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Mapas do PNUD confirmam risco de seca severa e incêndios no sul e leste de Timor-Leste, devido ao El Niño

todayJulho 15, 2026 37

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Díli, 15 de julho de 2026 (RAFA.TL) – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) alertou para um risco crescente de seca e de incêndios florestais em Timor-Leste, devido aos efeitos do El Niño, com mapeamento de perigos a identificar condições moderadas a severas nas regiões sul e leste do país.

Segundo um relatório divulgado pelo PNUD Timor-Leste, essas áreas estão cada vez mais vulneráveis a défices prolongados de chuva, escassez de água e impactos na agricultura e nos meios de subsistência.

O documento é acompanhado de mapas de perigo de seca e de incêndio florestal elaborados para todo o território nacional.

O PNUD sublinha que a situação atual reflete, em grande medida, o impacto do episódio de El Niño de 2023-2024, que trouxe precipitação significativamente abaixo da média e temperaturas acima do normal na maior parte do país.

Entre outubro de 2023 e janeiro de 2024, a chuva ficou mais de 30% abaixo dos níveis normais, desencadeando condições de seca em 10 dos 13 municípios de Timor-Leste e na RAEOA, com perdas de colheitas, mortandade de gado e escassez de água em numerosas comunidades, segundo dados da organização humanitária ACAPS citados pelo PNUD.

A agência recorda ainda que o fenómeno El Niño tende a reduzir a precipitação e a encurtar a época das chuvas em Timor-Leste, e que as alterações climáticas estão a agravar este padrão, com precipitação mais errática, eventos de chuva extrema mais frequentes e temperaturas em subida.

Segundo projeções do Banco Asiático de Desenvolvimento e do Banco Mundial citadas no relatório, Timor-Leste poderá registar, até 2099, mais 100 dias por ano com temperaturas acima dos 35 graus Celsius, mesmo em cenários de baixas emissões.

O mapeamento aponta ainda para uma preocupação crescente com incêndios florestais: apesar de a maior parte do território apresentar risco baixo a moderado, dados históricos mostram que algumas zonas enfrentam uma probabilidade notavelmente mais elevada de ocorrência de fogos. Em anos de El Niño, a vegetação seca, as pastagens e as florestas tornam-se altamente inflamáveis, aumentando o risco de incêndios rurais e florestais em todo o país.

O PNUD alerta que a combinação de seca e incêndios pode ter consequências graves e cumulativas: os incêndios destroem florestas, culturas, pastagens e biodiversidade, enquanto a seca reduz a disponibilidade de água e a produtividade agrícola, ameaçando a segurança alimentar e os meios de subsistência das comunidades rurais.

Segundo o Censo Agrícola de Timor-Leste de 2019, 66% dos agregados familiares dependem da agricultura como principal fonte de rendimento, o que expõe grande parte da população a estes choques climáticos.

O PNUD recomenda um conjunto de medidas práticas para reforçar a resiliência das comunidades, entre as quais poupar e armazenar água sempre que possível e evitar queimadas descontroladas em pastagens e terrenos agrícolas.

Deve-se ainda reportar precocemente sinais de incêndio, proteger a vegetação e as bacias hidrográficas que ajudam a reter humidade, seguir a informação sazonal e os sistemas de aviso antecipado, e promover práticas agrícolas resilientes às alterações climáticas.

Timor-Leste tem um historial persistente de vulnerabilidade a episódios de El Niño. Durante o evento de 2015-2016, um dos mais fortes já registados, o país sofreu uma das piores secas da sua história recente, com a morte de 70 mil cabeças de gado e até 120 mil pessoas afetadas nos municípios de Lautém, Viqueque, Baucau, Oecusse e Covalima.

No episódio mais recente, de 2023-2024, cerca de 360 mil pessoas – 27% da população – enfrentaram insegurança alimentar aguda, segundo dados do sistema IPC das Nações Unidas, com 19 mil em situação de emergência, tendo o Presidente da República, José Ramos-Horta, convocado uma reunião de emergência sobre o tema.

Os alertas para a chegada de um El Niño forte em 2026 começaram a acumular-se a partir de abril, quando a Administração Meteorológica Chinesa e a NOAA norte-americana apontavam uma probabilidade superior a 60% de o fenómeno se instalar entre junho e agosto, com hipótese de atingir intensidade comparável aos episódios de 1997-98 e 2015-16.

A confirmação chegou a 12 de junho, quando a NOAA anunciou a formação do El Niño com 63% de probabilidade de atingir, no final do outono e início do inverno do hemisfério norte, um dos níveis mais fortes desde 1950, levando o secretário-geral da ONU, António Guterres, a classificar a situação como “alerta climático urgente”.

No início de junho, o Serviço de Meteorologia australiano (BOM) confirmou que a região estava oficialmente à beira de um evento de El Niño, com risco agravado de seca, calor extremo e incêndios florestais em todo o Sudeste Asiático.

Dias depois, a 9 de junho, a FAO identificou especificamente Timor-Leste entre as zonas de maior risco agrícola da região, com mais de 50% de probabilidade de seca nas culturas, enquanto a ESCAP reforçou que o país integra o grupo de nações onde eventos fortes de El Niño provocam repetidamente seca, incêndios, perdas agrícolas e escassez de água.

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Escrito por RafaFM

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