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Sarajevo, 5 de outubro de 2026 (RAFA) – O nacionalista sérvio-bósnio Milorad Dodik declarou vitória do seu partido nas eleições gerais de domingo na Bósnia-Herzegovina, apesar de ele próprio estar impedido de concorrer, numa votação marcada por baixa afluência e tensões étnicas.
Dodik, político pró-russo e antigo presidente da República Sérvia da Bósnia (Republika Srpska), entidade de maioria sérvia, não estava no boletim de voto. Foi proibido de exercer cargos públicos depois de, no ano passado, ter sido condenado por desafiar decisões do enviado internacional que supervisiona o acordo de paz de 1995.
Com quase 90% dos votos contados, a sua aliada Željka Cvijanović, da Aliança dos Sociais-Democratas Independentes, tinha mais de 55% para um dos três lugares da presidência tripartida do país. Liderava o adversário mais próximo por cerca de 30 pontos percentuais.
Numa conferência de imprensa na noite de domingo, Dodik afirmou que o seu partido terá uma “vasta maioria” na assembleia da República Sérvia da Bósnia.
Atribuiu o resultado à “magnífica vitória” do Presidente norte-americano, Donald Trump, em 2024 e ao apoio do Presidente russo, Vladimir Putin. “Ninguém deve pedir-nos que mudemos a nossa política”, declarou.
Na corrida para o lugar croata da presidência, Darijana Filipović, da União Democrática Croata da Bósnia-Herzegovina, tinha uma vantagem confortável, com mais de 94% dos votos contados.
No lugar bósnio-muçulmano, o atual membro da presidência, Denis Bećirović, do Partido Social-Democrata, liderava Bakir Izetbegović por menos de três pontos percentuais. Filipović e Bećirović declararam vitória ainda antes de concluída a contagem.
A Comissão Eleitoral Central indicou que votaram 1.432.269 pessoas, uma afluência de 42%, cerca de oito pontos percentuais abaixo da registada em 2022. Cerca de 3,4 milhões de eleitores podiam escolher os três membros da presidência, os deputados ao parlamento nacional e os dirigentes das duas entidades do país: a Federação da Bósnia-Herzegovina, de maioria muçulmana, e a República Sérvia da Bósnia.
Na sexta-feira, no último comício do partido em Banja Luka, capital administrativa da entidade sérvia, Dodik disse que a Bósnia “está morta” e que é “um país impossível”. O comício contou com a presença do embaixador russo, Igor Khalabukov.
O analista Dragan Bursać considerou que Dodik, que não aparece num boletim de voto pela primeira vez em quase 30 anos, “continua a mandar” e “está em todo o lado”. Segundo o analista, as medidas para o afastar da vida política “não estão a funcionar”.
As divisões políticas e étnicas, em que bósnios-muçulmanos, sérvios e croatas votam em grande parte segundo critérios étnicos, têm bloqueado o avanço do país para a adesão à União Europeia, apesar dos esforços de Bruxelas para incentivar os dirigentes a trabalharem em conjunto.
As eleições decorreram ainda num clima de feridas de guerra reabertas. A Bósnia continua a recuperar do conflito de 1992-95, que fez mais de 100 mil mortos e milhões de deslocados. Na Sérvia e entre os sérvios da Bósnia foi recentemente prestada homenagem pública ao antigo comandante militar Ratko Mladić, que morreu no final de agosto quando cumpria prisão perpétua por genocídio e outros crimes de guerra.
Foi a primeira vez que a Bósnia usou identificação eletrónica de eleitores e digitalizadores de boletins, para evitar irregularidades e manipulação organizada de votos, que lançaram dúvidas sobre eleições anteriores. Em várias assembleias de voto, a votação não arrancou à hora prevista por dificuldades com a nova tecnologia. A comissão eleitoral autorizou algumas assembleias afetadas a manterem-se abertas depois das 19h00, hora prevista para o fecho. Segundo o Ministério do Interior da República Sérvia da Bósnia, registaram-se atrasos em 201 das 1.957 assembleias de voto da entidade.
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Escrito por RafaFM
com baixa afluência e tensões étnicas Nacionalista sérvio-bósnio declara vitória na Bósnia
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