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Multiplicam-se mensagens de pesar em recordação de Paula Pinto e da sua dedicação à luta contra a ocupação

todayJulho 13, 2026 314 5

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Díli, 13  de julho de 2026 (RAFA.TL) – Multiplicaram-se nas últimas horas, dentro e fora de Timor-Leste, as mensagens de pesar pela morte de Paula Pinto, com dirigentes e outras individualidades a recordarem uma militante da frente externa da luta contra a ocupação indonésia, que faleceu hoje em Díli.

“Para mim fica um grande vazio. Foi parte da luta no plano externo durante muito tempo e mesmo na transição para o referendo arricscou tudo para estar a lado do então presidente do CNRT (Xanana Gusmão, em Salemba). Deixa um vazio muito grande”, disse o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, à RAFA.TL.

“Era uma figura de estatura pequena, mas que ocupava um espaço enorme. De convicções muito fortes, sem qualquer dúvida. Vivia do seu trabalho e nunca pediu nada. Tinha as sua posições e convicções, e era inabalável, mas sabia cooperar e servir. Sem papas na língua. Por isso alguns não conseguiram entender bem a pessoa”, considerou.

Alkatiri admite que é pena o seu papel não ter sido reconhecido em vida, afirmando que “se calhar ela própria não tinha essa vontade”, vincando que “há pessoas que só são reconhecidas depois de nos deixarem”.

“Para mim fica um grande vazio. Esteve no meu gabinete e conseguia entender-me com ela. Mas conhecia a Paulo há 50 anos em Moçambique quando era interpretes de congressos. Uma grande personalidade, de muitas convicções, retidão nos seus atos e cooperando, mas sem vergar”, afirmou.

Para o ex-Presidente Taur Matan Ruak, morreu “uma grande amiga de Timor-Leste” e uma grande amiga pessoal, com quem partilhou casa durante 10 ou 15 anos.

“Nós perdemos uma grande amiga de Timor-Leste. Vivemos debaixo do mesmo teto nos primeiros 10 e 15 anos. E somos vizinhos. Soube da morte no Suai, onde estou em viagem. Estou agora no caminho de volta a casa. Fiquei muito triste”, disse á RAFA.TL.

“Manifestamos o nosso profundo sentimento de condolência ao doutor Roque, à família da Paula em Portugal e todos os amigos em Díli”, explicou.

Questionado sobre o facto de Paula Pinto ainda não ter sido reconhecida pelo Estado, explicou que muitas das condecorações de pessoas da frente externa ainda estavam em processo.

“Tudo estava em processo realmente. Na parte da frente externa, muitos deles ainda não foram reconhecidos, não terminou o processo. De qualquer das formas, o Estado vai prestar uma homenagem”, explicou.

Também Nilton Gusmão, CEO da ETO lamentou profundamente, recordando que Paula Pinto é alguém que nunca esquecerá, e que o incentivou, em 2000, a fortalecer o projeto da Rádio Falintil, hoje a RAFA FM.

“Nunca me esquecerei dela. Foi uma das pessoas que mais me incentivou e encorajou a viajar para Portugal para representar a RAFA na Conferência de Radiodifusão em Língua Portuguesa, organizada pela Rádio Universitária de Trás-os-Montes”, disse.

“Graças ao seu incentivo, tive a oportunidade de conhecer de perto os serviços de radiodifusão em Portugal, aprender com a sua experiência e alargar a minha visão sobre a comunicação social. Foi uma experiência marcante que contribuiu para o meu crescimento pessoal e profissional. Guardarei para sempre a sua confiança, o seu apoio e a dedicação com que serviu Timor-Leste. Que descanse em paz e que o seu legado continue a inspirar as futuras gerações”, disse ainda.

Nilton Gusmão recordou que foi a Paula que tratou de tudo para que pudesse viajar a Portugal pela primeira vez para esse congresso.

Também a embaixadora Pascoela dos Santos Barreto lamentou a perda.

“Não tenho palavras que cheguem para manifestar a minha tristeza com mais esta notícia inesperada da morte da Paula. Conheci a Paula, através do meu amigo Roque Rodrigues durante os longos e difíceis anos da luta pela independência de Timor-Leste”, escreveu na sua página no Facebook.

“Era uma grande amiga e apoiante incondicional da nossa causa. Em 1999 quando surgiu o convite para ela ir a Jacarta organizar um gabinete de apoio a Xanana Gusmão, em Salemba, a Paula não hesitou em aceitar essa tarefa, deixando para trás a sua profissão, a família e os amigos. Obrigada, querida Paula por tudo quanto deste e fizeste por Timor-Leste. Roque com profunda tristeza, abraço-te com muita força”, escreveu ainda.

Para o embaixador Dionísio Babo Soares, foi uma “guerreira incansável na defesa de Timor-Leste, que nunca pediu para ser reconhecida”.

Outras pessoas recordam o seu trabalho, como interprete e tradutora, nomeando, como exemplo, a tradução do relatório da Comissão de Acolhimento da Verdade e Reconciliação (CAVR), “Chega”, e o facto de que foi a primeira pessoa a fazer uma doação de livros à biblioteca da EPD, querendo manter o anonimato.

“Entregou à escola um significativo espólio de química, entre outros livros”, disse uma antiga responsável da EPD.

Cesar Dias Quintas, que foi segurança de Xanana Gusmão durante longos anos, incluindo em Salemba, recordou ter conhecido Paula Pinto na casa-prisão em 1999, lembrando o seu trabalho e dedicação.

“A Mana Paula contribuiu fortemente e sem limites para a independência de Timor-Leste. Ela amava verdadeiramente Timor-Leste como se fosse a sua própria terra. Muitos timorenses não a conheciam, mas ela conhecia Timor-Leste melhor do que muitos timorenses. Foi uma pessoa de grande integridade, dedicação e determinação. É uma perda sentida a de uma pessoa simples, mas cuja contribuição foi enorme para o processo de independência de Timor-Leste. Boa viagem, Mana Paula”, escreveu no Facebook.

Militante da causa timorense desde os últimos anos da década de 1970 – quando trabalhou ao lado de Roque Rodrigues e da resistência timorense na mobilização para a luta junto dos PALOP – Paula Pinto nasceu em Oxford a 10 de maio de 1957 e era, oficialmente, companheira de Roque Rodrigues desde 3 de julho de 1995.

O pai estava na cidade inglesa a fazer um doutoramento, quando Paula Pinto nasceu. Depois andou num vai e vem com a família entre a Inglaterra e Portugal – “o Salazar não gostava muito do meu sogro”, contou Roque Rodrigues.

Ao longo da ocupação esteve na linha da frente da militância, e em 1999 foi a primeira de três mulheres que montaram o gabinete de apoio ao preso mais famoso da Indonésia, Xanana Gusmão, em Salemba, Jacarta, onde chegou a 12 de fevereiro.

Fontes ouvidas pela RAFA.TL explicaram que as autoridades timorenses estão a analisar a possibilidade de concessão à Paula Pinto da nacionalidade timorense, postumamente, processo que terá que passar por aprovação no Parlamento Nacional.

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Escrito por RafaFM

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Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.

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