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Ministro do Nepal pede a países ricos que paguem fatura das alterações climáticas

todaySetembro 25, 2026 14 5

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Nova Iorque, 25 de setembro de 2026 (RAFA) – O ministro dos Negócios Estrangeiros do Nepal, Shisir Khanal, pediu esta quinta-feira aos países ricos que assumam a sua quota-parte no apoio às nações menos responsáveis pela crise climática, mas mais afetadas pelas suas consequências.

O país himalaio sofreu no final do mês passado uma das piores catástrofes da sua história, quando uma inundação semelhante a um tsunami, desencadeada pelo colapso de uma montanha glaciar de grande altitude na fronteira entre o Nepal e a China, deixou um rasto de destruição.

Mais de 1.400 pessoas morreram, 6.000 continuam desaparecidas, e os prejuízos económicos ascendem a milhares de milhões de dólares.

“O que estamos a tentar transmitir ao mundo é isto: estas questões das alterações climáticas já não são teóricas”, afirmou Khanal, em entrevista à agência AFP na missão permanente do Nepal, durante a semana de alto nível da ONU.

“Estão a tornar-se reais, e a frequência deste tipo de desastres deverá aumentar nos próximos anos, à medida que a temperatura sobe e os glaciares derretem.”

Cientistas do World Weather Attribution descreveram o fenómeno como uma “crise composta”, resultante da combinação entre instabilidade geológica local e o aquecimento global de longo prazo, que tem provocado o recuo dos glaciares e o degelo do permafrost.

Khanal sublinhou que o Nepal contribui de forma negligível para a rutura do sistema climático global: mais de 90% da eletricidade do país provém de energia hidroelétrica, mais de 70% dos veículos novos vendidos são elétricos, e o país é responsável por apenas 0,1% das emissões globais de gases com efeito de estufa.

“Então porque é que nós, que não temos qualquer contribuição para este problema, temos de suportar sozinhos o fardo?”, questionou. Segundo o ministro, os países ricos não devem apoiar apenas quando ocorre uma catástrofe, “mas também financiar a construção de comunidades resilientes”.

Khanal indicou que os seus encontros em Nova Iorque foram produtivos, com os Estados Unidos a anunciar 31 milhões de dólares em novo apoio à recuperação das cheias.

O G7 prometeu informalmente apoio numa reunião na quarta-feira, disse o ministro, e o Reino Unido também se comprometeu a ajudar.

Ainda assim, a dimensão do desafio é enorme: estimativas preliminares do governo nepalês apontam para um custo total da catástrofe de 5.000 milhões de dólares.

O Nepal pediu ao Fundo de Perdas e Danos da ONU 20 milhões de dólares, o valor máximo permitido, mas uma fração ínfima do que o país necessita.

O fundo, criado em 2022 na sequência das inundações catastróficas no Paquistão, ainda não fez o primeiro desembolso e está muito subfinanciado – defensores da justiça climática veem o caso do Nepal como um teste-chave à sua credibilidade.

Khanal disse ainda sentir-se encorajado pelo apoio financeiro e pelas equipas de resgate enviadas por países vizinhos do Nepal, bem como pela diáspora nepalesa, que passou a enviar dinheiro diretamente para o Fundo de Socorro do primeiro-ministro. Antes, disse, a diáspora preferia doar a organizações internacionais e a associações locais sem fins lucrativos – uma tendência que mudou desde a eleição do novo primeiro-ministro, Balendra Shah, antigo rapper que chegou ao poder através de um movimento liderado por jovens.

Jeremy Konyndyk, antigo responsável da USAID no governo de Joe Biden, criticou os cortes generalizados na ajuda ao Nepal decididos pela administração de Donald Trump, incluindo no financiamento de sistemas de previsão de cheias e inventários de glaciares. “Não existe provavelmente, hoje, em nenhum lugar do mundo, um sistema de alerta precoce capaz de antecipar um desastre composto desta natureza”, disse Khanal. “Mas o que a USAID e outras instituições costumavam fornecer-nos era, obviamente, assistência financeira e técnica.”

Segundo o ministro, o Nepal precisa agora de mais apoio internacional deste tipo para desenvolver sistemas mais complexos, incluindo satélites para monitorizar a taxa de degelo dos glaciares e emitir alertas antecipados.

FIM

 

Escrito por RafaFM

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