiu reuniu jogadores e adeptos com bandeiras, cânticos e abraços num campo rodeado de montanhas nevadas.
Nas bancadas improvisadas ao longo da encosta rochosa, famílias, turistas e residentes locais sentaram-se lado a lado.
Crianças agitavam bandeiras, idosos observavam envoltos em xailes de lã e grupos de amigos vibravam com cada lance de um jogo veloz que transformou o remoto planalto numa festa comunitária.
Chamado o “jogo dos reis” – o polo é historicamente associado à realeza e às elites em todo o mundo -, em Shandur o desporto reveste-se de um espírito radicalmente diferente.
O polo de montanha de estilo livre praticado aqui é considerado uma das formas mais antigas do desporto ainda em atividade.
Sobrevive enraizado não nos clubes privados da Argentina ou da Inglaterra, mas nas comunidades das montanhas do norte do Paquistão, onde o cavalo sempre foi parceiro de vida e não apenas instrumento de competição.
Não há VAR. Não há patrocinadores globais. Não há transmissões com direitos negociados por centenas de milhões.
Há a montanha, o vento fino da altitude, os cavalos, os maços de madeira e o orgulho de comunidades que preservam uma herança cultural que a modernidade não conseguiu apagar.
O festival de três dias, organizado com o apoio do Exército paquistanês e dos governos provinciais de Khyber Pakhtunkhwa e Gilgit-Baltistão, estendeu-se muito além do campo de jogo.
O planalto transformou-se num palco de música, danças folclóricas e gastronomia local, com a cerimónia de encerramento presidida pelo comandante do Corpo de Peshawar, general Omar Ahmed Bokhari, evidenciando o reconhecimento oficial do festival como pilar do património cultural e do turismo regional.
FIM
Escrito por RafaFM
No "telhado do mundo" tradição e desporto um festival com séculos celebra cultura
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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