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Díli, 28 de agosto de 2026 (RAFA) – O Ministro da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, Marcos da Cruz, defendeu hoje que “ao longo do tempo, os cientistas timorenses devem liderar a investigação nas nossas próprias águas”, ao encerrar o simpósio que analisou os resultados da missão da OceanX em Timor-Leste.
“O desafio agora é garantir que este conhecimento é posto em uso prático. A descoberta científica é muito importante, mas para o Governo o seu maior valor surge quando nos ajuda a tomar melhores decisões sobre a gestão dos nossos recursos naturais, a proteção do nosso ambiente e a criação de oportunidades para o nosso povo”, afirmou o ministro no Centro de Convenções de Díli.
Segundo Marcos da Cruz, a cooperação científica internacional dá a Timor-Leste acesso a tecnologia e conhecimento especializado que, de outra forma, levaria muitos anos a desenvolver, e a missão da OceanX “demonstrou o valor dessa cooperação”.
Mas, sublinhou, “o seu contributo a longo prazo tem de ir mais longe”.
“Queremos que os cientistas timorenses participem diretamente na investigação marinha. Queremos que os nossos estudantes trabalhem lado a lado com investigadores internacionais experientes. Queremos que os nossos técnicos das pescas e funcionários do Governo tenham as competências para interpretar informação científica e usá-la na tomada de decisões práticas. E queremos universidades e instituições nacionais mais fortes, capazes de conduzir e apoiar investigação marinha”, afirmou.
O ministro agradeceu à OceanX a parceria com o Governo de Timor-Leste e a missão científica realizada nas águas do país no ano passado, dirigindo o seu agradecimento a Mark Dalio e à equipa da organização, bem como aos cientistas, investigadores e instituições nacionais e internacionais envolvidos na missão e no simpósio.
Segundo Marcos da Cruz, a informação científica gerada pela missão da OceanX – observações de biodiversidade, mapeamento do fundo do mar e dados oceanográficos – pode contribuir diretamente para o trabalho do seu ministério na área das pescas.
“Precisamos de uma melhor compreensão das nossas populações de peixes e dos ambientes que as sustentam, bem como da relação entre recifes, ecossistemas marinhos e pescas. Este conhecimento tem valor prático direto. Pode ajudar-nos a determinar níveis sustentáveis de pesca, identificar áreas que precisam de proteção e desenhar medidas de gestão que permitam que as populações de peixes se mantenham saudáveis”, afirmou, sublinhando que “não deve haver contradição entre desenvolver as nossas pescas e proteger o ambiente marinho”.
O ministro apontou a ilha de Ataúro como “talvez o exemplo mais claro” da aplicação prática deste conhecimento.
Segundo Marcos da Cruz, o ambiente marinho em torno de Ataúro tem importância internacional e tem sido protegido há muitos anos pelas comunidades locais, incluindo através de áreas marinhas protegidas geridas localmente e da prática tradicional do Tara Bandu.
“O Governo está agora a avançar com a criação do Parque Nacional de Ataúro. O nosso objetivo é proteger este ambiente marinho excecional e criar oportunidades económicas sustentáveis para as pessoas que ali vivem”, afirmou, acrescentando que o conhecimento científico deve ser combinado com o conhecimento das comunidades locais, que dependem destas águas há gerações.
O Governo está também a avançar com planos para um Centro de Investigação e Educação Marinha em Ataúro, que Marcos da Cruz descreveu como uma base permanente para a conservação e a educação em Timor-Leste, destinada a apoiar relações entre estudantes e investigadores timorenses e instituições científicas da região e do mundo.
O ministro referiu ainda a investigação apresentada hoje sobre baleias, recordando que Timor-Leste se situa num corredor de migração de importância internacional para baleias e outras espécies marinhas.
O seu conhecimento, disse, pode também apoiar o desenvolvimento do turismo marinho, incluindo a observação de baleias e o mergulho, criando negócios, emprego e rendimento para as comunidades locais – “mas temos de gerir estas oportunidades de forma responsável”, alertou.
Apesar dos avanços, o ministro reconheceu que “há muito que ainda não sabemos”.
Segundo Marcos da Cruz, mantêm-se lacunas importantes na compreensão das populações de peixes, e a conservação exige bases científicas mais sólidas contra as quais possam ser medidas futuras alterações.
Assim, em Ataúro e noutras áreas marinhas importantes, é necessária informação que sustente uma gestão, definição de zona e monitorização eficazes; e, no caso das baleias, tubarões e outras espécies marinhas, é possível melhorar a compreensão dos seus movimentos, populações e das pressões que enfrentam.
O ministro concluiu recordando que o Plano de Desenvolvimento Estratégico 2011-2030 estabeleceu a visão de longo prazo para o desenvolvimento do país, e que a Política de Economia Azul fornece o quadro para garantir que o oceano contribui para essa visão.
“A ciência que discutimos hoje pode ajudar-nos a pôr esse quadro em prática. Ao compreender melhor o nosso oceano, podemos gerir as nossas pescas de forma mais sustentável, proteger ecossistemas importantes, apoiar o desenvolvimento do turismo marinho, fortalecer as nossas comunidades costeiras e criar novas oportunidades para o nosso povo. É assim que a ciência pode apoiar o desenvolvimento nacional e contribuir para a prosperidade de longo prazo de Timor-Leste”, concluiu Marcos da Cruz.
FIM
Escrito por RafaFM
Fundada por Nilton e Akita nos momentos difíceis pós-referendo, a Rádio Rafa nasceu como um símbolo de esperança e reconstrução em Timor-Leste. Foi a primeira rádio a surgir após a independência, reunindo jovens, espalhando alegria e dando voz a uma nova geração, mesmo quando muitos ainda viviam em casas feitas de cinzas, após a destruição provocada pela violência que se seguiu ao referendo de 1999, no qual os timorenses decidiram pela separação da Indonésia e pela construção de um país independente e livre.
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