Ouvir RAFA Ritmo, Voz e Coração de Timor
Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – A missão OceanX realizada em Timor-Leste em 2025 aprofundou o conhecimento sobre o fundo do mar do país, mas também destacou a necessidade de Timor-Leste continuar a investir na investigação e recolha sistemática de dados marinhos para orientar a conservação e as futuras atividades oceânicas.
Esta foi a avaliação apresentada por Agostinho Rodrigues, da Autoridade Nacional do Petróleo (ANP), durante o Simpósio OceanX Timor-Leste, que decorre hoje no Centro de Convenções de Díli.
Rodrigues, que participou diretamente na missão de 2025, explicou que o trabalho durou aproximadamente duas semanas e incluiu o mapeamento do fundo do mar desde a zona oeste até Liquiçá e, a Leste, até Lautém, antes da equipa seguir para Ataúro.
Durante este período, dois especialistas acompanharam os trabalhos para ajudar a compreender melhor as condições do fundo do mar timorense.
Na zona norte de Ataúro foram identificadas profundidades superiores a 3.500 metros.
“Durante duas semanas, trabalhámos para compreender o nosso fundo marinho, mapeando a parte ocidental até Liquiça e, a Leste, até Lautém, antes de prosseguirmos para Ataúro”, explicou Rodrigues.
Para o responsável timorense, a experiência demonstrou que ainda existe um vasto campo de investigação no oceano nacional.
O conhecimento adquirido poderá ser importante também para futuras atividades de exploração marítima.
Rodrigues defendeu que Timor-Leste precisa de compreender melhor a conetividade entre os diferentes operadores e atividades no mar antes de serem realizadas operações de exploração no espaço marítimo timorense.
Uma das principais prioridades apontadas por Rodrigues é o aumento da recolha de dados sobre o meio marinho.
Entre os aspetos que considera necessários estudar estão a qualidade da água, os sedimentos do fundo marinho e a sua composição física, química e biológica.
A recolha contínua de dados permitiria a criação de uma base científica capaz de demonstrar se as condições ambientais se mantêm estáveis ou se alteram ao longo do tempo.
“Precisamos de obter muito mais dados para melhor preservar o mar de Timor-Leste”, afirmou.
Segundo Rodrigues, uma melhor compreensão dos recursos marinhos aumenta também a capacidade do país para os proteger.
Futuras pesquisas poderão incluir áreas ainda menos estudadas, como a parte sul de Timor-Leste, que poderá ser objeto de novas pesquisas.
Rodrigues apontou ainda o reforço da implementação do planeamento espacial marítimo como uma prioridade, o que permitiria uma melhor organização das diferentes atividades desenvolvidas no espaço marítimo.
Para tal, defendeu um maior investimento na capacitação nacional em conhecimento marítimo e uma maior participação de cientistas, universidades e organizações da sociedade civil.
A sociedade, de acordo com a perspetiva apresentada, necessita também de um maior conhecimento e educação sobre os recursos marinhos, uma vez que a proteção destes recursos depende igualmente da compreensão e da participação das comunidades.
“É importante termos dados que possam ser monitorizados continuamente, para que tenhamos uma base de referência e saibamos se o ambiente se mantém ou se está a mudar”, concluiu.
A experiência OceanX é, por isso, apresentada como um ponto de partida para uma participação científica nacional mais robusta.
Para Rodrigues, o desafio de Timor-Leste não é apenas compreender melhor o oceano uma vez, mas sim desenvolver a capacidade de continuar a estudá-lo, monitorizar as suas mudanças e utilizar esse conhecimento para proteger os recursos e apoiar o desenvolvimento sustentável da Economia Azul.
Jornalista: Miguel Caldas
Escrito por RafaFM
Missão OceanX revela potencial e necessidade de expansão da investigação sobre o mar de Timor-Leste
todayOutubro 14, 2026 6 2
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
Copyright Rafa.tl - Desenvolvido por Justweb.pt