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Morreu Paula Pinto, uma das militantes de longa data da luta pela autodeterminação timorense

todayJulho 13, 2026 303 2 5

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Díli, 13 de julho de  2026 (RAFA.TL) – Paula Pinto, uma das militantes de longa data da luta pela autodeterminação timorense, morreu hoje em Díli, depois de um período de doença, confirmou à RAFA.TL o seu companheiro, Roque Rodrigues.

Paula Pinto, que completou em maio 69 anos, faleceu depois de uma luta contra uma infeção pulmonar.

“A Paula foi o melhor que me aconteceu na vida. Acompanhou-me em tudo, nos bons e nos maus momentos. Eu é que acho que nem sempre estive à altura da Paula”, disse Roque Rodrigues.

Militante da causa timorense desde os últimos anos da década de 1970 – quando trabalhou ao lado de Roque Rodrigues e da resistência timorense na mobilização para a luta junto dos PALOP – Paula Pinto nasceu em Oxford a 10 de maio de 1957 e era, oficialmente, companheira de Roque Rodrigues desde 3 de julho de 1995.

O pai estava na cidade inglesa a fazer um doutoramento, quando Paula Pinto nasceu. Depois andou num vai e vem com a família entre a Inglaterra e Portugal – “o Salazar não gostava muito do meu sogro”, contou Roque Rodrigues.

Ao longo da ocupação esteve na linha da frente da militância, e em 1999 foi a primeira de três mulheres que montaram o gabinete de apoio ao preso mais famoso da Indonésia, Xanana Gusmão, em Salemba, Jacarta, onde chegou a 12 de fevereiro.

O Presidente da República, José Ramos-Horta, lamentou hoje a perda, recordando o seu grande contributo para Timor-Leste.

“Sem dúvida esteve toda a ocupação ao lado dos timorenses. Ainda ontem de manhã, depois de semanas sem notícias deles, fui visitar a Paula, depois de ter conversado com o Dr Roque Rodrigues. Ainda estivemos a conversar mais ou menos uma hora”, contou Ramos-Horta à RAFA.FL.

“Senti que a Paula estava muito debilitada. Tinha estado duas semanas internada no hospital na UCI. Uma equipa medica cubana, socorreu, fez tudo com grande profissionalismo, algo que ambos enfatizaram ontem. Via-se que estava extremamente debilitada. Mas não esperava esta manhã receber a noticia do seu falecimento”, considerou.

Ramos-Horta disse que a morte de Paula Pinto é “uma perda grande” para Timor-Leste.

“A Paula, foi uma das grandes militantes da causa de Timor-Leste, em Portugal, pela Europa e África e depois aqui em Timor-Leste, onde continuou a trabalhar. Não parava um minuto, sempre a apoiar da forma que podia, que lhe fosse solicitada. Sempre voluntaria, sem expetativa de reconhecimento de forma alguma”, afirmou.

Por desejos da própria Paula Pinto, não haverá velório. O corpo está atualmente na casa mortuária do HNGV de onde seguirá para o cemitério.

FIM

Escrito por RafaFM

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