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Mortes no sismo na Venezuela sobem para 3.535, mas balanço final pode nunca ser conhecido

todayJulho 7, 2026 13

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Caracas, 07 julho 2026 (RAFA.TL) – O balanço de vítimas mortais dos dois sismos que atingiram a Venezuela a 24 de junho subiu para 3.535, com as operações de busca e salvamento praticamente terminadas, 12 dias depois da catástrofe e especialistas a admitirem que o balanço final pode nunca ser conhecido.

Equipas nacionais e internacionais que têm estado envolvidas em tentativas de busca e salvamento de sobreviventes estão já a reduzir a sua atuação, com o foco agora a ser na tentativa de recolha de corpos.

Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram o noroeste e o centro do país a 24 de junho, com epicentro no município de Veroes, a oeste de San Felipe, capital do estado de Yaracuy.

O abalo principal foi o mais forte registado na Venezuela desde o sismo de San Narciso, em 1900, e provocou danos generalizados, sobretudo em La Guaira e Caracas.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o número final de vítimas mortais deverá situar-se entre 10 mil e 100 mil, tendo em conta a escala da destruição – uma projeção muito acima do balanço oficial atualmente divulgado pelas autoridades venezuelanas.

Passada a janela crítica de 72 horas após o desastre – considerada essencial para localizar sobreviventes -, as operações de busca têm vindo a transitar progressivamente de um esforço de salvamento para uma fase de recuperação de corpos.

Ainda assim, resgates pontuais continuaram a acontecer semanas depois do sismo, incluindo o caso de um homem retirado com vida de um centro comercial destruído em Catia La Mar, após uma operação de 120 horas.

Inúmeras equipas e mais de 3.700 socorristas de cerca de 30 países estiveram envolvidos nas operações de busca e salvamento, apoiados por mais de 30 mil trabalhadores de emergência venezuelanos.

Segundo dados das Nações Unidas, foram destacados 44 equipas internacionais de busca e salvamento urbano, com 2.245 especialistas e 140 cães de resgate.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, garantiu por diversas vezes que as operações não seriam suspensas enquanto continuassem a ser recuperadas pessoas com vida, mas o ritmo das buscas tem vindo a abrandar, à medida que as hipóteses de encontrar sobreviventes diminuem.

Dezenas de milhares de pessoas continuam por localizar, segundo um sítio não oficial criado para ajudar famílias a partilhar informações sobre desaparecidos – dados que não foram verificados de forma independente e que podem incluir pessoas apenas separadas dos seus familiares.

Ilan Kelman, professor de desastres e saúde no University College London, admitiu existir a possibilidade de o número real de vítimas mortais nunca vir a ser totalmente conhecido.

Segundo o especialista, seriam ainda expectáveis mortes adicionais resultantes de ferimentos, devido às limitações do sistema de saúde venezuelano, já de si fragilizado por anos de subinvestimento, falta de equipamento e escassez de pessoal médico.

A demora na resposta tem sido também atribuída à falta de maquinaria pesada e de material médico.

Segundo o jornal norte-americano The New York Times, poderá demorar bastante tempo até ser publicado um balanço final consolidado, num cenário comparável ao do furacão Maria, em Porto Rico, ou ao sismo e tsunami do oceano Índico de 2004 – ambos exemplos em que os números oficiais de vítimas mortais só foram estabelecidos com precisão muito depois das catástrofes.

Responsáveis venezuelanos têm sido confrontados com críticas de que o balanço oficial estará subavaliado.

Uma patologista forense que trabalha numa morgue improvisada em La Guaira, e que pediu anonimato por recear represálias, disse à CNN acreditar que o número oficial representa “menos de um terço” da realidade, referindo que a instalação onde trabalha processa cerca de 400 corpos por dia, muitos deles em avançado estado de decomposição.

Rafael Velásquez, responsável da equipa de resposta a emergências do International Rescue Committee, alertou que, com o desvanecer da atenção mediática internacional, o número de afetados, feridos e mortos deverá continuar a aumentar, devido ao colapso do sistema de saúde local.

Mais de 58 mil edifícios terão sido danificados ou destruídos, segundo uma análise de dados de satélite realizada por investigadores da Universidade do Oregon com recurso ao satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia. Mais de 17 mil pessoas ficaram sem casa.

FIM

 

 

Escrito por RafaFM

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