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MNE australiana convoca embaixador israelita após Israel isentar soldados pela morte de Zomi Frankcom

todayAgosto 20, 2026 36

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Camberra, 20 de agosto de 2026 (RAFA) – A ministra australiana dos Negócios Estrangeiros, Penny Wong, convocou hoje o embaixador de Israel na Austrália depois de as autoridades israelitas terem isentado de responsabilidade criminal os soldados envolvidos no ataque que matou a australiana Zomi Frankcom, em 2024.

As forças armadas israelitas anunciaram na noite de quarta-feira ter concluído a análise de 150 incidentes envolvendo a conduta de tropas em Gaza, tendo decidido cinco casos, entre os quais o ataque de 1 de abril de 2024 contra um comboio humanitário que integrava Frankcom.

Segundo o comunicado militar, não existia “suspeita razoável de conduta criminosa que justificasse a abertura de uma investigação criminal”.

Wong classificou a decisão israelita como muito aquém da responsabilização exigida, afirmando ter instruído o embaixador australiano em Israel a transmitir diretamente ao governo israelita a posição de Camberra, enquanto o executivo pondera os próximos passos.

A ministra manifestou-se particularmente indignada com o facto de o governo australiano ter tido conhecimento da decisão apenas momentos antes do seu anúncio público, coincidindo com o Dia Mundial Humanitário.

Uma circunstância que classificou como especialmente insultuosa para os entes queridos de Frankcom, para a comunidade humanitária e para os australianos em geral.

“As democracias procuram e aceitam padrões mais elevados”, afirmou.

Zomi Frankcom foi uma das sete trabalhadoras e trabalhadores humanitários da organização World Central Kitchen mortos num ataque aéreo israelita em Gaza, a 1 de abril de 2024.

A Austrália solicitou, em nome da família, o áudio das imagens captadas pelo drone responsável pelo ataque, e o primeiro-ministro Anthony Albanese abordou o caso diretamente com o Presidente israelita, Isaac Herzog, durante uma visita a Israel em fevereiro.

Já depois da reunião, o embaixador Hillel Newman declarou aos jornalistas ter pressionado, desde que assumiu funções há cinco meses e meio, pelo encerramento do processo, garantindo ter envolvido pessoalmente o Presidente Herzog junto da procuradoria israelita – um órgão independente – no sentido de concluir a investigação.

Segundo Newman, os investigadores concluíram não existir responsabilidade criminal dos soldados envolvidos, apesar de identificadas falhas operacionais, por não haver intenção demonstrada.

A deputada independente Zali Steggall apelou ao governo australiano para apoiar uma investigação do Tribunal Penal Internacional sobre as circunstâncias da morte de Frankcom e dos restantes trabalhadores da World Central Kitchen, incluindo a possibilidade de a conduta das forças israelitas configurar crime de guerra.

Steggall classificou como “extraordinário” o facto de a Austrália só ter sido informada da decisão israelita momentos antes do anúncio público, considerando tratar-se de “uma falha grave de responsabilização e um insulto à família de Zomi, aos trabalhadores humanitários australianos e ao direito internacional humanitário”.

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Escrito por RafaFM

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