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Mais de mil mortos e 4.000 desaparecidos no Nepal, buscas continuam em túneis de centrais hidroelétricas

todaySetembro 2, 2026 22

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Katmandu, 02 de setembro de 2026 (RAFA) – O número de mortos devido às inundações no Nepal ultrapassou os 1.050, com cerca de 4.000 desaparecidos, entre os quais 583 estrangeiros, enquanto as buscas em túneis de centrais hidroelétricas soterrados em lama continuam a revelar-se um dos maiores desafios das operações de resgate.

Segundo a agência nepalesa de gestão de desastres, cerca de 639 pessoas permanecem em paradeiro desconhecido nas centrais hidroelétricas devastadas pelas cheias de 26 de agosto, provocadas pelo colapso de um glaciar que libertou uma torrente de gelo, rocha e lama junto à fronteira com a China.

Até agora, 279 trabalhadores foram resgatados dessas instalações, com equipas conjuntas do Nepal, Índia e China envolvidas nas operações de busca e salvamento.

Segundo a Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal (IPPAN), cerca de 900 trabalhadores continuam desaparecidos em 12 projetos hidroelétricos ao longo do rio Trishuli, não sendo claro quantos se encontravam efetivamente dentro dos túneis, profundos e fortemente reforçados, no momento da catástrofe, nem quantos poderão ainda estar vivos.

Das 27 centrais hidroelétricas danificadas no Nepal, cerca de 12 ficaram praticamente destruídas.

Engenheiros e equipas de busca e salvamento do Exército e da Polícia nepaleses foram reforçados por especialistas da Índia e da China, que chegaram ao terreno no fim de semana.

As equipas têm recorrido a câmaras térmicas montadas em drones para procurar sobreviventes, ao mesmo tempo que tentam localizar as entradas dos túneis e remover a lama acumulada, perfurando orifícios no topo das estruturas fortemente reforçadas dos túneis para tentar aceder ao interior.

Na central de Trishuli 3A, os socorristas conseguiram abrir um orifício suficientemente grande para descer ao interior com cordas e arneses, mas não obtiveram qualquer resposta ao chamarem pelos desaparecidos.

Antes disso, tinham já bombeado ar para o túnel e enviado comida para o interior.

Segundo os responsáveis, aceder ao interior das centrais coloca dificuldades adicionais, sendo necessário equipamento especial para atravessar as estruturas de aço que envolvem as salas das turbinas.

Manish Maharjan, piloto de drones e cineasta que integrou os esforços de resgate do Exército nepalês um dia após a catástrofe, disse à agência AP que os túneis foram encontrados “cheios de lama como pasta de dentes num tubo”, sem qualquer espaço vazio no interior.

O operador tem usado altifalantes montados em drones para chamar pelos desaparecidos e, nalguns locais, para tocar música na esperança de obter resposta – método que, segundo disse, resultou nalguns casos e permitiu localizar pessoas.

Maharjan, que opera drones térmicos nos túneis, explicou que as buscas são particularmente difíceis devido ao acesso limitado e à ausência de espaço livre no interior das galerias. “Só consigo fazer voar drones em túneis longos e retos.

Assim que há curvas, viragens ou ziguezagues, torna-se muito mais difícil operar e procurar eficazmente”, afirmou.

Na central hidroelétrica de Rasuwagadhi, o operador conseguiu esta semana enviar um drone até ao fundo do túnel, sem encontrar qualquer sinal de vida.

“Verificámos repetidamente, mas estava cheio de lama e destroços. Olhando para aquilo, só conseguia imaginar a força da cheia”, disse.

Segundo Mohan Kumar Dangi, presidente da IPPAN, alguns trabalhadores presos nos túneis conseguiram pedir ajuda no momento da catástrofe, e outros que conseguiram escapar relataram que colegas seus continuavam lá dentro. Não é claro se as equipas de resgate mantiveram contacto com os trabalhadores presos desde os primeiros pedidos de socorro. À medida que o tempo passa, torna-se cada vez mais difícil localizá-los.

Equipas especializadas construíram pontes temporárias para chegar a zonas remotas e têm usado escavadoras para tentar aceder aos cerca de 300 trabalhadores presos em túneis de projetos hidroelétricos. Segundo Asish Gurung, guia de montanha que participa nas operações na central de Trishuli, “não é humanamente possível entrar no túnel” naquelas condições, estimando que possam estar ali presas cerca de 500 pessoas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima, em avaliação preliminar, que o desastre deixou pelo menos 2,2 milhões de toneladas de detritos, entre partes de edifícios, rochas e sedimentos.

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Escrito por RafaFM

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