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Milhares de pessoas prestam última homenagem a Francisco Guterres “Lú-Olo” na sua casa no Farol

todayJunho 23, 2026 62 5

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Díli, 23 de junho de 2026 (RAFA.TL) – Num clima de profunda tristeza, emoção e respeito, os restos mortais do antigo Presidente da República e presidente da FRETILIN, Francisco Guterres “Lú-Olo”, foram recebidos hoje na sua residência no bairro do Farol, em Díli, por familiares, amigos, dirigentes políticos, veteranos e milhares de cidadãos.

Antes da entrada do caixão na residência, a família realizou uma cerimónia cultural tradicional, marcada por palavras proferidas na língua nativa makassae, diante do caixão do falecido líder.

O momento foi vivido com grande emoção e simbolizou a ligação de Lú-Olo às suas raízes, à sua família e aos timorenses.

Na residência, milhares de pessoas aguardavam para prestar a última homenagem, alguns depois de esperar horas na zona.

Velas, flores e mensagens de condolências, enviadas por diversas entidades e organizações públicas e privadas, encheram a casa do falecido, transformando o local num espaço de memória, gratidão e reconhecimento pelo legado deixado por Lú-Olo.

Desde a chegada dos restos mortais ao Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato até à residência no Farol, o fluxo de pessoas tem sido constante.

Sem interrupção, os cidadãos entram e saem do velório para prestar a sua homenagem, como sinal de profundo respeito e carinho pelo antigo Chefe de Estado.

Deputados, membros do Governo, dirigentes políticos, ativistas e estruturas da FRETILIN, bem como pessoas de diferentes origens, permanecem na residência do Farol, acompanhando os preparativos e participando nas cerimónias fúnebres.

Com a voz embargada pela emoção, o Tenente-General Falur Rate Laek disse que a família está a sentir uma enorme dor pela perda de um ente querido.

“Como família, sentimos muita tristeza pela perda de um membro da nossa família, ainda mais alguém que conhecíamos desde a juventude. Foi ele que nos organizou na luta contra os colonizadores e nas manifestações antes de 25 de abril. Mas também sentimos alegria por ele ter deixado um grande legado,” disse o comandante das Forças de Defesa de Timor-Leste.

Recordando os tempos de resistência, acrescentou:

“Quando regressei do mato, disse que Lú-Olo e Taur Matan Ruak merecem o respeito de todo o povo, porque sofreram muito, de uma forma que hoje nem sequer conseguimos imaginar. Perdemos um lutador e um grande patriota”, afirmou.

Por sua vez, o veterano António Aitahan Matak recordou a longa amizade e os laços familiares com o falecido.

“Somos de Ossu e somos uma família. Era uma pessoa muito paciente e lutou durante 24 anos. A nossa missão era pensar, orientar e organizar. Essa foi também a nossa contribuição para a luta”, afirmou.

José das Neves, da Resistência Nacional dos Estudantes de Timor-Leste (RENETIL), considerou que a partida de Lú-Olo foi prematura, mas apelou para que a dor se transformasse numa homenagem digna.

“Ele partiu cedo demais. A realidade da vida obriga-nos a aceitá-lo, mas a nossa aceitação deve transformar-se numa grande homenagem. Ele foi uma força política de resistência e é uma força política do Estado independente. As suas contribuições têm um valor imenso.”

Segundo José das Neves, valores como a simplicidade, a coragem e o altruísmo demonstrados por Lú-Olo devem servir de exemplo a todos os cidadãos e dirigentes timorenses na construção de um Estado melhor e de melhores condições de vida para o povo.

Recordou ainda o mandato presidencial de Lú-Olo, destacando que o antigo Presidente liderou o país num dos períodos mais difíceis da história recente, marcado pela pandemia da Covid-19.

“O presidente tinha a capacidade de gerir a situação. Tinha a sua própria personalidade e uma forma única de comunicar com o povo.”

Entretanto, o porta-voz da Comissão Organizadora, Francisco Vasconcelos, informou que, após a cerimónia cultural, o programa desta tarde inclui homenagens prestadas pelos Órgãos de Soberania de Timor-Leste, membros do Governo e pelo Arcebispo de Díli, Cardeal Virgílio do Carmo da Silva, além do Corpo Diplomática.

José Vasconcelos apelou ainda a toda a população para que continue a comparecer na residência do Farol para prestar a sua última homenagem ao falecido Francisco Guterres “Lú-Olo”, acrescentando que as próximas atividades e cerimónias fúnebres serão anunciadas pela família em breve.

Por entre lágrimas, silêncio e palavras de gratidão, a casa do Farol tornou-se um local de despedida nacional, onde milhares de timorenses se reúnem para honrar a memória de um dos maiores protagonistas da história contemporânea de Timor-Leste.

Jornalista: Miguel Cardas 

 

Escrito por RafaFM

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